Advogada de médicos “caçados” pela Prevent Senior decidirá futuro da operadora de saúde na CPI

27/09/2021 0 Por Redação Urbs Magna
Advogada de médicos “caçados” pela Prevent Senior decidirá futuro da operadora de saúde na CPI

O senador vice-presidenta da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ao lado de painel que exibe prontuário médico da mãe do empresário dono das lojas Havan, Luciano Hang, durante a sessão ocorrida em 22 de setembro, em foto de Roque de Sá / Agência Senado, e o diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, em foto de Edilson Rodrigues/Agência Senado | Sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Bruna Morato, que representa 12 médicos que denunciaram a empresa que realizou experimentos com drogas do “tratamento precoce” em pacientes-cobaia, reuniu um ano e meio de denúncias encaminhadas ao Ministério Público por seus clientes

Advogada Bruna Morato, que representa 12 médicos ligados à operadora de saúde Prevent Senior, “caçados” pela empresa por apontar o uso de pacientes como cobaia em experimentos com drogas do chamado “tratamento precoce” contra o coronavírus, decidirá o futuro da Prevent Senior nesta terça-feira (28), quando deporá na CPI da Covid no Senado e apresentará conteúdo reunido por um ano e meio contendo denúncias de seus clientes encaminhadas ao Ministério Público, após a comissão ouvir de Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da operadora, que não existe dossiê de irregularidades.

Ao longo do período referido, Morato conta que a Prevent Senior “caçou” os profissionais responsáveis pelas denúncias, para que sirvam de exemplo a outros médicos. “Estão sendo perseguidos, estigmatizados e desqualificados”, disse a advogada em entrevista ao El País neste domingo (26).

A advogada disse ao jornal que ainda no início da pandemia eles começaram a relatar as primeiras irregularidades sobre ao uso de cloroquina e outros medicamentos ineficazes. O Ministério Público foi acionado e abriu inquérito.

“Eu também levei muito tempo para acreditar na história, para entender a história”, conta. “Obviamente tive que pedir provas, documentos. Busquei pacientes para checar as denúncias. As coisas foram acontecendo como uma bola de neve. Tudo foi duplamente checado”, disse Morato.

O dossiê que a advogada apresentará à CPI contém suspeitas gravíssimas de como a operadora, voltada para idosos, testou em seus hospitais o chamado kit-covid (hidroxicloroquina e ivermectina, entre outros medicamentos ineficazes contra a covid-19) em pacientes infectados sem o aval dessas pessoas ou da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), e ocultando mortes pela doença, como forma de apresentar as melhores estatísticas de recuperação, o que demonstra que todos teriam sido cobaias de um experimento ilícito.

Durante seu depoimento na quinta-feira, Pedro Benedito Batista Júnior, que é o diretor-executivo da operadora de Saúde Prevent Senior, afirmou que os prontuários compilados no dossiê estão incompletos e podem ter sido adulterados. Morato diz que “é mentira”.

“As informações foram entregues aos senadores de forma integral pelo Conselho Regional de Medicina”, explica a advogada. “São mais de 4.000 páginas devidamente apresentadas pela própria instituição, em ordem cronológica, com a evolução do dia a dia dos pacientes. Nós apenas indicamos onde estavam essas informações, para que os senadores pudessem solicitá-las ao organismo”, disse.

Morato indicou que esses prontuários chegaram ao Cremesp porque a Prevent Senior denunciou os médicos ao conselho por supostamente terem vazado informações sobre determinados pacientes, o que seria mais uma forma de persegui-los. “A partir disso, o próprio Cremesp solicitou esses prontuários para avaliar as informações.”

Os profissionais não acessaram os dados de pacientes que não eram seus, o que seria considerado uma infração médica, garante a advogada Bruna Morato. Sobre este assunto, a explicação para o motivo do conhecimento de casos como o do médico Anthony Wong e de Regina Hang, mãe do empresário bolsonarista Luciano Hang, que morreram de covid-19 após passarem por tratamento com o ineficaz kit-covid e que tiveram a ocultação da doença em seus prontuários e atestados de óbito, seria a seguinte:

“Quando pacientes com certa notoriedade são internados e passam a ser atendidos por um grupo de médicos, esse mesmo grupo de profissionais passa informações para seus colegas. Independentemente do acesso ao prontuário, os médicos começam a comentar entre si que fulano evoluiu de tal forma, está tomando tal medicamento.”

A convocação da advogada foi aprovada em sessão da CPI na manhã de quinta-feira (23). Ela procurou os senadores para dizer que, em nome dos profissionais que fizeram as denúncias, está disposta a comparecer à comissão para prestar depoimentos e relatar irregularidades.

A Comissão recebeu o dossiê com todas as irregularidades apontadas nesta matéria e tem como agravante a disseminação da cloroquina e outras medicações ineficazes como resultado de um acordo entre a Prevent Senior e o governo de Jair Bolsonaro.

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