Aguardem o desenrolar dos inquéritos de Bolsonaro, diz Alexandre de Moraes

18/09/2021 1 Por Redação Urbs Magna
Aguardem o desenrolar dos inquéritos de Bolsonaro, diz Alexandre de Moraes

O presidente Jair Bolsonaro em fotografia de Pedro Ladeira, Folhapress, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Aleandre de Moraes, em fotografia de Marcelo Chello, Estadão | Sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

O ministro do STF não recuou “um milímetro” na conversa que manteve com o Bolsonaro, disse o ex-presidente Michel Temer, responsável pela ponte entre o chefe do Executivo e Alexandre de Moraes

“Aguardem o desenrolar dos inquéritos de Bolsonaro”. Essa é a resposta do ministro do STF, Alexandre de Moraes, desafeto público do presidente, sempre que é questionado sobre o suposto acordo, noticiado escandalosamente pela imprensa, que teria sido feito com Jair Bolsonaro após o 7 de Setembro. Na ocasião, o ex-presidente Michel Temer teve que ser “abduzido” com urgência de São Paulo para Brasília, para resolver o fervo criado com caminhoneiros, que por fim acabaram sentindo a dor da traição de seu líder “paraguaio”.

Moraes solicita que os interlocutores aguardem o desenrolar das apurações de sua relatoria que miram o presidente e seus apoiadores, diz a matéria na coluna Painel da Folha de S. Paulo. Nesta sexta-feira (17), o ex-presidente Michel Temer, responsável pela ponte entre Bolsonaro e Moraes, disse que o ministro do STF não recuou “um milímetro” na conversa que manteve com o presidente.

Apoiadores de Bolsonaro, como o caminhoneiro que disseram que nem tem caminhão e nem sabe dirigir um, Marcos Gomes, conhecido como Zé Trovão, e o jornalista Oswaldo Eustáquio, ambos escondidos de Alexandre de Moraes no México, têm dito que os inquéritos sob relatoria do desafeto de Bolsonaro serão arquivados como parte deste suposto e escandaloso acordo que seria o motivo para a paralisação, ainda que momentânea, dos ataques de Bolsonaro contra o ministro.

Na sexta (17), um texto publicado no site Diário Popular, assinado pela esposa de Eustáquio, Sandra Terena, afirmava que a Procuradoria-Geral da República teria solicitado o arquivamento do inquérito das fake news e das milícias digitais – ambos miram bolsonaristas. A informação foi negada pela PGR.

Nem tudo o que vem da parte de Eustáquio deve ser validado. Em 2019, por exemplo, o blogueiro publicou que Glenn Greenwald, editor do “The Intercept Brasil”, mentiu quando afirmou que sua mãe estava com câncer no cérebro. Mas Arlene Ehrlich Greenwald, de 76 anos, morreu em depois de oito anos lutando contra a doença. Então, Oswaldo Eustáquio foi condenado a pagar indenização de R$ 15 mil por danos morais ao jornalista.

Em 2020, o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) entrou com uma ação contra Eustáquio no Tribunal de Justiça do Rio e foi atendido em um pedido para que Eustáquio fosse obrigado a retirar do Youtube um vídeo no qual o parlamentar era associado ao atentado à faca sofrido por Jair Bolsonaro em 2018. As imagens mostravam o blogueiro entrevistando um homem apelidado de “Luciano Mergulhador”, que mencionou uma ligação entre Wyllys e Adélio Bispo, autor do crime. Em depoimento à PF, no entanto, Luciano não repetiu a história, que foi republicada nas redes sociais pelo deputado Eduardo Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, o escritor Olavo de Carvalho e outras figuras do bolsonarismo.

Eustáquio coleciona controvérsias com outras figuras públicas. Foi o caso da deputada federal Joice Hasselman, contra quem representou na Câmara dos Deputados com um pedido de cassação, também em 2020, sob o argumento de que ela teria instruído assessores a produzir notícias falsas contra Bolsonaro. E também do youtuber Felipe Neto, a quem chamou, também no mesmo ano, de “ventrículo da esquerda”.

O blogueiro também fez críticas a Sergio Moro quando era ministro da Justiça e Segurança Pública e a Henrique Mandetta, quando era ministro da Saúde, além de João Doria, o governador de São Paulo.

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