Gilmar culpa Sergio Moro pelo caos Bolsonaro e diz que a Lava Jato foi projeto político por dinheiro

Em entrevista a jornal, ministro do STF diz que está “absolutamente convicto disso, de que havia um projeto de poder”

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes responsabilizou o ex-juiz Sergio Moro pelo caos que o país vive hoje. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o magistrado afirmou que está “absolutamente convicto” que na Lava Jato “havia um projeto de poder” de pessoas que tinham “apreço por dinheiro”.

Para o magistrado, a partir do momento em que Moro assumiu como ministro da Justiça o país passou a viver “aquele quadro de manifestações, de “eu autorizo, eu delego”, o que foi interpretado como “eu autorizo que feche o Supremo”.

O ministro opina que a instauração do “inquérito das fake news“, com uma “postura firme do seu relator, o ministro Alexandre de Moraes“, foi essencial para evitar “desdobramentos muito ruins, graves“.

“… está longe de Curitiba ser o grande centro de liderança intelectual do Brasil“, afirma Gilmar Mendes em outro trecho da entrevista. “Não obstante, Curitiba passou a pautar-nos. Tinha normas que praticamente proibiam o habeas corpus. Normas tão radicais quanto a do AI-5“, afirmou o ministro, referindo-se à Lava Jato.

O ministro Teori (Zavascki) passou a glosar vários acordos que dizia que pagariam 20% para o Ministério Público. Passaram a pensar num fundo e chegaram àquela Fundação Dallagnol, a fundação que recebeu R$ 2,5 bilhões, uma fundação privada de direito público que se dedicaria a fazer educação contra a corrupção. R$ 2,5 bilhões correspondem a metade do Fundo Eleitoral previsto. Era um projeto, obviamente, político“, disse Gilmar Mendes.

Em sua extensa crítica à operação que Moro liderou no Sul do país, Mendes lembra as subsequentes “revelações da Vaza-Jato, um jogo combinado: denúncias que eram submetidas antes ao juiz. Aquilo saiu do status de maior operação de combate à corrupção para o maior escândalo judicial do mundo“.

Mais do que um projeto político, a Lava-Jato era um projeto político de viés totalitário: uso de prisão para obter delação e cobrança para que determinadas pessoas fossem delatadas“, afirmou o ministro.

… as práticas da Lava-Jato não têm nada a ver com o Estado de direito, são práticas totalitárias. Se a gente tivesse falando da Rússia soviética, era o normal. Mas isso passou-se a fazer a aqui“, disse Mendes.

A Lava-Jato é pai e mãe desta situação política a que chegamos. Na medida em que você elimina as forças políticas tradicionais, se dá ensejo ao surgimentoa política, como tudo no mundo, detesta vácuode novas forças. A Lava-Jato praticamente destruiu o sistema político brasileiro, os quadros representativos foram atingidos. O Brasil produziu uma situação muito estranha. Além de sede de poder, veja que todos hoje são candidatos. Moro é candidato, a mulher é candidata, Dallagnol é candidato“, disse o ministro.

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