A Globo se renderá a Lula? ‘É hora de perdoar o PT e ser nação soberana e democrática’, escreveu o jornal

11/07/2020 1 Por Redação Urbs Magna

UM Brasil – O Globo sinaliza que quer conversar com Lula e o PT. O jornal dos irmãos Marinho teria lançado seu primeiro pedido de reconciliação neste sábado (11) em publicação do colunista Ascânio Seleme, o que muitos veem como uma proposta de paz ao ex-presidente e ao Partido dos Trabalhadores.

Lula foi alvo de uma perseguição midiática por parte do grupo de mídia bem como pela Lava Jato de Curitiba, que hoje enfrenta os escândalos de suspeita da participação conjunta com o FBI na promoção judicial antipetista que acarretou no golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

O resultado foi a eleição presidencial manipulada em 2018, com Lula tendo seus direitos políticos anulados pelo lawfare, quando o Jornal Nacional ajudou a influenciar as mentes brasileiras no sentido de destruir a imagem de um dos maiores estadistas do planeta, reconhecido pelos maiores políticos do mundo.

“É hora de perdoar o PT – Ódio dirigido ao partido não faz mais sentido e precisa ser reconsiderado se o país quiser mesmo seguir o seu destino de nação soberana, democrática e tolerante. 30% dos eleitores brasileiros são de esquerda e o PT é a principal força político-partidária deste campo“.

ASCÂNIO SELEME – O GLOBO

A emissora, especialmente o telejornal JN comandado por Willian Bonner e Renata Vasconcelos, abriram o caminho para a ascensão do bolsonarismo e hoje se vê ameaçada por ele, o que é visto na postura de hostilidade de Jair Bolsonaro.

Não faz sentido isolar o PT, dada a sua expressividade na sociedade brasileira, diz O Globo:

“Este agrupamento político, talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional. Passou da hora de os petistas serem reintegrados. O ódio ao PT não faz mais sentido”.

Leia a transcrição:

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Não há como uma nação se reencontrar se 30% da sua população for sistematicamente rejeitada. Esse é o tamanho do problema que o Brasil precisa enfrentar e superar. Significa a parcela do país que vota e apoia o Partido dos Trabalhadores em qualquer circunstância. Falo dos eleitores, não apenas dos militantes. Me refiro aos que acreditam na política de mudança do partido, não aos seus líderes. Os que acreditam e sustentam o PT são a maioria do terço de eleitores perenes do partido, não os que foram flagrados nos dois grandes escândalos de corrupção que marcaram as gestões petistas.

Esse agrupamento político, talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional. Passou da hora de os petistas serem reintegrados. Ninguém tem dúvida de que os malfeitos cometidos já foram amplamente punidos. O partido teve um ex-presidente e seu maior líder preso e uma presidente impedida de continuar governando. Outros líderes históricos também foram presos ou afastados definitivamente da política. Hoje, respeitadas as suas idiossincrasias naturais, homens e mulheres de esquerda devem ser convidados a participar da discussão sobre o futuro do país. Têm muito a oferecer e acrescentar.

A gritaria contra a roubalheira já cansou, não porque se queira permitir roubalheiras, mas porque é oportunista politicamente. Claro que houve desvios de dinheiro público na gestão de Lula e Dilma, as provas são abundantes e as condenações não deixam dúvidas. Mas o PT é maior que isso e, como já foi dito, para ladrões existe a lei. Imaginar que o partido repetirá eternamente os mesmos erros do passado é uma forma simples, fácil e errada de se ver o mundo. Os erros amadurecem as pessoas, as instituições, os partidos políticos. Não é possível se olhar para o PT e ver só corrupção. O petismo não é sinônimo de roubo, como o malufismo.

Superada esta instância, que é mais fácil, terá de se ultrapassar também a índole autoritária que um dia foi semeada no coração do PT e vicejou. Exemplos são muitos, como a tentativa de censurar a imprensa através de um certo “controle externo da mídia”, de substituir a Justiça por “instrumentos de mediação” em casos de agressão aos direitos humanos, ou de trocar a gestão administrativa por “conselhos populares”. Se estas tentações foram barradas no passado, quando até o centrão apoiava o PT, certamente não prosperarão num ambiente muito mais polarizado como o de hoje.

O fato é que o ódio dirigido ao PT não faz mais sentido e precisa ser reconsiderado se o país quiser mesmo seguir o seu destino de nação soberana, democrática e tolerante. Não pode se esperar essa boa vontade dos que carregam faixas pedindo intervenção militar e fechamento do Supremo e do Congresso, um grupelho ideológico, burro e pequeno que faz parte da base do presidente Jair Bolsonaro. Mas é bastante razoável ter esta expectativa em relação a todos os outros, sejam eles de direita, de centro-direita ou de centro.

Não se pode negar que parte considerável do Brasil é de esquerda. Como tampouco há como se ignorar a força da direita nacional. Ambos os campos existem e precisam ser representados politicamente. O Brasil não tem tempo para esperar por uma outra esquerda, renovada e livre da influência do PT. O país precisa se reencontrar logo para construir uma alternativa ao bolsonarismo, este sim um problema grave que deve ser enfrentado por todos. Perdoar o PT não significa abrir mão de convicções. Ao contrário, significa pavimentar caminhos pelos quais pode se chegar ao objetivo comum de paz e prosperidade.

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