7 de setembro pode ser novo tiro no pé de Bolsonaro, temem aliados do presidente

Braga Netto terá conversa detalhada com Bolsonaro sobre o tema, pois tem demonstrado não ter interesse em incendiar a relação com o TSE

A avaliação entre aliados de Jair Bolsonaro (PL) sobre o uso do feriado de 7 de setembro para tentar repetir os ataques contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e para espalhar teorias da conspiração sobre o sistema eletrônico de votação pode ser um novo tiro no pé. Citam-se a reunião realizada com embaixadores, que inaugurou uma sucessão de notícias ruins: manifestações contrárias da cúpula do Judiciário, de servidores de diversos órgãos do governo e até mesmo de governos estrangeiros”, diz matéria Marianna Holanda e Matheus Teixeira, no jornal Folha de S. Paulo.

Ataques às urnas feito a diplomatas motivou empresariado e sociedade civil a adesão a carta em defesa do Estado de Direito. Portanto, se no 7 de Setembro Bolsonaro repetir a receita golpista oferecida aos diplomatas estrangeiros, aliados alertam que pode não haver tempo hábil de reverter a possível rejeição ou as consequências de uma nova crise institucional que o episódio tem potencial de gerar. Uma parcela dos estrategistas avalia que o discurso golpista não traz votos. O Datafolha apontou que Bolsonaro pontua 29%, ante 47% de LULA.

O general Braga Netto foi escalado para ter uma conversa mais detalhada com Bolsonaro sobre o tema. Assessores e interlocutores dizem que o ex-ministro da Defesa e atual candidato a vice do presidente demonstra não ter interesse em incendiar a relação com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o STF, mas aliados reconhecem que é impossível ter previsibilidade com o chefe do Executivo e que há auxiliares próximos de Bolsonaro que gostam de reforçar seu comportamento de ataques a magistrados e às instituições.

O presidente chamou seus apoiadores para irem às ruas no 7 de Setembro na convenção do PL que oficializou sua candidatura e a de Braga Netto: “Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de Setembro, vá às ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez“, disse, sob gritos de “mito”. Além disso, aproveitou sua fala na convenção para a plateia de bolsonaristas para atacar os ministros do STF, sem mencionar diretamente os seus alvos favoritos, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. “Esses poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Isso interessa a todos nós“, afirmou, em referência aos magistrados.

Em outros momentos, apoiadores do presidente vaiaram os ministros do STF e gritaram “Supremo é o povo”. Apesar do teor do discurso, aliados do presidente ficaram aliviados, na convenção, com o fato de ele não ter citado as urnas eletrônicas ou ter lançado novos questionamentos ao sistema eleitoral.

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