Menina indígena de 12 anos morre após estupro de garimpeiros ilegais

Mal entram na puberdade, meninas indígenas são cobiçadas e abusadas sexualmente por garimpeiros Foto: Arquivo pessoal O GLOBO


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

A informação foi divulgada na noite de segunda (25/4) por Júnior Hekurari Yanomami, uma das lideranças da comunidade na região de Waikás, atingida pela invasão de mineradores

Uma menina ianomâmi, de apenas 12 anos, morreu após ser estuprada por garimpeiros ilegais em uma comunidade Aracaçána, na região de Waikás, que tem sido uma das mais atingidas pela invasão de mineradores na Terra Indígena Yanomami.

A informação foi divulgada nas redes sociais, na noite desta segunda-feira (25/4), por Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY) e uma das lideranças.

No vídeo abaixo, Júnior Hekurari diz que uma outra criança de cerca de 3 anos desapareceu após cair de uma embarcação no rio Uraricoera.

O líder indígena afirmou: “Conforme vídeo, recebi a informação hoje (25/04) as 20h que uma adolescente de 12 anos foi violentada brutalmente por garimpeiros na região do Palimiú e, que uma criança de 4 anos que estava com a mesma caiu do barco em que estavam. Amanhã estarei indo no primeiro horário p/comuni [sic]“.

Assista abaixo e leia mais a seguir:

Originally tweeted by Júnior Hekurari Yanomami (@JYanomami) on 26/04/2022.

Segundo Hekurari, a Polícia Federal (PF) e o Exército foram informados do crime ainda na noite de segunda (25/4). Júnior disse que vai buscar o corpo da vítima e levá-lo para autópsia no IML (Instituto Médico Legal) de Boa Vista – RR.

De acordo com o g1, Junior Hekurari acrescentou os detalhes a seguir:

“A adolescente estava sozinha na comunidade e os garimpeiros chegaram, atacaram e levaram ela para as barracas deles. A tia dela defendeu [a sobrinha]. Quando estava defendendo, os garimpeiros empurram ela em direção ao rio junto com a criança. Essa criança se soltou no meio do rio, acho que estava em um barco. Eles invadiram e levaram [a menina] para o barraco dos garimpeiros e a violentaram brutalmente, estupraram essa adolescente. Moradores de lá me disseram que ela morreu. Então, é muito triste, muito triste mesmo”.

Hekurari disse ainda que há a suspeita que os garimpeiros estivessem armados. A comunidade Aracaçá está localizada no meio de acampamentos montados por garimpeiros na região. A violência sexual contra meninas e mulheres ianomâmi cometida por garimpeiros já havia sido denunciada semana passada pela Hutukara Associação Yanomami.

Além disso, na manhã desta terça-feira, Hekurari, por meio do Condisi-YY, enviou um ofício relatando a situação para o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ambos de responsabilidade do Ministério da Saúde, além de PF, Ministério Público Federal (MPF). No documento, a associação pede apuração do caso.

O acesso à região de Waikás demora cerca de 1h15 de voo saindo de Boa Vista. Para chegar até a comunidade Aracaçá, onde a menina foi estuprada e morta, são mais 30 minutos de helicóptero ou 5 horas de barco pelo rio Uraricoera. A população da região é 198 indígenas, segundo o Condisi-YY.

O MPF emitiu a nota abaixo:

O MPF busca junto às instituições competentes a apuração do caso e acredita que situações como essa são consequência cada vez mais frequente do garimpo ilegal em terras indígenas em Roraima. Como forma de evitar novas tragédias como as que vem ocorrendo, o MPF já acionou a Justiça e se reúne rotineiramente com instituições envolvidas na proteção do território indígena para que se concretizem medidas de combate sistêmico ao garimpo. Entre essas medidas, estão a retomada de operações de fiscalização, construção de bases de proteção etnoambiental e mudanças nos procedimentos adotados por órgãos fiscalizadores”.

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