“Deus, que merda eu fiz?”, diz colunista da ISTOÉ por seu voto no “energúmeno”

17/03/2021 0 Por Redação Urbs Magna

Assim referiu-se ao Presidente o jornalista Ricardo Kertzman em autocrítica e pedido de perdão por seu comportamento de manada em 2018 que, “como milhões de brasileiros”, por “ojeriza ao lulopetismo fingiu que Bolsonaro era melhor que Haddad” – LEIA os principais trechos:

“Deus, o que fizemos? Que erro terrível cometi com Bolsonaro. Perdão” – Por Ricardo Kertzman na IstoÉ

Ao pensar no meu voto no segundo turno da eleição presidencial de 2018, me ocorreu a frase: “Deus, o que fizemos”? Na verdade, eu pensei: Deus, o que (que merda) eu fiz?

No primeiro turno votei em Henrique Meirelles. No segundo, com os olhos fechados e o nariz tampado, pedi para minha filha, então com 12 anos, apertar o 1 e o 7, pois não tive coragem.

Minha ojeriza ao lulopetismo e a tudo o que ele representa me fez, assim como a milhões de outros brasileiros, fingir que Jair Bolsonaro era melhor, senão menos pior, do que Haddad.

No começo do governo, diante uma boa formação ministerial e alguns acertos, até cheguei a elogiar o atual erdugo do Planalto – e a criticar o excesso de má vontade da imprensa.

Contudo, a partir dos desatinos subsequentes, e sobretudo após o desembarque do maldito novo coronavírus no País, o que já não era doce se tornou amargo; um féu intragável.

O amigão do Queiroz, pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais, é um dos maiores erros da minha vida. E olhem que a concorrência é grande e variada.

Minha “treta” com Bolsonaro é outra! E começou com as seguidas tentativas de autogolpe em 2020, para chegar até os dias de hoje, com seu comportamento insano e infame.

Seja como presidente ou ser humano (ele é?), em relação à Covid-19, às vítimas fatais e aos familiares e amigos, suas falas e atitudes são abjetas, eivadas de ódio, violência e mentiras.

Desconheço, inclusive, nos dias de hoje, ao menos, ditadores e facínoras, mundo afora, que reproduzem o comportamento vil que Jair Bolsonaro impõe ao Brasil e aos brasileiros.

Já são 3 mil mortos por dia por Covid-19. Quase 300 mil vidas que se foram. Sem vacinas, o maníaco da cloroquina nos lidera a uma catástrofe sem precedentes em nossa história.

A mim me parece que o sujeito opera em duas frentes: a loucura, que acredito lhe ser nata. E o método, a fim de levar o País ao caos sanitário, econômico e social. E ao golpe!

Não à toa investe tanto em desinformação, mentiras e cisão da sociedade. Como não é à toa sua obsessão armamentista, e o populismo financeiro com as Polícias e as Forças Armadas.

Bolsonaro sonha, planeja, trabalha e tentará, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, golpear a democracia. Por isso me penitencio tanto. Não só, mas também por isso.

As perdas nesta pandemia, materiais e humanas, são terríveis e irrecuperáveis para milhões de brasileiros. E o presidente é incapaz de um gesto de consolo, uma palavra de carinho.

O sujeito só pensa em si, na sua prole enrolada com a Justiça e em sua reeleição. Se em 2022 o Brasil contar com menos 500 ou 600 mil brasileiros, e daí? Ele não é coveiro.

O País atirou no lixo, graças a Bolsonaro e a Pazuello, mais de uma centena de milhão de doses de vacinas, ainda em 2020. Quantas vidas isso já está custando e ainda custará?

Entendem, caros leitores, por que escrevo tanto sobre esse energúmeno e sou tão ácido nas palavras? É um misto de indignação e de raiva. Uma espécie de… culpa! E como não sentir?

Encerro com um sincero pedido de desculpas pelo que fiz. E ainda que eu considere meu erro imperdoável, apelo à boa vontade daqueles que também erraram como eu errei. Perdão.

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