“Conversa pra boi dormir; que é mentira, sabemos, afinal, é Jair”, diz Sakamoto sobre “profecia” do fim do vírus

06/03/2021 0 Por Redação Urbs Magna

“Deve considerar uma afronta os Estados Unidos estarem à frente em número de mortos”, escreve o colunista sobre afirmação de Bolsonaro, a apoiadores, de que a pandemia está com ‘os meses contados’ ao cravar a frase “Até o final do ano, acabou vírus, já”.

O jornal O Globo publicou matéria neste sábado (6) apontando que o Brasil só tem compras contratadas de vacinas para cobrir 65% da sociedade. Com isso, entraremos em 2022 sem o suficiente para gerar imunização coletiva. O levantamento feito pelo jornal é suficiente para desmentir Bolsonaro, que repete palavras ‘otimistas’ desde o ano passado. Ontem voltou a dizer que a pandemia está acabando e que “até o final do ano, acabou vírus, já, com toda certeza”.

Não há nada que corrobore a afirmação presidencial sobre o fim da pandemia. Leonardo Sakamoto, em sua coluna, trata o assunto como “conversa pra boi dormir”. “Que é mentira, sabemos, afinal, é Jair. Se tivéssemos outro presidente”, um controle seria possível, diz o colunista acrescentando que “seríamos outro país, com um povo que respeitasse mais a vida dos outros”.

Sakamoto lembra outro “profeta”, Paulo Guedes, que no ano passado disse que “com 3 bilhões, 4 bilhões ou 5 bilhões de reais a gente aniquila o coronavírus”. Mas o milagre anunciado, claro, não aconteceu. “E ainda teve a pachorra de completar: “Porque já existe bastante verba na saúde, o que precisaríamos seria de um extra”. O colunista pergunta: “A questão é quantas vidas mais vão se acabar porque ele resolveu deixar o coronavírus seguir seu curso natural sem importuná-lo?”. Isso nenhum cientista sabe responder.

“Bolsonaro chamou de covardes quem fica em casa” (…) e, para quem chora seus mortos, disse (…) que é hora de parar com “frescura” e “mimimi”. (…) Deve considerar uma afronta os Estados Unidos estarem à frente em número de mortos”, diz Sakamoto. “Enquanto o grande irmão do norte despeja imunizante na sua população”, aqui no Brasil “o coronavírus seguirá circulando e matando”.

Leia a transcrição final do texto de Leonardo Sakamoto:

“Pressionado, o presidente chamou de “idiotas” quem pede que ele compre vacinas. “Só se for na casa da tua mãe!”, lembrao colunista. “Não tem para vender no mundo!”, ruminou Bolsonaro na quinta (4)”. Tinha no ano passado, mas ele não quis. Preferiu fazer a gente passar vergonha em várias línguas ao ganhar as manchetes de jornais pelo mundo que diziam que o presidente brasileiro defendeu que quem toma vacina vira “jacaré”.

Ele acredita que a melhor solução é ir para a rua. E e, se pegar a doença, pegou. E se morrer, morreu. E todos temos que fazer nosso sacrifício para fazer a economia girar a fim dele não ter problemas com sua reeleição. Afinal, se o brasileiro é um forte, quem morre é “maricas”.

Para ele, o melhor imunizante é contrair o vírus. “Eu tive a melhor vacina, foi o vírus”, disse no dia 23 de dezembro para o seu rebanho. E acrescentou “sem efeito colateral”. Se ele não sabe que a imunidade de quem contrai a doença pode durar pouco, vai ter uma supresa.

Na visão do bolsonarismo, a pandemia só vai acabar quando todos pegarem, como uma forma de seleção natural que privilegia não os fortes, mas os mais ricos que têm acesso a tratamento mesmo com a saúde em colapso.

O vírus não acaba até o final do ano. Mas Bolsonaro vai acabando com os valores que nos mantém unidos como sociedade. Como já disse aqui, o risco desse projeto que vem se mostrando resiliente é que o Brasil saia dessa crise à imagem e semelhança do presidente: insensível à dignidade humana, com cada um lutando, como ele, por sua própria alegria e sobrevivência.

Quem poderia fazer algo, o Congresso Nacional, está alugado até 2022. Talvez, 2026. Até que cumpra sua função constitucional de defender a dignidade da população, precisa ser chamado pelo nome certo: cúmplice.

Em tempo: Enquanto manda procurarmos vacina na casa de nossas mães, Bolsonaro aproveita para jogar uma cortina de fumaça sobre a compra da nova casa de seus filho, o senador Flávio Bolsonaro. Custou R$ 6 milhões, ironicamente o mesmo valor que ele é acusado de desviar na Assembleia Legislativa do Rio”.

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