Bolsonaro tomando leite em live reforça disseminação do símbolo da supremacia racial nazista, diz site

30/05/2020 0 Por Redação Urbs Magna

Et Urbs Magna – O leite representa o símbolo nazista da supremacia racial adotado por Adolf Hitler, de acordo com a antropóloga Adriana Dias, especialista em neonazismo, que concedeu entrevista à Revista Fórum nesta sexta-feira (29). Jair Bolsonaro tomou leite durante uma de suas lives nas redes sociais, após protestos nos EUA contra o assassinato de um negro por policiais de Minneapolis, e o portal diz que estudiosos do movimento ligam os pontos.

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A matéria da Fórum diz que “apesar do presidente dizer que estaria cumprindo um desafio de ruralistas, pesquisadores enxergam uma correlação do gesto com movimentos neonazistas“. Adriana Dias, doutora em antropologia social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), diz ao portal que “o leite é o tempo todo referência neonazi. Tomar branco, se tornar branco. Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio, mas é um jogo de cena, como eles sempre fazem”.

Bolsonaro pode se escorar no Shavuot, festa judaica que teve início na quinta-feira, para se justificar pelo ato, que ocorreu no mesmo dia em que explodiram manifestações em Minneapolis contra a violência policial contra negros – em razão do bárbaro assassinato de George Floyd. O leite como símbolo está diretamente ligado aos chamados “alt-right” estadunidenses. “O cara é engenhoso”, disse a estudiosa à Fórum.

A publicação da mídia ainda apresenta comentários do antropólogo David Nemer, que pesquisa o bolsonarismo, em uma sequência de postagens no Twitter:

O extremismo do Bolsonarismo é tão tosco que eles apropriam tudo da Alt Right (extremistas brancos americanos) e com atraso – já que isso começou nos EUA em 2017”, declarou.

Nacionalistas brancos fazem manifestações bebendo leite para chamar a atenção para um traço genético conhecido por ser mais comum em pessoas brancas do que em outros – a capacidade de digerir lactose quando adultos. É uma tentativa racista para se embasar em “ciência” p/ diferenciar e justificar a “raça branca”. Mas como já provado e explicado por toda ciência: Não há evidência genética para apoiar qualquer ideologia racista. O que há, é na verdade, um governo tosco e motivado pelo ódio”, detalhou Nemer.

De acordo com a Fórum, o pesquisador ainda destacou a apropriação do leite por um grupo de bolsonaristas ligado ao perfil Leitadas Loen, cuja conta é alvo do inquérito do STF que investiga ataques ao Supremo e disseminação de fake news.

O símbolo do copo de leite foi apropriado por uma facção das redes bolsonaristas, que são channers. Esse pessoal gosta da confusão que o meme gera com a simbologia nazista e se refestelam com a notoriedade que recebem da mídia. Essa fação é do Leon Leitadas”, acrescentou Nemer.

Na live, Bolsonaro cita um desafio da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) e elogia a ministra Tereza Cristina, no entanto, se nega a “desafiar” alguém, quebrando a corrente que estaria seguindo.

Após tomar o leite, ele fez questão de aproximar o copo da câmera, pontuou a Fórum.

De acordo com o Canal Rural, o “presidente Jair Bolsonaro fez uma pequena homenagem nesta quinta-feira, 28, durante sua tradicional live no Facebook aos produtores de leite do Brasil. Com um copo de leite na mão, Bolsonaro brindou à agropecuária nacional”.

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