Bolsonaro já tem 1 milhão de seguidores em mídia com mais potencial de disparos em massa que o WhatsApp

10/10/2021 0 Por Redação Urbs Magna
Bolsonaro já tem 1 milhão de seguidores em mídia com mais potencial de disparos em massa que o WhatsApp

“Seja bem-vindo a mais este novo canal com muito mais informações diárias”, comemora o presidente sobre seu canal no Telegram, passa por boom de popularidade, já estando instalado em 53% dos smartphones, taxa que era de apenas 15% em 2018, e pode se tornar o mais novo ‘vilão’ das eleições de 2022

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comemorou a marca de 1 milhão de seguidores em sua recém criada conta no Telegram – uma das plataformas que mais abriga pornografia e também muita venda de armas de fogo, tendo por este motivo um grande potencial para ser o mais novo vilão das eleições e 2022: “Seja bem-vindo a mais este novo canal com muito mais informações diárias“, disse o chefe do Executivo neste sábado (9) sobre a mídia social que pode substituir o WhatsApp nas intenções de disparos em massa, como no ano de 2018, pois passa por um boom de popularidade no Brasil já estando instalado em 53% dos smartphones no país, taxa que era de apenas 15% em 2018, segundo levantamento site MobileTime em parceria com a empresa de pesquisas online Opinion Box.

 De acordo com matéria do Globo, neste domingo (10), os grupos do Telegram têm vídeos pornográficos, inclusive de incesto e até de meninas menores de idade.

Com grupos para até 200 mil pessoas e canais com capacidade ilimitada de inscritos (no WhatsApp, grupos têm limites de 256 membros), o Telegram é um terreno fértil para propaganda em massa. E Bolsonaro está muito à frente de seus possíveis concorrentes no aplicativo. Dentre potenciais presidenciáveis, Lula ocupa o segundo lugar, mas muito distante, com apenas 35 mil inscritos.

Mas, segundo o jornal, a preocupação vai bem além da questão eleitoral. Em poucas horas foram acessados conteúdos como pornografia infantil, vídeos de tortura e execuções, apologia ao nazismo, comércio ilegal e uma rede de desinformação sobre vacinas. Parte desses assuntos circula em grupos secretos, acessíveis apenas a quem encontra ou recebe os links de entrada e com linguagem é cifrada.

Para não serem rastreados, o termo “CP” (child pornography) aparece geralmente simbolizado por emojis, a palavra “vacina” é escrita de ponta-cabeça, e “nazi” aparece com tipografias góticas, por exemplo. E diferentemente do WhatsApp, em que os usuários não conseguem se conectar a grupos aos quais não são convidados, no Telegram esses espaços podem ser públicos desde que configurados para aparecer na ferramenta de busca do aplicativo – inexistente no concorrente.

Essa possibilidade criou uma infraestrutura digital em que ambientes secretos podem ser acessados por qualquer usuário. Com capacidade para até 200 mil pessoas, esses locais funcionam como “tocas na superfície” com ligação a túneis mais profundos, onde criminosos agem.

Em grupos de vazamentos de nudes e vídeos pornográficos, por exemplo, é comum que administradores vendam acesso a salas VIP, alimentadas com conteúdo exclusivo.

A comunidade de CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) e simpatizantes de armas são outro público assíduo de grupos secretos do Telegram. Em espaços que chegam a dezenas de milhares de pessoas, revólveres, fuzis, munição e acessórios bélicos são comercializados sem qualquer regulamentação.

Conteúdos violentos fazem parte dessas comunidades. Vídeos de pessoas sendo torturadas e assassinadas são compartilhados em meio a comentários de deboche dos membros, que as identificam como “bandidos”.

Há grupos secretos em que os administradores comercializam cédulas falsas de dinheiro e dados pessoais por meio de programas automatizados. Neste caso, o membro digita o CPF da pessoa cujas informações ele quer obter, e um robô, associado a uma base de dados externa, as publica no grupo. Em um grupo, o administrador vende planos semanais, quinzenais e mensais para acesso a buscas mais robustas. O preço varia de R$ 30 a R$ 200. 

O culto a Adolf Hitler, líder do Partido Nazista e ditador da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, também está a um clique de qualquer usuário do Telegram. Menores e mais pulverizados, grupos voltados a compartilhamento de material nazista, racista e antissemita são diversos. Existe, inclusive, um canal que cataloga os links de acesso a esses nichos secretos para disponibilizá-los aos simpatizantes. São listados às centenas. 

Fundado em 2013 na Rússia pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, o Telegram funciona na nuvem e tem sede em Dubai. Nos últimos anos, mudou de jurisdição várias vezes para fugir de problemas regulatórios e garantir sua política de mínima moderação de conteúdo.

A autodestruição de mensagens, os grupos secretos com até 200 mil pessoas, o anonimato e a ferramenta de busca interna são características\ que tornam o Telegram uma ferramenta poderosa para a atuação de criminosos.

O Telegram é um iceberg. O que está na superfície é 10%, 15% do que realmente existe de forma protegida. Após a Segunda Guerra a humanidade criou a ONU para legislar sobre guerras e direitos humanos. Vamos precisar também de uma ONU para as plataformas digitais“, afirma um especialista. 

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