Marina pronta para apoiar LULA: “Será um governo de transição do povo brasileiro”

FOTO: Marina Silva e Lula, durante ato eleitoral no ano de 2002, no Acre | Imagem de Jorge Araújo / Jorge Araújo/22-08-2002

“É com esse espírito que eu me disponho ao diálogo”, disse a ex-Ministra do Meio Ambiente: “Um programa de empresários, trabalhadores, homens, mulheres, pretos, formadores de opinião, todos dispostos a reconstruir o Brasil”

A gente tem uma competência instalada na sociedade que os governos e os partidos precisam ter a humildade de reconhecer. Eles ficaram fora desse debate, e não adianta agora querer inventar a roda. A roda vem sendo inventada há mais de 30 anos”, a ex-ministra do Meio Ambiente, em entrevista ao portal de notícias Metrópoles, sobre o tema da pasta sob sua gestão no governo LULA.

A sociedade brasileira foi capaz de produzir uma inteligência socioambiental muito grande. Dentro de um centro de pesquisa, nas universidades e no próprio poder público, através de funcionários comprometidos e, principalmente, de organizações da sociedade civil e das populações indígenas. Os partidos, na maioria, não foram capazes de acompanhar esse debate, estamos atrasados nisso”, disse.

Eu tenho procurado acompanhar as manifestações dos candidatos. Eu ainda tenho um olhar bastante preocupado em relação ao tema da sustentabilidade. Ele não está recebendo a devida importância e ênfase, por parte das candidaturas postas no campo democrático, mas eu espero que seja aprofundado cada vez mais”, prosseguiu.

Essas coisas que deram certo durante a minha gestão foram graças à ação de transformar essas boas experiências em políticas públicas. Agora os candidatos terão que fazer isso também. Não é só receber apoio. Eles têm que também entender o que estão apoiando. Não podem continuar apoiando projetos como Belo Monte (construção da hidrelétrica no Pará)”, afirmou referindo-se à usina responsável pela inundação de áreas indígenas, com prejuizos sócioambientais sérios na região de Altamira e da Volta Grande do rio Xingu.

Não podem continar apoiando investimentos como nas hidrelétricas no rio Tapajós. Não podem fazer vistas grossas para grilagem de terras e, mais uma vez, querer fazer regulação fundiária como foi feito em 2009, quando 47 milhões de hectares foram entreguespara pessoas que não deveriam ter recebido esses títulos”, disse Marina.

“Agora, novamente, a mesma coisa. Os candidatos estão dizendo que a agenda da mudança climática é importante, mas terão que traduzir isso em planos de desenvolvimento econômico sustentável na questão da produção energética, no uso correto da biodiversidade, na manutenção das florestas em pé, e principalmente, ser capaz de fazer com que esse país seja o país da agricultura de baixo carbono, que não derrube mais floresta para poder aumentar sua produção, mas use de tecnologias que já estão disponíveis na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para crescer em termos agrícolas por aumento de produtividade. Todos esses investimentos precisam ficar bem claros no programa de governo”, disse a ex-ministra.

LULA

As últimas vezes que nós conversamos foram quando a dona Marisa faleceu e quando meu pai faleceu. Nós nos telefonamos. E também quando ele esteve fazendo o tratamento dele, quando estava fazendo a quimioterapia”, contou Marina Silva sobre LULA.

“Mas o que eu tenho dito é que eu sou aberta ao diálogo no campo democrático. Discutir ideias para discutir propostas, respeitando as diferenças, as divergências, que são naturais”, disse Marina.

“Até porque, se não existissem divergências, eu não teria saído do governo do PT, não teria sido candidata por três vezes. Então, no terreno da democracia, a gente conversa, a gente conversa em cima de propostas e eu tenho uma visão do Brasil”, afirmou.

“Dialogar tem que ser sabendo que existem diferenças, mas que nas diferenças a gente pode buscar convergências, o que não significa que se tenha que dar apoios incondicionais. Em política, a base de qualquer apoio é programa, é ideia, é compromisso com agendas que são importantes e estratégicas para o desenvolvimento econômico social e a proteção ambiental.”

Bolsonaro

“Eu acho que neste momento é fundamental que se tenha a compreensão de que o próximo governo não será um governo de um partido, com o programa de um partido. Será um governo de transição do povo brasileiro, com um programa que é daqueles construídos por empresários, trabalhadores, homens, mulheres, pretos, formadores de opinião. Todos estão dispostos a reconstruir o Brasil da guerra que o Bolsonaro faz contra o meio ambiente, a educação, a saúde, a ciência, a tecnologia e a democracia. Acho que é um governo de transição, e é com esse espírito que eu me disponho ao diálogo”, destacou.

Leia a íntegra da longa entrevista de Marina Silva, no Metrópoles.

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