Bolsonaro impõe sigilo de 5 anos sobre viagem em que disse “somos solidários à Rùssia”

Internautas fizeram vários ‘memes’ após a visita do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, à Federação Russa, sob liderança de Vladimir Putin (Redes Sociais/Reprodução)


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Na semana seguinte, Putin ordenou ação desnazificante e desmilitarizante na Ucrânia

O presidente Jair Bolsonaro (PL), representado pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores), colocou sob sigilo de cinco anos, até 21 de fevereiro de 2027, os detalhes da viagem em que disse a Vladimir Putinsomos solidários à Russia“, uma semana antes do presidente da Federação ordenar a ação desnazificante e desmilitarizante na Ucrânia.

Após a bancada do PSOL na Câmara enviar um questionário com 15 perguntas sobre a visita de Bolsonaro ao país e seu encontro com o ex-expião da KGB, numa delas o MRE disse que a viagem, a documentação e as mensagens relacionadas passaram a ser sigilosas.

Sobre o acompanhante Carlos Bolsonaro, o MRE disse que “a designação da comitiva é da competência da Presidência da República” e que ele não gerou despesas e que não tem conhecimento sobre conversas sobre o uso de aplicativos de comunicação e/ou envios de mensagens, como o Telegram. Quanto à fala “somos solidários à Rússia“, o Itamaraty alegou que Bolsonaro quis dizer que este é o sentimento do Brasil em relaçao “a todos que querem a paz“.

Um ofício de 12 de abril confirma que os dois mandatários conversaram sobre a situação na Ucrânia, mas o MRE alegou que não tem competência para comentar as declarações do presidente. As diárias custaram US$ 96.850,27 (cerca de R$ 453 mil) e o aluguel de veículos, US$ 125.328 (cerca de R$ 588 mil). Despesas com intérpretes somaram US$ 9.645 (R$ 45 mil), escritório e material de apoio foram US$ 12.595 (R$ 58 mil); US$ 890 (R$ 4.150) foram usados com cerimonial. A hospedagem de Bolsonaro foi paga por Putin.

Após o PSOL perdir, nesta terça-feira (19/4), que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara convoque o chanceler Carlos França para responder a questionamentos como a imposição do sigilo sobre telegramas e documentos, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) questionou sobre o filho do presidente e sobre a visita de Bolsonaro à Hungria, quando demonstrou alinhamento com o primeiro-ministro ultradireitista Viktor Orbán, conforme transcrição de sua fala, feita pelo jornal O Globo:

Esta questão do sigilo dá margem a muita manipulação e ocultação da verdade. Tem muita conveniência. A resposta sobre a presença de Carlos Bolsonaro na comitiva é vergonhosa, cínica e debochada. O que foi fazer um vereador do Rio em Moscou e Budapeste em reuniões presidenciais e ministeriais em plena semana de trabalho na Câmara Municipal?

Comente

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.