Folha diz que Lula terá direitos políticos após suspeição justa de Moro

27/02/2021 0 Por Redação Urbs Magna

Apesar da previsão, e ainda que todas as revelações das mensagens hackeadas contendo conversas entre procuradores e o ex-juiz apontem para a ficção de enredo contra o ex-presidente, editorial fala em não abrir espaço à sua impunidade, mas sem mencionar a de outros

O jornal Folha de S. Paulo publicou editorial neste sábado (27) em cujo texto aborda a evidência de que Lula “não teve um julgamento imparcial no caso do ‘famigerado‘ apartamento de Guarujá” devido “uma proximidade inaceitável entre magistrado e acusadores [da operação Lava Jato em Curitiba], o que é razão suficiente para a suspeição”. Os redatores escrevem que “à medida que mais mensagens vão sendo examinadas, mais heterodoxias vão sendo descobertas”:

“É particularmente chocante o diálogo entre dois procuradores debatendo o que devem fazer diante da informação de que uma delegada da Polícia Federal havia lavrado termo de depoimento de testemunha que não fora ouvida”, diz o editorial.

O jornal lembra que devido ao fato das gravações resultarem de uma invasão ilegal a celulares elas não podem ser empregadas como prova para incriminar a Lava Jato, mas podem ser usadas pelas defesas de réus para pleitear nulidades.

Neste sentido, a Folha afirma que “cabe a tribunais e particularmente ao STF ser criteriosos na decretação de nulidades” acrescentando que “não parece impossível” estendê-las “automaticamente a todas as provas produzidas e a outros processos envolvendo o ex-presidente e outros réus”, mas faz questão de frisar, desnecessariamente, que “o do sítio de Atibaia (SP) já rendeu condenação no TRF-4”.

A partir deste ponto, o jornal conduz à ideia de que grandes esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato “eram terrivelmente reais”, com “bilhões de reais desviados recuperados e dezenas de envolvidos confessaram seus crimes e grande parte das condenações foi confirmada por instâncias superiores” destacando no parágrafo seguinte que “isso também vale para Lula” e que “o caso do apartamento merece, claramente, o escrutínio da Justiça”.

Após o ataque ao ex-presidente, o editorial tenta transmitir a sensação falsa de que o país vive sem corrupção ao pontuar afirmando que “o Brasil pós-Lava Jato corre o risco de retornar ao velho padrão de impunidade, no qual vistosas operações contra a corrupção se perdem nos escaninhos do Judiciário”.

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