Empresários admitem a volta de Lula – O fim da ‘Era Bolsonaro’ está próximo

05/03/2021 0 Por Redação Urbs Magna

O atual presidente do Brasil se depara com a grande primeira previsão de sua derrota: a popularidade de Lula em ascensão nas redes sociais e as frequentes pesquisas de seu nome em buscadores de internet, apontadas por consultoria de ranking digital

Lula palestra, em 2015, para comitiva de empresários franceses na residência consular da França, em São Paulo | Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


05/03/2021 – 17:35GMT
THAÍS OYAMA

A notícia da queda de popularidade de Jair Bolsonaro nas redes sociais só não é pior para ele do que a notícia da subida do nome do ex-presidente Lula nas mesmas plataformas.

O ranking digital da consultoria Quaest varia em uma escala de 0 a 100, sendo 100 a popularidade máxima. Segundo esse ranking, Bolsonaro, que no ano passado oscilou em torno dos 80 pontos, desabou para 62,3. Está agora a apenas 6,4 pontos de distância de Lula —o petista aparece com 55,9.

Esse sobe-desce identificado pela consultoria, envolvendo os nomes do atual presidente e do ex, não é coisa apenas do Twitter e do Facebook.

Na segunda-feira passada, um deputado federal em visita a São Paulo ouviu num círculo de empresários um grande banqueiro fazer duras críticas a Bolsonaro. Ao lado dele, o CEO de uma empresa, espantado com a contundência do julgamento, perguntou o que o amigo queria dizer com tudo aquilo. A resposta do banqueiro surpreendeu o CEO e o deputado: “O que eu quero dizer é que, hoje, entre Bolsonaro e o demônio, eu voto no demônio”.

Desnecessário explicar que o “demônio” era Lula.

“O mercado desapegou de Bolsonaro”, concluiu o parlamentar. “É o tipo de movimento que acontece quando uma crise desce da consciência para o bolso”, afirmou.

Em 2015, Lula foi colhido em meio ao turbilhão do mensalão. Mas a suspeita de que o presidente da República e seu partido estavam envolvidos num dos maiores escândalos de corrupção do Brasil pouco abalou a popularidade do petista — a economia ia bem e a inflação estava sob controle.

Agora, o inverso se pode dizer de Bolsonaro.

O presidente age como Nero em meio ao incêndio da pandemia e seu filho Flavio, réu no STF por acusação de desvio de dinheiro público, compra uma mansão de quase 6 milhões de reais. Mas o mercado começa a tomar distância do ex-capitão não porque descobriu subitamente quem ele é, mas porque, com a crise da Petrobras e os mares revoltos da economia, farejou uma guinada intervencionista no ar e sabe onde ela pode parar.

Em outras palavras, a consciência desceu para o bolso.

E o demônio começa a não parecer tão feio assim.

** Alguns elementos contidos neste texto não refletem, necessariamente, a opinião do UrbsMagna

Comente com o Face ou utilize a outra seção abaixo. Os comentários são de responsabilidade do autor e não têm vínculo com a publicação. Mantenha um bom nível de discussão, do contrário reservamo-nos o direito de banir seus perfis.