Caso Marielle: Adriano da Nóbrega foi ‘desarquivado’ em sítio de vereador do PSL

09/02/2020 1 Por Redação Urbs Magna


Publicado por ET URBS MAGNA


Adriano da Nóbrega, morto em um confronto com policiais militares na manhã deste domingo (9), na zona rural de Esplanada (BA), estava escondido no sítio do vereador do PSL Gilsinho da Dedé.

Doutor, ninguém está aqui para me prender. Eles querem me matar. Se me prenderem, vão matar na prisão. Tenho certeza que vão me matar por queima de arquivo’. Palavras dele [Adriano da Nóbrega]“, afirmou o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que atuava na defesa do ex-PM.

Gilsinho afirmou que ficou surpreso ao saber que o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) estava em seu sítio, negou conhecer o miliciano e disse que o terreno deve ter sido invadido.

Perguntado se conhecia Adriano, Gilsinho foi enfático:

“Nunca [conheci] na minha vida. Nunca falei, além das fotos que saíram na mídia nunca nem vi, nem falei, nunca tive nenhum contato, nem fui apresentado”.

“Nunca fui ideologicamente afinado com o presidente. Não tenho nenhum alinhamento. Fiz campanha para o Rui Costa (atual governador da Bahia) no estado e para Haddad (Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT) na nacional”, afirmou o vereador, que pretende trocar o PSL pelo PSB.

Apontado como o chefe da milícia Escritório do Crime, Adriano Nóbrega era estava foragido há mais de um ano.

Em nota, a SSP-BA afirmou que Adriano era suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. O nome do miliciano, no entanto, não consta do inquérito que investiga a morte da vereadora.

Em nota, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ao qual Marielle era filiada, disse:

“A Executiva Nacional do PSOL exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte do miliciano e, através de sua Executiva Nacional, de sua direção regional Bahia e parlamentares, solicitará uma audiência com a Secretaria de Segurança Pública daquele estado para obter maiores informações, uma vez que Adriano da Nóbrega era peça-chave para revelar os mandantes do assassinato de Marielle e Anderson”.

A sigla também que vai avaliar “medidas que envolvam autoridades nacionais”.

Ex-capitão da tropa de elite da PM do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega aparece nas escutas telefônicas do Ministério Público como Capitão Adriano ou Gordinho. O miliciano era considerado violento por policiais e investigadores.

Foi preso duas vezes por suspeita de ligação com a máfia de caça-níqueis.

Em 2011, foi preso na Operação Tempestade no Deserto, que mirou a cúpula do jogo do bicho. Na época, a investigação apontou que ele era segurança de José Luiz de Barros Lopes, bicheiro conhecido como Zé Personal, morto naquele mesmo ano.

Segundo o MP, o ex-capitão também era o responsável pela segurança da esposa de Zé Personal, Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004.

Um ano antes, Adriano chegou a ser homenageado pelo hoje senador e então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo investigações do Ministério Público, Adriano era amigo do ex-PM Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio.

Queiroz teria inclusive recebido repasses de duas pizzarias controladas por Adriano, de acordo com a investigação:

  • a Pizzaria Tatyara Ltda repassou R$ 45.330 mil
  • o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda enviou R$ 26.920 mil

O MP suspeita que Adriano seja sócio oculto dos dois estabelecimentos. Formalmente, contudo, o ex-policial não aparece no quadro societário das empresas. Quem aparece é a mãe dele, Raimunda.

Os promotores investigam se o saque de R$ 202 mil das contas de Danielle e Raimunda foram entregues em mãos a Fabrício Queiroz, evitando assim qualquer rastro dos repasses.

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