Fim do salário mensal: 50% serão pagos por hora, caso proposta passe no Congresso

13/08/2020 4 Por Redação Urbs Magna
Compartilhe

Metade dos empregados de empresas de saneamento já teriam seus pagamentos realizados com o modelo do novo projeto de precarização do trabalho

O governo quer lentamente dar fim ao pagamento mensal dos trabalhadores do Brasil substituindo-o pelo pagamento por hora. No novo projeto, 50% dos empregados das empresas teriam que ter seus contratos com o modelo proposto. O setor do saneamento já largaria na frente, com metade dos empregados já incluídos neste programa de precarização proposta pelo Governo Federal via carteira verde e amarela. Para o Governo isso vai incentivar a criação de empregos.

O projeto que deve ser enviado ao Congresso prevê uma implantação gradual: no primeiro ano, as empresas poderiam ter 10% dos empregados contratados pelo regime de pagamento por hora trabalhada. No segundo ano, 20% e, no terceiro, 30%. Empresas de saneamento seriam exceção e já começariam com 50% no primeiro ano. A exceção para a área de saneamento ocorre após a aprovação de novas regras do setor que permitem privatização ampla.

Especialistas dizem que a medida pode criar empregos, mas causar a demissão dos trabalhadores atuais, porque os outros seriam mais baratos, segundo as informações de Antonio Temóteo.

A Carteira Verde Amarela foi aprovada pela Câmara em 14 de abril deste ano e piora a crise econômica, precariza relações do trabalho, permite demissões e vai aprofundar a crise econômica prejudicando a retomada do crescimento, pós pandemia da Covid 19, de acordo com avaliação da técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subseção / CUT, Adriana Marcolino, e do presidente da CUT, Sérgio Nobre, em publicação no site da Central.

Os deputados que aprovaram a MP se valeram de um argumento mentiroso de que vai gerar empregos, assim como a reforma Trabalhista, não gerou, a carteira verde e amarela também não vai gerar. O que gera emprego é investimento público, de estatais e, é isto que o governo federal precisa fazer neste momento, e nos próximos anos para retomar o crescimento e sairmos desta crise“, disse Sérgio Nobre na ocasião.

O que ocorre é o aprofundamento da reforma trabalhista de Michel Temer, que na época disse que o país ia gerar mais de 6 milhões de postos de trabalho, o que não aconteceu. Foram alterados mais de 200 itens da Consolidação das Leis trabalhistas (CLT), a renda foi reduzida, direitos conquistados foram extintos e o emprego não veio. Mas Guedes continua defendendo o modelo neoliberal de que, sem a obrigação de pagar direitos trabalhistas, os patrões vão contratar mais.

O ministro da Economia diz que a nova proposta incluirá no mercado de trabalho os 38 milhões de brasileiros  que fazem bicos porque não conseguiram empregos formais, com carteira assinada. Será definido um valor mínimo por hora trabalhada, com base no salário mínimo, permitindo que o trabalhador assine um contrato contínuo e sem intervalos, ou seja, ele vai trabalhar por mês, mas ganhar por hora trabalhada. Os valores das férias remuneradas, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deverão ser proporcionais as horas trabalhadas.

Telegram: Acesse e SIGA NOSSO CANAL

Comente com o Face ou utilize a outra seção abaixo. Os comentários são de responsabilidade do autor e não têm vínculo com a publicação. Mantenha um bom nível de discussão, do contrário reservamo-nos o direito de banir seus perfis.
Compartilhe