Bolsonaro militou no exercício ilegal da medicina com sua cloroquina, diz Gaspari

25/10/2020 0 Por Redação Urbs Magna

“O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. (…) Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a vacina”, disse o presidente na quarta

O colunista da Folha de São Paulo, Elio Gaspari, afirmou que Bolsonaro “Bolsonaro militou no exercício ilegal da medicina com sua cloroquina”, “desde que o coronavírus chegou ao Brasil, matando mais de 150 mil pessoas”.

A afirmação foi feita em sua matéria deste domingo (25) em que Gaspari diz que o presidente “respondeu uma mensagem nas redes e abriu uma ridícula Guerra da Vacina“, sendo as palavras entre aspas o título de sua ‘opinião’ publicada no jornal. Veja:

Sabe-se que Jair Bolsonaro dorme mal. No ano passado ele revelou que penava 89 episódios de apneia por hora: “Detenho o recorde brasileiro”. Sabe-se também que instalou uma escrivaninha no espaçoso guarda-roupas do Alvorada e passa o tempo ligado nas redes sociais de sua estima.

Às 5h45 da madrugada de quarta-feira (21) o presidente continuava diante de seu computador quando respondeu a uma mensagem com um grito de guerra: “O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. (…) Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a vacina”.

Estava aberta uma ridícula Guerra da Vacina. Bolsonaro sabia que o Ministério da Saúde havia oficializado a sua intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac, que, nas suas palavras, transformou-se na “vacina chinesa do João Doria”.

Desde que o vírus chegou ao Brasil, matando mais de 150 mil pessoas, Bolsonaro militou no exercício ilegal da medicina com sua cloroquina, fritou dois ministros da Saúde e, com seu surto matutino, começou a refogar o terceiro.

Nos seus gritos de guerra anunciou que a “vacina não será comprada” porque “não abro mão de minha autoridade”. Parolagem. Horas depois, a Agência de Vigilância Sanitária (detentora da autoridade) informou que, como acontece com qualquer medicamento, autorizará a compra do fármaco que cumpra os requisitos científicos.

No rescaldo do surto, 11 palavras do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz explicam a barulheira: “Falta de capacidade e organização interna” e “um nível de mediocridade extrema”.

Santos Cruz foi um dos três ases militares levados para o governo pelo capitão Bolsonaro. Os outros dois foram Hamilton Mourão e Augusto Heleno. Ele era o único a não ter se envolvido em episódios de indisciplina. Durou seis meses, dois dos quais em processo de fritura.

Desde que saiu do governo Santos Cruz tem sido um crítico raro porém pontual. Se quisesse, teria sido candidato à Prefeitura do Rio, mas afastou-se do cálice.

Quem entende o mundo dos generais garante que Santos Cruz é ouvido”, pontua Gaspari.

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