“De que matéria somos feitos?”, delira Leitão sob o país que ajudou a permitir e que sucumbe na pandemia

28/02/2021 1 Por Redação Urbs Magna

“Quem somos nós?”, pergunta a jornalista em opinião sobre o papel do governo na crise de Saúde, sem fazer sua autoavaliação da contribuição para a derrocada da democracia no Brasil, desde o golpe contra Dilma e Lula, para permitir o que agora a estarrece

“Não cabe mais perguntar que governo é este. A resposta está dada”, inicia a jornalista Míriam Leitão em seu texto, no jornal O Globo deste domingo (28), referindo-se aos piores resultados da administração da crise de Saúde do governo, que ela diz ser “sócio da morte”.

“Quem somos nós? De que matéria somos feitos?”, ‘viaja’ sem notar, talvez, a ambiguidade do que escreveu. Ou, intencionalmente, referiu-se aos textos das mídias que embarcaram no maior golpe contra a democracia da história? Pois questionamentos sobre nossa estrutura biológica não cabem nesse contexto.

Após argumentar sobre a má condução da pandemia que acarretou milhares de mortes, Leitão diz: “O que cabe agora é tentar saber que país é este. O futuro perguntará aos contemporâneos dessa tragédia o que fizemos. Enquanto os brasileiros morriam, o inimigo avançava impiedosamente e o governo era “sócio da morte”.

Mas avisado foi, e possíveis governos sócios da vida foram sabotados.

O que Míriam Leitão reproduz em sua coluna são as respostas e ações vergonhosas que nosso governo nos oferece e que todos nós já estamos cansados de saber pelos noticiários e não vale transcrever aqui devido ao teor já famigerado, a não ser para os que ainda estão no ‘transe mitológico’.

“Sempre mentindo, o presidente do Brasil”, diz a jornalista.

“Quem somos nós? O futuro nos perguntará e é preciso que o país saiba que terá que responder que, mais uma vez, fomos o povo que tolerou o intolerável”, diz sem citar o papel de cada um, incluindo o seu, para a consolidação de tudo o que se temeu desde que foi previsto.

E a esta altura é perigoso dizer “pior que está não fica”, pois notavelmente o Brasil não segue padrões.

“Castro Alves pode fazer de novo a pergunta: que bandeira é esta?”, sugere. Mas deixando um pouco de lado as respostas mais coerentes para seus questionamentos, após um grande salto em suas linhas, vale a transcrição de seu espanto e recomendações para os desatentos negacionistas:

“Essa é a nossa contemporaneidade. Lembra os nossos piores passados. É tão longo o suplício que perdemos as palavras. Não há palavras fortes o suficiente para definir o que vivemos. O presidente comete crimes diariamente. A cada crime sem punição ele se fortalece, porque sabe que pode avançar um pouco mais. Como o vírus que domina o corpo fraco. A cada dia fica mais difícil contê-lo.

De outros países, nos olham com espanto e desprezo. Nenhum povo suportaria tal opróbrio. Eles sabem o que temos feito aqui e o que temos aceitado. E não entendem. Caminhamos para o risco de colapso nacional, de falência múltipla dos órgãos de saúde do país. Só agora, alguns estados falam em lockdown. Antes, havia no máximo uma restrição de circulação à noite, como se o vírus fosse noturno e dormisse de dia. Vários países começam a comemorar queda dos contágios, internações e mortes. Comprovam vantagens do distanciamento social, das vacinas e do uso de equipamentos de proteção. O presidente diariamente passeia, diletante, pelo país, com seu séquito de homens brancos sem máscaras, com os quais exerce o poder, oferecendo-lhes migalhas do seu mandonismo. São os invertebrados de Bolsonaro.

O médico Ricardo Cruz escreveu para Denise, sua mulher, “prepare-se para o pior”. O pior chegou para a sua família e para o país. Ricardo Cruz era amado por seus colegas e pacientes. Organizou um centro de reflexão sobre as angústias que vivemos neste século e o batizou de “humanidades”. O último recado digitado por ele, mostrado por este jornal em brilhante reportagem, é um alerta vivo. Estamos no pior momento. Despreparados.

O presidente da República mente diariamente e as mentiras estão nos matando. Bolsonaro não se interessa por pessoas, mas por perfis das redes, inúmeros deles falsos. Em colunas passadas, fiz a lista dos crimes cometidos por Bolsonaro e apontei artigos e incisos das leis que ele afrontou. Mas isso o país já sabe. Alguém sempre diz que não existem as condições políticas para um impeachment.

E os milhares de mortos que enterramos?

Quantos deles teriam sido poupados se fosse outro o governo do Brasil?

Não cabe mais perguntar que presidente é este. O país não pode alegar desconhecimento. Cabe fazer uma pergunta mais dura.

Quem somos nós?“, pontua.

Muitos sabem a resposta.

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