Jornal chinês diz que EUA viverão “pesadelo”, caso insistam com provocações à China e Rússia

12/05/2021 0 Por Redação Urbs Magna
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, caminham após a foto de família de líderes das economias emergentes do BRICS no palácio do Itamaraty em Brasília, Brasil, quinta-feira, 14 de novembro de 2019
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, caminham após foto oficial de líderes das economias emergentes do BRICS no palácio do Itamaraty, Brasília, em novembro de 2019 | Foto de Eraldo Pereso

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, recentemente caracterizou as relações de Moscou com Pequim como “as melhores de toda a sua história“, com o Ministério das Relações Exteriores chinês anunciando no mês passado que os dois países desfrutam de uma “parceria abrangente” e que “se apoiariam em questões de proteção do Estado Soberano“.

O jornal Global Times, do governo chinês, alinhado ao Partido Comunista, publicou dois editoriais alertando os EUA e seus aliados para não provocarem agressão contra Moscou e Pequim sugerindo que as duas nações são, agora, significativamente mais fortes do que o antigo Bloco de Leste.

De acordo com o Sputnik News, a publicação da mídia chinesa afirma que o poder combinado de seu país e a Rússia é muito maior do que o do antigo bloco União Soviética-Europa Oriental. A força econômica, científica e militar da China e da Rússia não é apenas enorme em escala, mas também tem implicações mais amplas para todo o mundo. 

Se alguém tentar passar por cima deste fato estará forçando a China e a Rússia a unir forças em uma luta desesperada, que deverá ser o seu pesadelo, diz editorial do último dia 5.

Advertindo Washington que seu “jogo estratégico com fogo” fracassaria, o jornal destacou que Moscou e China se comportam de forma “estrategicamente contida” e “estão comprometidos em defender” a Carta das Nações Unidas e uma “ordem internacional baseada no direito internacional”.

O artigo prossegue sugerindo que a razão pela qual as elites dos EUA buscaram isolar a China e a Rússia e excluí-las de um novo sistema internacional dominado pelo Ocidente é porque elas “reconheceram ou anteciparam o envelhecimento e o declínio da competitividade do modo americano e ocidental de governança” e procuram simplesmente descartar concorrentes em potencial.

O jornal enfatizou que embora a Rússia e a China tenham resistido à criação de uma aliança militar formal, “quanto mais os países ocidentais fortalecerem sua aliança antagônica” contra eles, mais eles “estarão inclinados a lidar com ela em conjunto. Esta é a regra básica da política”.

segundo editorial , publicado em 6 de maio, enfocou o comunicado emitido pelos ministros das Relações Exteriores do G7 após sua reunião em Londres, sugerindo que “entre vários tópicos sem substância, China e Rússia eram o verdadeiro foco” das negociações.

Admitindo que os Estados Unidos continuam a ser o país mais poderoso do mundo “em termos de força abrangente” e capacidade de forçar os países a se curvarem à sua vontade, o Global Times argumenta que o “problema” de Washington é que é “muito ganancioso“, com seu desejo de hegemonia total superando suas capacidades reais e causando uma “sensação de crise e confusão sem precedentes“.

O editorial sugere que as tentativas de Washington de reunir aliados para confrontar a Rússia e a China simultaneamente falham porque “fazer isso é quase equivalente a um suicídio estratégico” e que, ao contrário da tentativa de maior unidade ocidental, comparável às “últimas gotas de água em um esponja”, a cooperação russo-chinesa é essa “esponja” que “acaba de ser totalmente encharcada de água”.

China e Rússia poderiam fazer mais coordenação diplomática na oposição à hegemonia e tomar medidas contra as tentativas dos EUA de fortalecer alianças. Os dois também podem explorar o enorme potencial de complementaridade econômica. Além disso, os dois países estão apenas começando a se aproximar militarmente, se necessário, pode haver muita cooperação que pode causar choques”, destaca o editorial.

Oferecendo conselhos aos líderes em Moscou e Pequim, o jornal argumenta que “contanto que a China e a Rússia não cometam erros, façam bem as suas próprias coisas, reforcem a coordenação estratégica abrangente entre si e aprofundem continuamente a integração com o mundo“, os EUA não serão capazes de realizar sua ambição de “replicar” sua vitória na Guerra Fria.

O par de editoriais surge em meio ao fortalecimento contínuo dos laços Rússia-China, demonstrado no mês passado quando Pequim expressou o compromisso de aumentar ainda mais a cooperação com seus colegas russos, enquanto Washington e seus aliados intensificavam sua guerra de sanções contra eles. Washington impôs novas restrições importantes à Rússia no mês passado em meio a novas alegações infundadas de intromissão e invasão eleitoral, e os EUA e seus aliados atacaram a China com sanções no início deste ano pelo alegado “genocídio” em Xinjiang. Pequim denunciou as alegações de “genocídio” e apontou os momentos desagradáveis ​​da própria história de muitas nações ocidentais contra aborígenes, escravos africanos e outros. O ex-presidente Donald Trump havia prometido, durante a campanha de 2016, tentar melhorar as relações com Moscou, mas ficou atolado nas reivindicações de Russiagate por quase toda a sua presidência.

Trump recentemente atacou o governo Biden por empurrar a Rússia e a China nos braços uma da outra ao se antagonizar continuamente ambos os países, sugerindo que “a pior coisa que você poderia fazer é juntar China e Rússia, e eles ficarão juntos”.

Trump acrescentou que suspeitava que Washington podesse estar exacerbando deliberadamente os conflitos na Ucrânia e em Taiwan, dizendo que nenhuma das questões foi um grande problema quando ele era presidente.

Em março, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou que os EUA precisariam ser capazes de agir contra a China “com uma posição de força” e instou os aliados de seu país a cerrar fileiras para lidar com os “desafios” colocados tanto pela China quanto pela Rússia.


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