“3ª via tem o mesmo projeto de Bolsonaro: privatizar e excluir direitos”

20/07/2021 0 Por Redação Urbs Magna
“3ª via tem o mesmo projeto de Bolsonaro: privatizar e excluir direitos”

Em entrevista ao ‘Grupo Folha’, em Londrina (PR), presidenta do PT Gleisi Hoffmann nega polarização com Bolsonaro: “Ninguém é polo com ele, Bolsonaro não está no campo da democracia, está no do fascismo


PT.ORG

O papel do PT em um amplo programa de reconstrução do Brasil está no centro da disputa entre dois projetos nas eleições de 2022: um, do campo progressista, e o outro, de destruição do Estado brasileiro e de direitos sociais. Nesse cenário, dificilmente haverá espaço para uma terceira via que, no fundo, representa o mesmo neoliberalismo de Bolsonaro, argumenta a presidenta Nacional do PT. Ela concedeu entrevista ao Grupo Folha, nesta segunda-feira (19), em Londrina (PR). Gleisi traçou um panorama do atual quadro político, reforçou a importância das manifestações pela saída de Bolsonaro da Presidência e afirmou que não existe polarização entre Lula e Bolsonaro, que tem claras inclinações fascistas.

Se for analisar o projeto econômico [da terceira via] é o mesmo que o Bolsonaro apresenta: a linha liberal. Ou seja, vão dizer à sociedade “temos um ‘nome’ mais legal como alternativa”, mas que na prática quer implantar o mesmo projeto que tira direitos, que irá privatizar e não irá fazer os investimentos que precisam. É isso que vai diferenciar. Se essa terceira via não for competente para mostrar isso, Bolsonaro vai continuar no extremismo dele e levando gente desse campo para votar nele
Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores
Deputada Federal (PT-PR)

Sobre uma polarização entre o partido e o bolsonarismo, Gleisi considera que o PT não é um polo da extrema direita do ocupante do Planalto, que se caracteriza, sobretudo, por uma postura antidemocrática.

O Bolsonaro não está no campo da democracia. Ele está no campo do fascismo, do autoritarismo, ninguém é polo com ele

No campo da democracia tem vários partidos que tem ideologias que seguem as regras da democracia. Já polarizamos a política desde 1994, com o PSDB. Porque politica é contraposição de projetos, de ideias. O que Bolsonaro faz não é política, ele pegou o caminho do ódio, da mentira

Para Gleisi, é papel das legendas e suas coligações lutar pelas regras democráticas estabelecidas pela Constituição, pela lei, e apresentar seus projetos para apreciação popular no primeiro turno das eleições.

No segundo turno os partidos se ajeitam conforme o projeto. Me preocupa essa história que Lula é polo de Bolsonaro, Bolsonaro é extremista e nós não somos. Sempre tivemos clareza no projeto e programas que vamos defender

CPI da Covid

Gleisi também destacou a importância da CPI da Covid e das manifestações contra Bolsonaro para o início de um processo de impeachment do presidente.

A CPI tem cumprido um papel importantíssimo

Primeiro porque concentrou as atenções e as pessoas conseguem ver o que aconteceu na pandemia. A gestão ou ‘não gestão’ do Ministério da Saúde e agora uma outra vertente que são as denúncias de corrupção na compra das vacinas da Covaxin e agora do CoronaVac, que o ministro teria negociado com uma terceira pessoa, enquanto a venda já tinha sido negociada pelo Butantan

Na avaliação da dirigente, está claro que Bolsonaro cometeu crime e deve ser afastado.

Bolsonaro cometeu o crime de prevaricação e deveria ter denunciado enquanto presidente ao ser comunicado das tratativas da vacina e ele fez vistas grossas para não desestabilizar o governo

O mais interessante é que a CPI possa provocar o processo de impeachment o mais cedo possível. O Bolsonaro não tem a menor condição de governar esse país

Ela adverte que somente pela força dos atos populares o presidente da Câmara, Arthur Lira, poderá abrir um dos mais de 120 pedidos de impedimento de Bolsonaro.

Pressão das ruas e centrão

Enquanto não tiver pressão das ruas o Lira não irá colocar o processo de impeachment pra ser avaliado. Nós queremos discutir para o Brasil um projeto de país. Investimento, geração de emprego, não dá para aceitar 15 milhões de desempregados com renda baixíssima

Ela reconhece a enorme dificuldade para abertura do processo por causa do centrão, que sustenta o governo a um “custo muito alto.”

O governo libera recursos extra orçamentários. Só de emenda de relator que ficou para o presidente da Câmara e Senado distribuir são R$ 20 bilhões, além das emendas impositivas. Eles estão ganhando muito dinheiro e não vão confrontar o governo. A menos que seja um desgaste grande. Por isso precisamos do trabalho nas redes e nas ruas

Gleisi defendeu ainda as manifestações, apesar do quadro de gravidade provocado pela pandemia.

Fazemos parte do Comitê Fora Bolsonaro, com partidos de oposição e movimentos sociais e sindicais, e estamos desde o início participando. Teve um debate grande por preocupação de chamar o povo nas ruas em meio à pandemia. Mas avaliamos o seguinte: a maioria do povo está nas ruas, no transporte público, nas praças e indo atrás de sobrevivência. Não nos sentimos à vontade de não fazer a luta agora

A deputada lembrou da próxima manifestação de massa no país, marcada para o dia 24.

Se a gente quer fazer o enfrentamento ao Bolsonaro não tem outro jeito: é na articulação política e na mobilização social 

Corrupção

Na entrevista, Gleisi também ressaltou que o PT não vê problema algum em debater temas relacionados à corrupção. Ela enfatizou, no entanto, que o presidente Lula é cauteloso antes de acusar outros porque não quer cometer a mesma injustiça que fizeram contra ele.

Ele acha que todo mundo tem direito ao devido processo legal e há uma profunda investigação, inclusive Bolsonaro tem direito a isso. Tem evidências de crime, mas tem que ter a investigação

E foi enfática ao pontuar

Além disso, o PT não tem medo de discutir corrupção. Nós fomos vítima da perseguição política e agora conseguimos vencer essa questão. Dos 15 processos que o presidente Lula sofreu foi absolvido. Inclusive em Curitiba, onde os processos não tinham embasamento legal
Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores
Deputada Federal (PT-PR)


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