Confissão de Moro sobre perseguição ao PT explica falta de prova contra LULA

O ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva, durante depoimento ao ex-juiz federal, Sergio Moro, no prédio da 13ª Vara de Curitiba


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

O ex-juiz declarado parcial pelo STF em suas ações contra o ex-presidente disse, nesta quarta-feira (29/12), que a Lava Jato combateu o partido de forma eficaz

O ex-juiz Sergio Moro literalmente confessou, durante entrevista nesta quarta-feira (29/12) à Rádio Capital FM, de Mato Grosso, que perseguiu o Partido dos Trabalhadores, o que explica a falta de provas nas condenações proferidas contra LULA, bem como a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em declará-lo parcial em suas ações contra o ex-presidente.

Moro criticava o governo Bolsonaro, antes de afirmar que “tem gente que combateu o PT na história de uma maneira muito mais efetiva, muito mais eficaz. A Lava Jato”, disse.

Imediatamente, o pré-candidato à Presidente recuou e disse que a Lava Jato apenas descobriu “os esquemas de corrupção e mostrou o que o PT verdadeiramente é”. Mas já era tarde demais.

A própria Folha de S. Paulo lembrou a trajetória de erros de Moro: de juiz da Lava Jato, abandonou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro e, nesse ano, sofreu uma dura derrota no STF, que o considerou parcial nas ações em que atuou como juiz federal contra LULA. Com isso, foram anuladas ações dos casos triplex, sítio de Atibaia e Instituto Lula.

Diferentes pontos levantados pela defesa de LULA levaram à declaração de parcialidade de Moro, como condução coercitiva sem prévia intimação para oitiva, interceptações telefônicas do ex-presidente, familiares e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos.

A posse de Moro como ministro de Bolsonaro também pesou, assim como os diálogos entre integrantes da Lava Jato obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados por outros veículos de imprensa, que expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato.

Em resumo, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre LULA, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Moro sempre repetiu que não reconhece a autenticidade das mensagens, mas que, se verdadeiras, não contêm ilegalidades.

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