Bolsonaro “valeu-se do alcance de suas redes para difundir ivermectina e hidroxicloroquina”, dizem senadores

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto, na semana passada | Pablo Jacob


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Ele visou “sabotar estratégias de controle da pandemia defendidas” por governadores, prefeitos, “associações médicas, cientistas, profissionais médicos e organizações internacionais”, diz texto de representação no STF pedindo suspensão dos perfis do presidente nas redes sociais

O presidente Jair Bolsonaro “valeu-se do alcance de suas redes para difundir ivermectina e hidroxicloroquina“. A afirmação é um resumo do conteúdo textual de representação protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal) por senadores, nesta quinta-feira (27). Segundo os parlamentares, o presidente visou “sabotar estratégias de controle da pandemia defendidas” por governadores, prefeitos, “associações médicas, cientistas, profissionais médicos e organizações internacionais“, afirmam no texto do documento que pede que a Corte suspenda seus perfis nas redes sociais após as fake news associando vacina à AIDS.

O Facebook, Instagram e YouTube já removeram o conteúdo da live em que Bolsonaro cita inexistentes “relatórios oficiais” no Reino Unido afirmando que pessoas vacinadas contra o coronavírus têm mais facilidade para desenvolver a doença provocada pelo vírus HIV.

Os relatórios originais daquele governo não fazem menção ao vírus da Aids nem à queda da imunidade após a vacinação. O texto reproduzido pelo presidente Bolsonaro como base para a associação falsa entre as vacinas anticovid-19 e o vírus da Aids foi, na realidade, retirado do site de notícias falsas Stylo Urbano, como informou a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido.

Na segunda-feira (25), após ação apresentada por parlamentares de PSOL e PDT contra a live que foi ao ar na quinta-feira (21) e derrubada das plataformas no decorrer desta semana, o ministro Luis Roberto Barroso enviou à PGR um pedido de investigação e o órgão avaliará a ocorrência de elementos para pedir abertura de inquérito para apurar o caso.

Ao longo desta semana, Bolsonaro, seus filhos e apoiadores têm responsabilizado a revista Exame pela associação entre vacinas anticovid-19 e o vírus da Aids.

Mesmo com a remoção do conteúdo com as fake news das plataformas do presidente, os senadores da CPI da Covid, que investigou por seis meses o governo durante a crise de saúde, avaliam que Bolsonaro não vai interromper seus métodos de difusão de drogas ineficazes contra a doença. Mais cedo, por exemplo, ele recorreu ao Supremo para tentar barrar essa possível suspensão nas redes sociais.

Agora, o ministro Alexandre de Moraes pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o pedido dos senadores. Segundo o UOL, o caso segue em segredo de justiça e só deve ter prosseguimento, como informou a Corte, após a resposta à questão solicitada.

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