Em nota, PT denuncia ‘bloqueio ilegal’ das contas do advogado de Lula

20/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna

Ataque à reputação de Zanin se deve à denúncia e comprovação dos “métodos criminosos da Lava Jato de Curitiba”, apontam dirigentes da legenda

Em decisão proferida no dia 1 de setembro pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, no âmbito da Operação E$quema S, que apura tráfico de influência e desvios do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) e Federação do Comércio (Fecomércio RJ), a qual foi tornada pública somente neste sábado (19), o advogado criminalista Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula, teve um patrimônio de R$ 237,3 milhões em bens bloqueados.

Bretas disse que…

… “o escritório de Zanin e seu associado, Roberto Teixeira, foi ‘o precursor no recebimento de honorários advocatícios exorbitantes pagos pela Fecomércio/RJ em prol de interesses particulares de Orlando Diniz [ex-presidente da federação e hoje delator]”.

“Prática que, em tese foi replicada pelos demais escritórios ora investigadores, formando um verdadeiro grupo criminoso voltado supostamente para o cometimento dos delitos de peculato, corrupção ativa, tráfico de influência e exploração de prestígio, tudo sob o manto do exercício da advocacia”, afirmou Bretas.

“Os advogados tinham ciência, a princípio, de que estavam sendo pagos pela Fecomércio e, posteriormente, com verba pública das entidades paraestatais para atuar em favor de Orlando Diniz”.

Teixeira participaram de uma reunião com Orlando Diniz no início de 2012, no Copacabana Palace, no Rio, e que, segundo o delator, ‘ficou claro que tais advogados iriam garantir’ sua permanência à frente do Sesc Rio enquanto se burlava fiscalizações de conselheiros fiscais e do Tribunal de Contas da União (TCU)“.


Marcelo Bretas

Zanin diz que a atitude é ‘mirabolante’ e uma ‘clara tentativa’ de enfraquecê-lo nos processos da Lava Jato:

Na desesperada tentativa de criar manchetes e produzir efeitos políticos, o juiz fixou o valor do bloqueio mediante uma descabida somatória de valores de diferentes escritórios de advocacia e ainda adicionou exorbitante valor a título de ‘dano moral’, que ele mesmo estipulou, o que mostra um absurdo sem precedentes”, afirmou Zanin conforme publicou o Estadão neste domingo (20).

“Clara tentativa de me enfraquecer em processos decisivos que estão sob a minha condução e que contestam a legalidade da própria Operação Lava Jato, em especial, aquele que trata da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro”.

“Todo esse material já foi examinado por auditoria externa, que atestou a plena regularidade da contratação, do recebimento dos honorários e, ainda, que nenhum valor foi sacado ou transferido em favor de terceiros”.

Os serviços prestados à Fecomercio-RJ estão amplamente documentados, registrados nos nossos sistemas internos e mostram mais de 12 mil horas de trabalho prestadas por 77 profissionais da área jurídica”.


Cristiano Zanin Martins

Cristiano Zanin ainda emitiu uma nota:

“É mentirosa a afirmação de que houve o bloqueio de R$ 237 milhões da minha conta bancária. Não tenho esse valor, embora pudesse ter, já que a minha atuação sempre foi na advocacia privada.

A mirabolante decisão foi proferida em mais uma clara tentativa de macular minha história de mais de 20 anos na advocacia privada em litígios decisivos e também consiste numa clara tentativa de me enfraquecer em processos decisivos que estão sob a minha condução e que contestam a legalidade da própria Operação Lava Jato, em especial, aquele que trata da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.

Na desesperada tentativa de criar manchetes e produzir efeitos políticos, o juiz fixou o valor do bloqueio mediante uma descabida somatória de valores de diferentes escritórios de advocacia e ainda adicionou exorbitante valor a título de “dano moral”, que ele mesmo estipulou, o que mostra um absurdo sem precedentes.

Nossa atuação sempre foi pautada pela ética e pela legalidade. Os serviços advocatícios que prestamos em favor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, uma entidade privada, estão amplamente documentados, registrados nos nossos sistemas internos e mostram mais de 12 mil horas de trabalho prestadas por 77 profissionais da área jurídica, além do suporte administrativo. Todo esse material já foi examinado por auditoria externa, que atestou a plena regularidade da contratação, do recebimento dos honorários e, ainda, que nenhum valor foi sacado ou transferido em favor de terceiros”.


Cristiano Zanin Martins

O Partido dos Trabalhadores também emitiu nota:

O bloqueio ilegal das contas bancárias do escritório de advocacia que faz a defesa do ex-presidente Lula, decretado e vazado arbitrariamente pelo juiz Marcelo Bretas, é um dos mais degradantes exemplos de partidarização do sistema judicial entre as inúmeras violações e crimes já cometidos no âmbito da Lava Jato, que o bolsonarista Bretas comanda no Rio de Janeiro.

A medida absurda é mais um ataque à reputação do advogado Cristiano Zanin Martins, por ter denunciado e comprovado os métodos criminosos da Lava Jato de Curitiba. A atuação profissional correta e corajosa de Zanin, à frente da defesa de Lula, expôs ao mundo a prática do lawfare, o conluio ilegal e a parcialidade de Sergio Moro e dos procuradores na operação.

As denúncias de Zanin e sua equipe foram consideradas no âmbito do Comitê de Direitos Humanos da ONU, vieram a ser confirmadas pelas mensagens da chamada Vaza Jato, levaram os órgãos de controle do Ministério Público a, mesmo tardiamente, censurar os procuradores e, neste momento, aguardam julgamento de habeas corpus pela suspeição de Moro e dos procuradores no STF.

É neste momento crucial para a demonstração da inocência de Lula que o juiz Bretas desfecha seu ataque, com acusações forjadas contra Zanin e seus sócios, valendo-se do banditismo judicial que virou método da Lava Jato: falsa denúncia, invasão de escritórios de advocacias, buscas espetaculares e bloqueio de recursos para asfixiar financeiramente seus alvos.

Não foi por acaso também que Bretas, antes de apelar ao bloqueio de contas bancárias, mandou invadir e apreender no escritório e na residência de Zanin a cópia dos acordos de leniência firmados secretamente com a Odebrecht e as gravações de telefonemas de Lula que Moro escondeu do STF. São documentos que a Lava Jato escondeu obstinadamente, porque são provas contundentes dos crimes da Operação.

Da mesma forma que Moro, ao perseguir Lula, expôs sua mtivação politica, Marcelo Bretas sequer tenta difarçar seu apoio a Bolsonaro, pelo qual acaba de ser punido disciplinarmente. Caricatura de Moro, Bretas ataca a defesa do ex-presidente para servir aos mesmos interesses antidemocráticos.

PT está solidário ao advogado Cristiano Zanin Martins e conclama os democratas e toda a sociedade a repudiar mais esse ataque ao estado de direito em nosso país.

Brasília, 20 de setembro de 2020

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Paulo Teixeira, secretário-geral do PT
Enio Verri, líder do PT na Câmara dos Deputados
Rogério Carvalho, líder do PT no Senado Federal


Partido dos Trabalhadores
Comente com o Face ou utilize a outra seção abaixo. Os comentários são de responsabilidade do autor e não têm vínculo com a publicação. Mantenha um bom nível de discussão, do contrário reservamo-nos o direito de banir seus perfis.