Jornal da Argentina publica artigo de Lula e Fernández sobre integração econômica com o Brasil

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (22/1) para Buenos Aires e, na segunda, estará com Alberto Fernández para assinar aliança estratégica entre os dois países

O Presidente do BrasilLuiz Inácio Lula da Silva (PT), viaja neste domingo (22/1) para Buenos Aires, capital da Argentina, para compromissos na segunda (23/1) e terça-feira (24/1). A comitiva presidencial deve contar com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social).

As agendas previstas são uma oferenda de flores na Plaza San Martín, reunião na Casa Rosada com o presidente Alberto Fernández, encontro com empresários e alguns eventos culturais, como o concerto musical com artistas argentinos e brasileiros no Centro Cultural Kirchner. Lula também participará, na terça-feira (24/1) da 7ª Cúpula de Chefas e Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

O Brasil retornou para a Celac dois anos depois de tê-lo deixado, no governo Jair Bolsonaro. O grupo reúne 33 países da região e tem como proposta intensificar a integração da região. O Brasil foi um dos fundadores, em 2008, durante o segundo mandato de Lula. O retorno a organismos internacionais e a valorização da relação com os países do continente é uma das prioridades do mandato de Lula, já anunciado pelo próprio Presidente e pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), lembra o g1.

Segundo o secretário das Américas, embaixador Michel Arslanian Neto, a escolha de um país da América do Sul para a primeira viagem internacional de Lula busca passar a mensagem de que o Brasil quer retomar os laços com a região. O Planalto diz que diversos temas serão tratados durante a visita, como integração energética, investimentos, meio ambiente, defesa e combate a ilícitos.

Ur artigo dos presidentes da Argentina e do Brasil foi publicado com exclusividade pelo jornal argentino Perfil. No texto, eles detalharam a aliança estratégica que assinarão na segunda-feira (23/1), em Buenos Aires. De acordo com a puglicação, eles defendem a democracia, o Mercosul e a integração econômica. Leia a seguir:

“Duas nações irmãs se encontram novamente. Amanhã nos encontraremos em Buenos Aires para o primeiro encontro presidencial entre Brasil e Argentina em mais de três anos. Em seguida, será realizada a VII Cúpula da Celac, fórum que reúne os 33 países da região da América Latina e Caribe e que, desde o ano passado, está sob a presidência da Argentina. O evento marcará o retorno do Brasil a esse mecanismo de diálogo e consulta regional. Uma relação que nunca deveria ter sido interrompida e que a história da irmandade latino-americana consegue retomar.

Ambos os encontros marcam um novo começo, justamente no ano em que celebraremos o bicentenário de nossas relações diplomáticas. Em Buenos Aires vamos relançar a aliança estratégica bilateral com a reativação de vários espaços de cooperação e diálogo. São múltiplas as áreas em que voltaremos a trabalhar juntos em temas importantes para a qualidade de vida de nossas populações, como combate à fome e à pobreza, saúde, educação, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas e redução de todas as formas de desigualdade. De uma vez por todas, a história será escrita por nossos povos.

Condenamos todas as formas de extremismo antidemocrático e violência política

Vamos fortalecer o papel da sociedade civil, dos governos estaduais e municipais e dos parlamentos como atores dessa aproximação. Sabemos que o sonho de estarmos unidos é agora uma realidade possível.

Os laços entre Argentina e Brasil são baseados na consolidação da paz e da democracia. Queremos a democracia para sempre. Ditadura nunca mais.

Condenamos todas as formas de extremismo antidemocrático e violência política

A reindustrialização de nossas economias merecerá atenção especial, com geração de empregos de qualidade e investimento em inovação. O comércio entre Argentina e Brasil já tem alta participação de produtos industrializados em setores estratégicos. A integração entre nossas cadeias produtivas ajuda a mitigar choques externos, como os ocorridos durante a pandemia. Não podemos depender de fornecedores externos para podermos ter acesso a insumos e bens essenciais ao bem-estar das nossas populações.

Temos um setor privado dinâmico e empreendedor, cuja contribuição para o processo de integração bilateral é cada vez mais necessária. Compartilhamos a firme intenção de estreitar os já sólidos laços comerciais e de investimentos entre nossos países e promoveremos um seminário empresarial no âmbito da visita presidencial.

Nossos países continuarão a desempenhar um papel crítico para a segurança alimentar em um mundo afetado por riscos geopolíticos e graves interrupções nas cadeias de abastecimento. Temos o compromisso de dotar a nossa agricultura e pecuária de elevados padrões de sustentabilidade e de manter elevados níveis de produtividade.

Queremos promover projetos na área das infraestruturas. Um tema central deste novo momento é a integração energética. A interligação eléctrica entre os nossos países já é uma realidade e a integração do gás tem potencial para se tornar um dos projectos estratégicos da relação bilateral, com benefícios duradouros ao nível da atracção de investimento, criação de emprego e ao nível da nossa segurança.

Consolidaremos nossa posição como possuidores de tecnologia nuclear para fins pacíficos, fortalecendo a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares e dando continuidade a projetos ambiciosos como o reator multiuso. Com a reativação do Grupo de Trabalho Conjunto de Cooperação Espacial, vamos colocar satélites em órbita para realizar estudos costeiros e oceanográficos.

A relação fluida e dinâmica entre Brasil e Argentina é essencial para o avanço da integração regional. Junto com nossos parceiros, queremos que o Mercosul constitua uma plataforma para nossa efetiva integração com o mundo, por meio da negociação conjunta de acordos comerciais equilibrados que respondam aos nossos objetivos estratégicos de desenvolvimento.

Pretendemos quebrar as barreiras em nossas trocas, simplificar e modernizar as regras e incentivar o uso de moedas locais. Também decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa.

Decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum

Trabalharemos juntos para resgatar e atualizar a Unasul, com base em seu inegável legado de conquistas. Argentina e Brasil estão firmemente comprometidos em construir uma América do Sul forte, democrática, estável e pacífica.

Precisamos enfrentar um mundo cada vez mais complexo e desafiador e temos ampla convergência na agenda multilateral. Falta uma vontade política efetiva para enfrentar os dilemas atuais e as grandes crises: mudanças climáticas, pandemias, guerras, fome e imigração. A ONU e o G20 devem ajudar a preencher essa lacuna de liderança para provocar mudanças. Ambos os fóruns podem promover agendas inclusivas, sinalizando claramente a atuação de organizações como a OMC, o FMI e o Banco Mundial. Trabalharemos em colaboração pela paz e pelo desenvolvimento.

O mundo mais justo e solidário a que aspiramos só será viável se tivermos coragem de construir juntos o nosso futuro. Esse é o significado estratégico da integração bilateral.

Não há nada mais emancipador do que a irmandade dos povos que vêm desde o alvorecer da nossa história para tomar posse do seu futuro.

* Presidente da Argentina.

** Presidente do Brasil

Na próxima quarta-feira (25), Lula segue em viagem oficial para o Uruguai, onde se encontra com o chefe do Executivo no país, Luis Alberto Lacalle Pou. Em fevereiro, Lula deve ir para os Estados Unidos. Em março, o presidente deve viajar para a China.

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1 comentário em “Jornal da Argentina publica artigo de Lula e Fernández sobre integração econômica com o Brasil”

  1. A extrema-direita (também a “mera” direita!) é, em seu cerne, escravagista.
    Daí merecer a execração (ainda que conseqüência da sabotagem à Educação, Cultura e Politização das “massas”) o tal do ‘pobre-de-direita’.
    Que tenhamos a clareza de / para, desta vez”!, aproveitarmos a oportunidade à Liberdade!

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