Em ‘Ensaio sobre a Imbecilidade’, advogado sugere uso da ‘Psicologia Jurídica’ contra o bolsonarismo

10/08/2020 1 Por Redação Urbs Magna
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“O imbecil não pensa, não avalia o mundo, suas transformações e os aspectos artísticos, intelectuais e científicos” – Ortega y Gasset

Com seu artigo intitulado ‘Um ensaio sobre a imbecilidade: o Brasil atual e a leitura de Ortega y Gasset‘, publicado na seção ‘Ensaios‘ do portal ‘Revista Bula‘, o advogado Rodrigo Ribeiro Pereira fala sobre as “pessoas de fácil sugestionabilidade”, os imbecis, que por assim serem recebem naturalmente a influência dos “portadores de [uma] outra patologia”: os paranóicos. E como referência, cita um jurista italiano que viveu no século 20, Enrico Altavilla, especialista da psicologia jurídica¹, que dizia: “Cada paranóico que se tem passado por profeta, inventor ou coisa parecida, tem sempre conseguido arrastar alguns imbecis na órbita do seu delírio”.

A ¹psicologia jurídica estuda principalmente a experiência pessoal – o perfil psicológico – das pessoas envolvidas com a finalidade de coletar dados comportamentais e submetê-los ao escrutínio² da autoridade judiciária responsável pelo processo civil ou criminal, ou seja, ²para uma análise minuciosa de personalidades psicológicas com o fim da compreensão mais dinamizada possível (neste caso, a longo prazo), especialmente quando o histórico comportamental de uma sociedade dá sinais negativos de evolução e progresso.

Percebe-se, até aqui, que o artigo de Ribeiro Pereira no portal tem a intenção de envolver o bolsonarismo que, para os milhões de estudiosos e intelectuais espalhados pelo mundo, ou mesmo pessoas com boa cognição, todos antenados com os fatos, surpreendeu o Brasil imediatamente após o país ter demonstrado que a transformação econômica, social e moral de seu povo seria definitivamente enraizada no planeta sob o status de uma nação invejavelmente próspera.

Ribeiro Pereira também cita Ortega y Gasset, ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid, amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século 20, argumentando que, “passados quase 90 anos, muito se escreveu sobre esse comportamento humano, mas é hora de analisá-lo frente à realidade do Brasil de hoje.

O advogado diz que, “ainda na Espanha no início do século 20″, Gasset “relatou sua angústia e tomento com a experiência de entrar em contato com a imbecilidade e, perplexo, se perguntava o porquê de não haver um estudo sobre esse fenômeno… um “ensaio sobre a imbecilidade”.

Para o filósofo espanhol”, escreve Rodrigo Ribeiro Pereira, “a civilização só chegou a determinado estado de desenvolvimento social, científico, econômico e industrial porque foi liderada, na maioria das vezes, por personalidades que respeitaram o conhecimento histórico, que nada mais é do que a soma de valores, princípios e saber acumulados pelo ser humano em sua trajetória. Destaca que os imbecis sempre existiram, estavam sempre presentes, mas não tinham qualquer papel fundamental na sociedade: eram desprezados. Não se trata, ele explica, de fenômeno que tenha por origem qualquer diferenciação social ou econômica. O que diferencia os homens e os imbecis, segundo sustenta, é o espírito: para ele, há categoria de homens e mulheres que se exigem muito e acumulam sobre si dificuldades, deveres e insegurança e começam a “olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza, pois todo mundo é estranho e maravilhoso para as pupilas bem abertas”.

Ribeiro Pereira prossegue: “Essa categoria de pessoas, explica o filosofo, constitui um grupo em constante estado de alerta para os fenômenos da vida, da cultura, da arte, da ciência e do conhecimento: “todo aquele que se colocar diante da existência em uma atitude séria, e se fizer plenamente responsável por ela, sentirá certo tipo de insegurança que lhe incita a permanecer alerta”. Não é por outra razão que Albert Einstein, um exemplo de homem com esse espírito, deixou registrado: “o mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece essa sensação, ou não pode mais experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram”.

O ser humano [que pensa] que sabe tudo, opina sobre tudo e tem razão em tudo

O advogado inicia uma incisão para introdução do tema na sociedade do Brasil atual: “Há, por outro lado, as massas, representadas pelo homem médio, aquele que é “herdeiro de um passado imenso e genial, em inspiração e esforços”, mas não aprendeu qualquer lição ou experiência do passado e não tem, portanto, qualquer comprometimento com os avanços da civilização. Essa ausência de comprometimento com valores, ideias e com o próprio conhecimento histórico e científico gerou um ser humano bastante curioso: cioso da sua completude, não busca maiores explicações para aquilo que não conhece. Surge, nesses casos, o ideal do homem médio, que compõe as massas: é o ser humano que sabe tudo, opina sobre tudo e tem razão em tudo”.

Leia a continuação do excelente artigo do advogado no portal Revista Bula

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