Eduardo e Carlos Bolsonaro são intimados pela Polícia Federal a depor sobre atos antidemocráticos

16/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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A Polícia Federal intimou os filhos do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, a deporem como testemunhas no inquérito que investiga os atos antidemocráticos.

De acordo com a CNN, a autora da intimação é a delegada da PF Denisse Dias Rosas Ribeiro, responsável pelas investigações, e as oitivas ocorrem em um momento em que os investigadores avançam para apurar a chamada monetização destes atos. A linha de investigação busca apurar esquema de financiamento e até mesmo lavagem de dinheiro na organização.

Na sexta-feira (11), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, disse que as milícias digitais envolvidas no inquérito das fake news estão fazendo grande lavagem de dinheiro.

“Não tem nenhuma dúvida, e obviamente a Polícia Federal vem fazendo esse cruzamento de que as redes, essas milícias digitais, estão sendo usadas para uma grande lavagem de dinheiro“, disse Moraes.

O ministro também disse que as milícias digitais são como um exército de comunicação com o público, neste caso com o eleitorado, que é o foco de interesse em sua atuação.

Essa lavagem de dinheiro acaba também permitindo que se faça um exército midiático que pode influenciar muito negativamente em relação ao próprio equilíbrio democrático, disse o ministro.

Também nos autos do inquérito, a Procuradoria-Geral da República atua para limitar os investigados e evitar se chegar ao entorno presidencial.

Em uma petição de 11 páginas assinada no dia 27 de agosto pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jaques, braço-direito de Augusto Aras, a PGR deixa claro que nem o presidente Jair Bolsonaro nem assessores próximos a família presidencial devem ser investigados por ora.

“Ao ofendido ou a quem o representa legalmente, é permitido indicar providências suscetíveis de fornecer os elementos de prova que faltam para a elucidação do caso. Ao imputado, igualmente, é conferida a possibilidade de promover, desde logo, os dados capazes de ilidir a acusação, pedindo qualquer diligência que considere útil aos interesses da própria defesa. Em um ou outro caso, no entanto, as diligências pedidas só serão deferidas caso satisfaçam critérios de conformidade e oportunidade estabelecidos, em última análise, pela autoridade que detém a titularidade da ação penal”, disse a PGR. E conclui manifestando-se “contrariamente aos pedidos formulados por terceiros allheios às apurações, de inclusão dos investigados e de sugestão de diligências a serem realizadas”.

O ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito, não se manifestou ainda sobre a posição da PGR.  A investigação, porém, avança sobre a monetização. Em despacho recente, a delega da Polícia Federal que conduz a investigação pelo órgão, Denisse Dias Ribeiro, pede a Alexandre de Moraes diligências contra o Foco do Brasil, um dos principais canais conservadores do país e que transmitiu ao vivo os atos no dia 19 de abril deste ano. Foram esses atos que motivaram a abertura do inquérito.

“Identificou-se que o Foco do Brasil monetizou, entre março de 2019 e maio de 2020, o montante de US 330.887, dados que reforçam a necessidade de realização de ação de busca e apreensão no local”. O valor ultrapassa R$ 1,5 milhão. O mandado foi autorizado por Alexandre de Moraes.

Segundo a CNN, Eduardo e Carlos Bolsonaro foram procurados e não quiseram se manifestar.

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