Maia diz que não tem elementos para impeachment de Bolsonaro e que tem “convicção” que ‘pedaladas’ de Dilma foram mais graves

04/08/2020 3 Por Redação Urbs Magna
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Em abril deste ano, o Senador Major Olímpio disse o contrário: “Acusação contra Bolsonaro é mais grave que a feita contra Dilma”

Em entrevista ao Roda Viva na noite desta segunda (03), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que não tem elementos para o impeachment do presidente do Brasil Jair Bolsonaro (sem partido) e que tem ‘convicção’ de que ‘pedaladas’ de Dilma foram mais graves, exatamente o contrário do que declarou o Senador Major Olímpio (PSL-SP) em entrevista publicada no site ‘Congresso em Foco’, no mês de abril deste ano.

Ao Roda Viva, Maia afirmou: “No caso do presidente Bolsonaro, não tenho elementos para tomar uma decisão agora sobre esse assunto. Impeachment é uma coisa que devemos tomar muito cuidado, não pode ser instrumento para solução e crises. Tem que ter um embasamento para essa decisão e não encontro ainda nenhum embasamento legal.”

O Major Olímpio disse em abril que “a acusação contra Bolsonaro é mais grave que a feita contra Dilma. (…) O crime imputado a Dilma, as pedaladas fiscais, foram apenas um pretexto político para tirar a petista do poder“, disse Olímpio na ocasião.

Durante o programa da TV Cultura, Maia disse que não aceita pressão e que as “pedaladas fiscais” da ex-presidente do PT, Dilma Rousseff, foram mais graves que os crimes atribuídos ao atual chefe do Executivo, que já proporcionaram aproximadamente 50 pedidos de impeachment que abarrotam as gavetas do predidente da Câmara.

Voltando a Olímpio, o senador ainda afirmou na entrevista de abril que “se você pegasse seis meses antes do impeachment da Dilma e falasse que ela ia ser impedida, ninguém acreditaria. Pedalada fiscal todos os presidentes fizeram de uma forma ou de outra. Governadores também estão cansados de fazer. Quando houve a ruptura em que o PT e ela disseram para o Eduardo Cunha que ele ia se ferrar sozinho, ele deu andamento à admissibilidade do processo. A partir daí foi questão de tempo”.

Na entrevista ao Roda Viva, Maia afirmou: “Claro que não me arrependi, a questão do impeachment da presidente Dilma estava dado, votei a favor com muita convicção e tenho até hoje essa convicção“.

Em 2016, Dilma Roussef foi inocentada pelo Ministério Público e por uma perícia do Senado. O MP concluiu que a “pedalada” fiscal envolvendo o Plano Safra, um dos motivos que baseiam o pedido de impeachment contra a ex-presidente no Senado, não é operação de crédito, nem crime. A perícia do Senado apontou que Dilma não ‘pedalou’.

“Pela análise dos dados, dos documentos e das informações relativos ao Plano Safra, não foi identificado ato comissivo da Exma. Sra. Presidente da República que tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos”, dizia um trecho do laudo assinado por três técnicos. 

Na TV Cultura, Maia ainda negou que o apoio a uma possível quarentena para ex-juízes que queiram disputar eleições, proposta pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, fosse objetivo para atingir Sergio Moro. O ministro defendeu na semana passada que magistrados e procuradores fiquem inelegíveis por oito anos, caso intencionem eventual candidatura.

O presidente da Câmara também disse que o ministro da Justiça de Bolsonaro, André Mendonça, está em uma situação ruim após a divulgação de que a Secretaria de Operações Integradas, associada à sua pasta, elaborou um relatório secreto de mais de 500 servidores públicos, entre professores e a maioria policiais, com envolvimento nos movimentos antifascistas que surgiram no Brasil em oposição a Bolsonaro.

Assista ao Roda Viva desta segunda com a entrevista a Rodrigo Maia:

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