Integrantes do MBL presos movimentavam “cifras ocultas” para o Movimento que nasceu para derrubar Dilma

10/07/2020 2 Por Redação Urbs Magna

Desvio de dinheiro, lavagem e ocultação de patrimônio estão entre as acusações do Ministério Público de São Paulo

De acordo com o MPSP, dois membros do MBL, movimento que surgiu em 2014 suspeito de financiamento por empresários para o golpe do Impeachment de Dilma Rousseff e que apoiou Bolsonaro em 2018, foram presos na manhã desta sexta-feira, em São Paulo, em operação da Polícia Civil, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo em ação de investigação que apura o desvio de mais de R$ 400 milhões de empresas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O MPSP diz que o MBL recebia “doações de forma suspeita” por meio de “cifras ocultas” em uma “confusão jurídica empresarial” com o MRL (Movimento Renovação Liberal).

Cerca de 35 policiais civis do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) e 16 viaturas participam da operação.

Foram presos Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, o Luciano Ayan das redes sociais. Eles são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas“, afirma o MP em nota.

Kim Kataguiri (DEM-SP) confirmou a busca e apreensão na sede do grupo, mas negou que os detidos sejam membros do MBL.

Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento. Uma notícia veiculada de maneira errônea por um portal criou tal confusão“, diz o deputado.

De acordo como o Valor Econômico, Alessander Monaco Ferreira mantém cargo no governo João Doria (PSDB), em informação do (MP-SP). “Ferreira apresentou movimentação financeira incompatível com sua renda e “solicitou emprego e foi contratado pelo governo do Estado de São Paulo para trabalhar na Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado (Cada) justamente um cargo que tem função de gerenciar tarefas de eliminação de documentos públicos, de informações relativas ao recolhimento de documentos de guarda permanente produzidos pela administração pública”, diz nota enviada pelo MP-SP sobre a operação“, conforme publicou a mídia do Grupo Globo.

Segundo a promotoria, Afonso também teria feito ameaças a pessoas que questionaram as finanças do MBL e disseminaria fake news. Ele também seria sócio de contas de “passagem”, usadas para ocultar movimentações financeiras, conforme os investigadores.

Em 2019, o coordenador nacional do Movimento, Renan Santos, admitiu culpa por polarização no país e exagero em sua agressividade retórica ao reconhecer, em reportagem para a Folha de São Paulo, que ele e seus colegas abriram “a caixa de Pandora de um discurso polarizado”. 

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