Bolsonaro deve pagar caro pela destruição do Brasil e esse deve ser o limite

20/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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O bioma brasileiro está queimando, mas o filme do presidente também: Uma investigação internacional está a caminho – “Esta é, notoriamente, uma rara política de governo em um governo sem políticas”, diz o jornalista Jânio de Freitas na Folha.

A tragédia da queimada do bioma brasileiro é gravíssima porque não afeta somente o brasileiro. O leitor inteligente sabe quais consequências podem surgir de toda a destuição ignorada pelo presidente do Brasil. Não há no mundo, ainda, nada que legalmente possa deter toda essa tragédia. E como também não há, ainda, um outro planeta habitável que possa receber a praga terráquea sobrevivente, os ‘pauzinhos’ certamente estão sendo mexidos no sentido de alterar o destino fatal da raça humana.

Se já eram incontáveis os prejuízos ao país, especialmente ao seu povo, desde o início da gestão do presidente até aqui, desta vez é muito provável que haja um consenso sobre o reconhecimento da letalidade do governo brasileiro ao ‘resto do mundo’.

No Brasil, mesmo durante a campanha presidencial em 2018, inúmeros alertas foram publicados sobre a perspectiva sombria que fatalmente conduziria o país ao empobrecimento. Confirmou-se a previsão da implementação de um projeto neoliberal radicalizado que passaria por três caminhos: a entrega do patrimônio nacional, a perda de direitos dos trabalhadores e o retrocesso nas conquistas dos diversos segmentos da sociedade, que afetaria justamente as áreas mais sensíveis penalizando os mais desprotegidos. Tudo isso aconteceu.

Mas agora, com as queimadas, processos internacionais podem tramitar muito rapidamente. Nesta semana uma recomendação oficial da ONU sugeriu que o governo Bolsonaro seja objeto de um inquérito internacional por suas políticas ambientais e de direitos humanos. Por conta das queimadas, ataques contra defensores de direitos humanos, liberação de pesticidas, derramamento de petróleo nas praias, o presidente está “com o filme queimado” no mundo. 

Um artigo do jornalista Jamil Chade, publicado na quarta (16) no UOL, revelou que “pela primeira vez em seu período democrático, o Brasil é alvo de uma recomendação oficial para que o governo seja objeto de uma investigação internacional”. O motivo são as políticas ambientais e de direitos humanos adotados pela administração Bolsonaro. A iniciativa, revela Chade, partiu do relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas), Baskut Tunkat, responsável pelos temas de resíduos tóxicos e direitos humanos.

Dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e do Sistema Copernicus, da União Europeia, revelam que os incêndios no Pantanal brasileiro, juntamente com os de Nova Gales do Sul (Austrália), no Ártico Siberiano e na costa oeste dos Estados Unidos, foram os maiores de todos os tempos, com base nos 18 anos de dados sobre incêndios florestais globais compilados pelas organizações. Com tudo sendo observado, mesmo assim Bolsonaro segue chocando o mundo com suas afirmações. Na sexta (18), o presidente disse que “países que nos criticam não têm queimadas porque já queimaram tudo“.

Neste domingo (20) Jânio de Freitas diz que “o governo Bolsonaro deve ser o principal processado pela política de devastação no Pantanal – Da decisão do presidente vieram cortes de verbas, redução dos quadros técnicos e científicos e nomeações de dirigentes inabilitados“.

Segundo o colunista, “as leis de proteção ambiental e numerosos acordos internacionais de que o Brasil é signatário, assim como a própria Constituição, foram e continuam transgredidos na meticulosa desmontagem do sistema de vigilância, prevenção e combate às agressões ao patrimônio natural. Esta é, notoriamente, uma rara política de governo em um governo sem políticas” diz Freitas que prossegue:

É notória, aqui e no mundo, a responsabilidade pessoal e direta de Bolsonaro. Da sua decisão vieram os cortes de verbas, a redução dos quadros técnicos e científicos, e as nomeações de dirigentes inabilitados em setores como Ibama, Funai, ICMBio, INPE, e os outros de importância vital para a Amazônia, o Pantanal e os povos indígenas.

“Amazônia tem 2º pior agosto de desmate, atrás só de 2019” (já governo Bolsonaro). “Em 14 dias, Amazônia queimou mais que em setembro de 2019.” Títulos como estes recentes, da Folha, sucederam-se desde a posse de Bolsonaro. E, por consequência, a do executor do projeto de desmonte da proteção ambiental, Ricardo Salles —já condenado por improbidade na secretaria do Meio Ambiente de um governo paulista de Geraldo Alckmin.

A indiferença de Bolsonaro ao clamor interno e internacional, a cada pesquisa de desmatamento e queimadas, só não foi completa por suas provocações e represálias administrativas. Entre elas, a demissão escandalosa do cientista Ricardo Galvão, conceituado presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que divulgou, como de hábito e do seu dever, o crescimento alarmante da devastação amazônica no então novo governo.

Constatado que o fogo no Pantanal tornava-se incontrolável, a explicação foi imediata: não era tanto pelo fogo, mas pela falta de equipes habilitadas para combatê-lo. Explicação complementar: a verba deste ano para combatentes a queimadas, em comparação com a de 2019, foi cortada em mais de metade. A dimensão da tragédia pantaneira não estava prevista, mas o fogaréu na Amazônia já exigia maior investimento, e não perda de verba.

Acima das necessidades está a política contra a Amazônia e a riqueza ambiental. Com mais provas oferecidas pelo próprio governo. O Orçamento para 2021 mandado por Bolsonaro ao Congresso, por exemplo, corta ainda mais os recursos dos setores de monitoramento, defesa e pesquisa visados pela destruição programada.

Essa política transgride a legislação. É criminosa. Proporciona a apropriação de terras do patrimônio da União, o desmatamento e o contrabando de madeira valiosa. Protege o garimpo ilegal e se incorpora a toda essa criminalidade. Bolsonaro e seu governo são passíveis de processo criminal — e o merecem”.

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