Matéria da Folha menciona o golpe 2016 em texto que aponta a culpa do próprio jornal

20/02/2021 0 Por Redação Urbs Magna

“Ainda vamos sentir por muito tempo as ondas de choque provocadas pelas placas tectônicas que se moveram no golpe de 2016 e que produziram o desarranjo institucional vigente”, escreve jornalista. “Evidência trágica do lamaçal em que estamos metidos”, diz ao argumentar sobre o absurdo de ter “no centro da discussão política nacional” a “figura grotesca” do deputado bolsonarista preso


Neste sábado (20), a jornalista Cristina Serra fez a menção ao golpe 2016 em sua matéria na Folha de S. Paulo, quando argumentava sobre o deputado bolsonarista Daniel Silveira, preso por seu perfil violento e ofensas a ministros do STF nas redes sociais. No texto ela diz que “ainda vamos sentir por muito tempo as ondas de choque provocadas pelas placas tectônicas que se moveram no golpe de 2016 e que produziram o desarranjo institucional vigente. Nesse sentido, o episódio envolvendo o deputado delinquente é exemplar“.

Daniel Silveira | Foto: Betinho Casas Novas (17/02/2021 – Futura Press)

Serra resume os fatos que levaram o parlamentar à prisão:

“Começa com o tuíte do general Villas Bôas, em abril de 2018, pressionando o STF na véspera da votação do HC de Lula; passa pela nebulosa presença de generais da reserva no gabinete de Dias Tóffoli quando este foi presidente da corte; segue com a afronta de que bastariam “um soldado e um cabo” para fechar o tribunal. A eleição de Bolsonaro fez o resto”, diz a jornalista.

Ela continua: “Três anos depois, Villas Bôas revela que o tuíte foi redigido pela cúpula do Exército. Edson Fachin reage e entra em cena o valentão, babando de fúria como cão feroz acorrentado. Que uma figura grotesca como Silveira esteja no centro da discussão política nacional é evidência trágica do lamaçal em que estamos metidos, enquanto avançamos para a marca de 250 mil mortos pela pandemia e Bolsonaro alimenta a matilha com a liberação de armas e munições”.

A publicação na Folha, ainda que não tenha sido um editorial do jornal assumindo que ao longo do golpe algumas mentirinhas foram disseminadas para que a direita se tornasse a ‘bola da vez’, é como se a jornalista colocasse o mea-culpa no centro do campo à espera do pontapé inicial. O sinal de contribuição para o “lamaçal” foi implicitado na frase destacada.

Em agosto de 2020, Dilma Rousseff afirmou: “Quem acredita que as redes sociais inventaram as fake news desconhece o que foi feito pela grande imprensa no Brasil – a Folha inclusive”.

O trecho destacado é parte de texto em que a ex-presidenta responde a um editorial da Folha de S. Paulo que foi contestado não só por petistas, mas por diversas personalidades nas redes sociais. Sob o título “Jair Rousseff”, o jornal faz uma defesa do teto de gastos do Governo Bolsonaro e atribui ao governo da petista um suposto descontrole nos gastos públicos.

Na ocasião, Dilma lembrou fatos como a utilização, pelo periódico, do termo “ditabranda” para classificar a ditadura civil-militar implementada em 1964, além de outro episódio em que o jornal publicou uma ficha falsa do Dops sua.

Para Dilma, aquele editorial “é pior do que um erro. É, mais uma vez, a distorção iníqua que confirma o facciosismo do jornal”.

”[A Folha] Repisa a falsa acusação de que o meu governo promoveu gastos excessivos, alegação manipulada apenas para sustentar a narrativa midiática e política que levou ao golpe de 2016. Esquece deliberadamente que a crise política provocada pelos golpistas do ‘quanto pior, melhor’ exerceu grande influência, seja sobre a situação econômica, seja sobre a situação fiscal”, afirmou Dilma.

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