Lula, “lenda” e “fenômeno ascendente”, como escreve o El País espanhol, diz que Bolsonaro perderá em 2022

07/03/2021 1 Por Redação Urbs Magna

O ex-presidente defende que os 70 % que discordam de Bolsonaro são os mesmos que promoverão a sua derrota na próxima eleição: “São esses 70% que vão garantir a democracia. Quando chegar a hora, eles se pronunciarão”

O jornal espanhol El País enalteceu a figura de Lula:  “é energia em sua forma mais pura. Ele tem 75 anos, superou o câncer, o coronavírus e a prisão e diz que se sente “na casa dos trinta. ( …) Atrás dele estão alguns livros e uma bandeira vermelha do Partido dos Trabalhadores (PT) que, devido a uma estranha corrente de ar, parece mover-se, como em um comício, com quando Lula entra em efervescência. Algo que acontece com frequência”.

“É um fenômeno ascendente”, escreve o El País. (…) com o passar dos minutos solta o tigre político que vive nele. (…) o candidato dos grandes comícios que chegou à presidente (2003-2011) que deu ao Brasil anos de grandeza. (…) apertando o acelerador de um motor que nunca para, o que o levou a se estabelecer como uma lenda, amada e odiada, da esquerda latino-americana”.

Ao jornal, Lula afirmou que “a democracia no Brasil sofreu um acidente por causa do Bolsonaro. (…) Agora mesmo, o Bolsonaro continua fazendo campanha contra a vacina e contra o isolamento. É quase um genocídio. O Brasil não merece isso”.

Sobre como Bolsonaro consegue manter 30% de apoio, Lula diz que o presidente “conseguiu reunir aquela parte da sociedade que é ultraconservadora, que defende a pena de morte e que as pessoas vão armadas para o local de trabalho, que rejeita o negro, os direitos da mulher, o LGTBI, os sindicatos”.

Mas o ex-presidente defende os 70 % que discordam de Bolsonaro. “E são esses 70% que vão garantir a democracia. Quando chegar a hora, eles se pronunciarão”.

Leia as principais palas de Lula ao El País da Espanha:

“Lembro que quando as formações à esquerda do PSOE ganharam a prefeitura [de Madrid], muita gente falava que o PSOE estava acabado. Mas agora é o PSOE que governa a Espanha. O PT continua sendo o maior partido do Brasil, a força política mais organizada. Mas foi vítima de uma grande campanha de destruição. Houve uma conspiração para impedir que Lula voltasse à presidência do Brasil .Muita gente se envolveu em uma mentira, reforçada pela mídia. Agora que se sabe a verdade, como eles vão dizer à sociedade que, durante cinco anos, condenaram um homem inocente?”

Se os partidos de esquerda entenderem que posso representá-los, não tenho problema em fazê-lo. O PT, porém, tem outras opções, como Fernando Haddad e alguns governadores. A única possibilidade de que seja eu, porque não vou disputar com ninguém, é que as pessoas entendam que sou o melhor candidato. Do contrário, ficarei contente em sair às ruas para fazer campanha por um aliado nosso”.

Bolsonaro vai perder as eleições, e a vitória será para alguém progressista, espero que seja o PT. Mas o presidente agora está facilitando a venda de armas, e quem as compra não são os trabalhadores. Para quem o Bolsonaro está vendendo armas? À elite agrícola, aos ex-policiais, à gangue que matou Marielle? Se o PT ganhar as eleições de novo, vamos desarmar o povo e resgatar o humanismo. Só há um remédio para este país: fortalecer a democracia. Estou absolutamente certo de que podemos ganhar as eleições novamente. O que parece impossível hoje será possível amanhã. Este país é poderoso. Eu não quero que a sociedade vote em um Trump ou um troglodita como Bolsonaro nunca mais. As pessoas têm que votar em homens que pensam bem”.

O Lula de hoje não é diferente do Lula de 2003. Tenho mais experiência, estou um pouco mais velho, mas ainda tenho o mesmo desejo e a mesma certeza de que é possível mudar o Brasil. Sonhei que era possível construir um bloco econômico forte na América do Sul. Hoje, já não é possível negociar com a União Europeia. Vamos ser honestos, foi o melhor momento da América Latina. E agora a região deve se convencer de que não pode continuar a ser a parte do mundo com mais desemprego, mais miséria e mais violência”. 

“O Brasil tem que recuperar destaque internacional e é isso que os americanos não querem. Eles não querem competição. Por exemplo, não é aceitável que Trump ameace invadir a Venezuela e que os países europeus reconheçam Juan Guaidó como presidente. Como você pode reconhecer um impostor, que não apareceu nas eleições? A Europa desapareceu da política. Tudo são comissões. Comissões para isso, para aquilo … todos os burocratas. A política deve reassumir seu papel, tomar grandes decisões”.

“Durante minha prisão, foram feitas tentativas para me fazer sair com uma tornozeleira eletrônica. E o que eu disse a eles? Que não troquei minha dignidade pela minha liberdade. Eles estava cientes das mentiras de Moro. Agora é a vez de o Supremo Tribunal votar e decidir”.

“Pela primeira vez, eles enfrentam um político que não tem medo deles porque é inocente. E no dia que o STF tomar essa decisão, eles vão ter que dizer que os outros mentiram, que a Globo mentiu, que toda a imprensa mentiu. Será o momento do perdão. Imagino o dia em que o principal noticiário disser: “Boa noite, hoje queremos pedir desculpas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque acreditamos na mentira de Dallagnol e Moro”. Você acredita que isso é impossível, mas eu acredito que vai acontecer. Não sei se estarei vivo, mas, mesmo que esteja no meu túmulo, vou acordar por alguns segundos de alegria porque, finalmente, a verdade terá vindo à tona”.

“A política está no meu DNA, é uma parte do meu corpo. Quando essa célula deixar de cumprir sua função e eu morrer, vou parar de fazer política. Fora da política, não há saída para a humanidade, para a democracia, para o crescimento econômico e a distribuição da riqueza. Tudo depende da política”.

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