‘Apóstolo’ dos ‘feijões mágicos’ é condenado a pagar R$ 35 mil a Rui Costa após ‘pacto com capeta’

09/10/2021 0 Por Redação Urbs Magna
‘Apóstolo’ dos ‘feijões mágicos’ é condenado a pagar R$ 35 mil a Rui Costa após ‘pacto com capeta’

O autodenominado “pastor”, ou “apóstolo”, Valdemiro Santiago de Oliveira – líder neopentecostal, da Igreja Mundial do Poder de Deus, em foto de Marcos Corrêa/PR, e o governador da Bahia, Rui Costa (PT), em foto de Nilton Fakuda, do Estadão. Ao fundo, a imagem do ‘produto’ do ‘templo’ do religioso, ‘o feijão mágico’ com a inscrição “Sê Tu Uma Benção’ – motivo de uma ação civil pública do MPF, em 2020, pedindo indenização de R$ 300 mil por danos sociais e coletivos que teriam sido causados pela falsa promessa de cura da covid com a comercialização das sementes vendidas por até R$ 1 mil | sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

O gestor político da Bahia disse que o líder-neopentecostal bolsonarista Valdemiro Santiago o teria acusado do acordo com a entidade do além quando anunciou medidas de seu governo para combater a pandemia proibindo o funcionamento de igrejas

O autodenominado ‘apóstolo’ Valdemiro Santiago – líder-neopentecostal bolsonarista, da Igreja Mundial do Poder de Deus, foi condenado a pagar R$ 35 mil para a cobertura de danos morais ao governador da Bahia, Rui Costa (PT) após o religioso tê-lo acusado de fazer ‘pacto com capeta’, na época em que o gestor do estado tomou medidas de combate ao avanço da pandemia de covid-19 proibindo o funcionamento de igrejas.

A fala de Santiago teria sido registrada em programa televisivo, transmitido no dia 24 de março de 2020, antes da ação civil pública do MPF que pediu indenização de R$ 300 mil por danos sociais e coletivos causados pelo ‘apóstolo’ que prometeu, naquele ano, curar a covid-19 com feijões, cujas sementes eram comercializadas em sua igreja por valores que alcançavam até R$ 1 mil.

A decisão pela indenização a Rui Costa foi proferida pela juíza Indira Fábia dos Santos Meireles, da 1ª Vara Cível e Comercial de Salvador, no dia 24 de setembro, conforme noticiou o G1. Sobre as mentiras relacionadas ao governador, Santiago diz que possui liberdade de expressão e não se referiu ao político, bem como requereu a improcedência dos pedidos.

A magistrada escreveu na decisão que Santiago, “ao fazer menção sobre as medidas restritivas em decorrência da pandemia da Covid-19, aduz que o governante “bate cabeça aí na Bahia que eu sei”, dizendo ainda que o mesmo é “autoridade tonta, incrédulo e arrogante”, e que deveria “ameaçar o pessoal ai de sua casa”“.

Sobre as fake news do ‘apóstolo, a juíza escreveu: “Ora, não há de prosperar qualquer dessas alegações. A uma, que não é preciso ser nenhum expert para vislumbrar que, a todo momento em seu programa, o que fora dito pelo requerido foi sim, direcionado ao Governador da Bahia, ora autor desta demanda“.

Ainda de acordo com Indira Fábia, um vídeo de Valdemiro mostra o ‘apóstolo’ já ciente do processo movido pelo governador, mas mesmo assim demonstra deboche, fala piadas e reconhece que “ao proferir as palavras no programa televisivo do dia 24/03/2020, estava se referindo sim, ao autor desta ação

Agora, o ‘apóstolo’ deverá pagar a indenização a Rui Costa com juros de mora de 1% ao mês e correção pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), a partir da publicação da sentença, conforme data supramencionada nesta matéria, bem como a arcar com os honorários advocatícios, fixando-os em 15% sobre o valor da condenação.

‘Apóstolo’ Santiago vendeu feijões para a cura da Covid-19.

Em 2020, líder neopentecostal incitou fiéis a plantarem sementes de feijões e as vendeu por R$ 100, R$ 500 e R$ 1 mil, chegando a dizer que um laudo médico comprovou a recuperação de um paciente em estado terminal após contrair o novo coronavírus.

Assista a um dos vídeos:

Vídeo de 2020

O Ministério da Saúde, representado pela União, foi incluído na ação contra Santiago, sobre os ‘feijões mágicos’ por ter removido de seu site um alerta que desmentia a eficácia dos anúncios do ‘apóstolo’. A publicação, incluída em uma lista de ‘fake news’ a respeito da covid-19, após pedido do órgão, ficou no ar durante poucos dias e foi removida sem explicações. 

Os procuradores pediram que a Justiça Federal concedesse uma liminar obrigando o Ministério da Saúde a republicar a mensagem e apontar a autoridade que determinou a remoção do alerta.

Alerta do Ministério da Saúde desmentindo cura da covid-19 pelas sementes de feijão, posteriormente removido do site. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

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