Carta de Filha de Genoíno viraliza na web com desabafo sobre absolvição após 15 anos

25/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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“Sou grata (…) gente que largou tudo e veio correndo para minha casa, para me segurar quando eu caí no chão de desespero”, diz trecho da mensagem de Miruna Kayano Genoino

“Meu nome é Miruna Kayano Genoino e meu pai, José Genoino Neto, sofreu uma grande injustiça. Sua carreira política impecável foi jogada na lama do sensacionalismo e da parcialidade e nossas vidas foram marcadas para sempre (inclusive ele quase perdeu a vida quando seu coração não resistiu a tantas provações. Sim, ele fumava, mas sim, eu acho que o que ele teve no coração foi fruto do desgosto que lutar pelo bem comum lhe causou).

Minha filha mais velha tem 13 anos. Meu pai foi inocentado 15 anos depois e isso já diz muito… o que posso dizer sobre esta notícia da semana é que muito me emocionou ser procurada por minhas amigas e minha família, mostrando e compartilhando a alegria desta inocência por fim oficial; nós mesmos não divulgamos no dia em que soubemos, nós simplesmente seguimos e nossas amigas e nossa família vieram nos procurar para celebrar com emoção esta vitória. Isso para mim diz tudo, sabe?

Diz da nossa sorte de termos tanta gente que nunca sentiu vergonha de nos conhecer. De gente que cuidou dos meus filhos quando eu não pude, que levou sanduíche na polícia federal para meu pai, que largou tudo e veio correndo para minha casa, para me segurar quando eu caí no chão de desespero.

A gratidão vale tudo nessa vida, mas hoje não sinto vontade de falar do quanto sou grata por essa justiça que chegou (ainda que a comemore, claro) mas sim de como sou grata por estar bem hoje, porque isso só é assim porque vocês não nos deixaram sozinhos. Vocês sempre acreditaram na inocência do meu pai.

“E como está seu pai????”. Sereno, esperançoso, e fazendo as tais lives para discutir o momento atual. No dia em que ele soube da notícia conversou antes comigo por quase meia hora, acolhendo as angústias de uma filha educadora em quarentena, até que no final, depois de me ouvir com toda calma, disse:

“Ah, Mimi, tenho uma coisa legal para te contar…”

Esse é meu pai. Firme, sereno, sem nunca perder o foco, sempre priorizando as lutas. E sempre, sempre esperançoso e otimista. Te amo, Papai.

A mensagem foi publicada há quase vinte dias no Twitter

Extinção da punibilidade

José Genoíno, ex-presidente do PT, foi inocentado pela 3ª turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1), em Brasília, juntamente com o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, dos crimes de falsidade ideológica na ação penal relativa ao chamado Mensalão, em sentença proferida no dia 18 de agosto do mês passado, após quinze anos do início do processo, que é um desdobramento do caso julgado pelo STF, conforme publicou o BDF.

Genoíno e Delúbio foram acusados, em 2005, de simular empréstimo junto ao Banco de Minas Gerais (BMG) e foram condenados em 2012 pela juíza Camila Franco Velano, da 4ª Vara Federal de Minas Gerais, a quatro anos de reclusão. 

“A Terceira Turma, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração e, de ofício, decretou a extinção da punibilidade de José Genoino Neto, Delúbio Soares de Castro, Marcos Valério Fernandes de Souza, Ramon Hollerbach Cardoso e Cristiano de Mello Paz, pelo crime tipificado no art. 299 do Código Penal, com fulcro nos artigos 107, IV, 109, V, 110 caput e § 1º, todos do Código Penal, combinado com o artigo 61 do Código de Processo Penal, ficando prejudicados os recursos especiais e extraordinários interpostos por esses réus, nos termos do voto do relator”, diz trecho do acórdão.

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