Agenda ‘pós-covid’ de LULA está pronta, após notícia de 33 mi com fome, e o tema é agricultura familiar

“Pessoas passando fome no Brasil e Bolsonaro tem culpa nessa crise”, escreveu o ex-presidente, que viaja ao Nordeste na quarta

A agenda ‘pós-covid’ de LULA está pronta. O líder das pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de outubro cumpre quarentena, mas já viaja ao Nordeste na quarta-feira (15/6), em uma visita que está sendo preparada para sua participação na abertura da I Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária, em Natal, Rio Grande do Norte.

A previsão era que nesta sexta-feira (10/6), LULA já estaria de volta às atividades normais, após ele e a esposa, Janja LULA da SIlva, testarem positivo para a doença, na semana passada.

De acordo com informação de Lauro Jardim, no Globo, apenas na segunda-feira o ex-presidente estará 100% liberado.

O jornalista diz que o ex-presidente ligou para a subsecretária do Programa Consórcio Nordeste, Maria Fernanda Coelho, para avisá-la da visita ao evento de agricultores familiares representados por suas cooperativas e associações, comunidades tradicionais, movimentos camponeses e sindicais.

Dentro deste tema, LULA afirmou agora há pouco, no Twitter, que Bolsonaro “promoveu o desmonte do maior programa nacional de acesso a alimentos e fortalecimento da agricultura familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)“.

“Mais de 33 milhões de pessoas passando fome no Brasil, e Bolsonaro tem culpa nessa crise”, escreveu o ex-presidente.

O link compartilhado aponta para matéria no site LULA, que diz que “a crueldade de Jair Bolsonaro com o povo que governa não encontra limites. Já são mais de 33 milhões de pessoas que passam fome no Brasil. Um aumento de quase 50 % em pouco mais de um ano“. Leia a íntegra na continuação a seguir:

Mais da metade da população brasileira — 125,2 milhões de pessoas — vive com algum grau de insegurança alimentar. Em meio a essa crise humanitária, o presidente do país promoveu o desmonte do maior programa nacional de acesso a alimentos e fortalecimento da agricultura familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi criado em 2003, no âmbito do Fome Zero, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil investiu na agricultura familiar ao mesmo tempo em que garantia estoque de comida para situações de vulnerabilidade (ao clima, por exemplo).

Crédito da imagem: site oficial do ex-presidente LULA

Um dos objetivos do programa era garantir segurança alimentar e nutricional por meio da compra e doação de alimentos produzidos por agricultores familiares.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) executava o projeto, junto com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O ministério, por meio de repasses a estados e municípios, e a Conab, por meio de acordos com associações e cooperativas, compravam alimentos de agricultores familiares e distribuíam gratuitamente para creches, escolas, programas sociais e famílias que recebiam o Bolsa Família.

O programa ainda contribuía para o desenvolvimento local, ao dinamizar as economias rurais de milhares de municípios e serviu de modelo para criação de programas de compras públicas da agricultura familiar, especialmente para a alimentação escolar, em diversos países da América Latina e África.

O PAA buscou, com o passar do tempo, ampliar suas ações junto aos agricultores mais pobres e mulheres e alcançou, cada vez mais, os agricultores familiares mais vulneráveis, entre eles assentados da reforma agrária, extrativistas, indígenas, quilombolas e pescadores artesanais.

De 2003 a 2016, mais de 400 mil agricultores participaram do programa e foram adquiridas mais de 4 milhões de toneladas de alimentos de pequenos produtores.  Em julho de 2010, a Conab chegou a ter mais de 5,5 milhões de toneladas de milho armazenadas. Em 2012, eram 1,5 milhão de toneladas de arroz.

Só em 2010, o presidente Lula investiu R$ 1 bilhão em compras do PAA.

A destruição das políticas de combate à fome

Em 2021, o presidente Bolsonaro rebatizou o programa de Alimenta Brasil. Foi o primeiro passo para a destruição do PAA, assim como aconteceu com o Bolsa Família, substituído pelo Auxílio Brasil, que não tem segurança orçamentária e deixou no limbo 29 milhões de famílias com o fim do auxílio emergencial.

O segundo passo do golpe, foi a redução drástica de orçamento. Em 2020, foram destinados R$ 291 milhões ao Alimenta Brasil. No ano seguinte, o governo federal mudou o rótulo do produto e direcionou a ele apenas R$ 58 milhões. Até maio deste ano, apenas R$ 89 mil foram empenhados nessa política pública.

De acordo com reportagem do UOL, sem recurso, cooperativas encerraram suas atividades e projetos assistenciais reduziram a qualidade da comida oferecida para famílias carentes, crianças em creches e idosos em acolhimento. O numero de unidades recebedoras das doações de alimentos por parte do programa caiu de 17 mil, em 202121, para 2.535 em 2020, segundo dados da Conab.

Bolsonaro também foi o responsável pelo fechamento, em 2019, de 27 unidades armazenadoras de alimentos da Conab. Além de operacionalizar o PAA, os estoques eram uma forma de controlar o preço dos alimentos. O cenário de inflação descontrolada dos alimentos tem relação direta com a destruição com os estoques reguladores de alimentos da Conab.

O desgoverno ainda extinguiu o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), espaço de participação social e debate das principais políticas de segurança alimentar do país, e deixou de elaborar o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional para 2020-23.

Um a um os setores e políticas responsáveis pela retirada do país do Mapa da Fome da ONU, conquista reconhecida mundialmente, são destruídos pelo homem que deveria cuidar do povo. O presidente Bolsonaro segue sendo o maior inimigo Brasil.

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