Moraes começa a cumprir promessa de cassar e prender quem tentar repetir ‘o que foi feito em 2018’

Fila anda no STF/TSE e efeito da condenação do ex-deputado pode reequilibrar os poderes ao serem interrompidos discursos ilusionistas que distorcem a compreesão da democracia

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que é também vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e será o presidente desta Corte durante as eleições de outubro, Alexandre de Moraes, cumpriu promessa feita no final de outubro de 2021, quando votava na ação da chapa Bolsonaro/Mourão, de que “se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro será cassado” e os envolvidos “irão para a cadeia“.

Naquele mês, o magistrado disse que é do conhecimento de todos que “houve disparo em massa, sim“, referindo-se ao impulsionamento de mensagens falsas, em simultaneidade para milhares de aparelhos de celular, via grupos de WhatsApp.

Nas redes sociais, perfis argumentam que há mais pessoas que deveriam enfrentar o mesmo julgamento que condenou o ex-deputado Daniel Silveira, na sessão desta quarta-feira (20/4), pelo placar de 10 votos favoráveis a 1 que pediu sua absolvição, o do ministro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), Kassio Nunes Marques. Até mesmo o “terrivelmente evangélico” André Mendonça acompanhou o relator Moraes.

Internautas afirmam que só “na cabeça do gado maluco” um ministro que foi indicado por Bolsonaro deverá ir contra a Constituição Federal e “apoiar criminosos” para manter a onda que tenta difamar o poder judiciário e, assim, criar uma esperança qualquer que possa reverter a queda de popularirade do presidente e impedir a eleição de LULA, ou mesmo tumultuar sua posse na Presidência da República, na eventualidade de sua provável vitória nas urnas.

À exceção de Kassio, o STF de ontem foi uma demonstração de que a Corte, com forças unidas ao TSE de ‘amanhã’, fará a “fila andar“, a não ser que o efeito da condenação do ex-deputado já tenha servido para reequilibrar os poderes, por ter atingido sua finalidade principal, a de interromper, por meio de uma decisão didática, os discursos ilusionistas de quem busca distorcer a compreensão da democracia fazendo mau uso da interpretação da liberdade de expressão.

Quanto a André Mendonça, sua imparcialidade demostrada ontem pode significar que o ministro se desgarrou do bolsonarismo e já não necessita mais se submeter a ele, fato que pode ser admitido a partir de declaração feita pelo presidente do TSE, Edson Fachin, na ocasião da posse do ex-AGU na Corte Eleitoral, no início deste mês, quando foi bem recebido e elogiado.

Fachin disse que sua “chegada a esta Corte Superior Eleitoral nos traz a certeza de poder contar com sua expertise e dedicação à res publica [coisa pública], agora sob o prisma do zelo incansável da higidez do processo eleitoral, tanto em relação aos seus participantes, quanto na defesa da integridade da Justiça Eleitoral na condução dos afazeres constitucionais, empreendendo, como todos os demais integrantes do TSE, esforços para assegurar que as Eleições 2022 transcorram com paz e segurança”.

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