Fechem as cortinas: Ditador, Bolsonaro desmonta a arte e cultura dominada pelo ‘marxismo cultural’ e agenda progressista

09/10/2019 1 Por Redação Urbs Magna
Fechem as cortinas: Ditador, Bolsonaro desmonta a arte e cultura dominada pelo ‘marxismo cultural’ e agenda progressista

Na semana passada, a Revista Veja noticiou que o diretor da Funarte, Roberto Alvim, oficialmente decidiu entregar teatro no Rio à companhia evangélica, o que foi documentado com a afirmação de que o presidente Jair Bolsonaro deverá atuar para acabar com o ‘marxismo cultural’


Resultado: toda a equipe da Funarte foi exonerada. Seu diretor acrescentou, à fala sua fala atroz, que está “formando um exército de grandes artistas espiritualmente comprometidos com o presidente e seus ideais.


CONTINUA APÓS AS IMAGENS


Peças e programações foram excluídas da programação sem mais nem menos. Isso incluiu até mesmo as premiadas. E não passou nem as que tinham ganhado editais públicos, premiadas, convidadas, toda burocracia resolvida, e algumas que já estavam sendo divulgadas e vendendo ingressos.

“Caranguejo Overdrive” da Aquela Cia de Teatro ; “Gritos” da Dos a Deux ; a peça infantil “Abrazo”, do grupo Clowns de Shakespeare, sobre repressão, ditadura e censura , Uma mostra sobre a cineasta Dorothy Arzner (1897-1979), que discutiria temas feministas e homossexualidade, o ciclo de palestras Aventuras do Pensamento encabeçados por nomes como Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Mario Novello, José Miguel Wisnik e Tatiana Roque… O musical “Lembro todo dia de você” sobre um jovem que se descobre soropositivo.

É o desmonte da cultura.


Leia a transcrição da Veja:


continua após a seção abaixo:


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O processo a que VEJA teve acesso afirma que o país vive um “momento crucial no combate cultural”. Segundo o texto, é preciso que o governo do presidente Jair Bolsonaro “atue firme e propositivamente na área da arte e cultura, hoje dominada pelo marxismo cultural e pela agenda progressista”.

Em outro texto anexado ao processo, Alvim afirma que está formando um “exército de grandes artistas espiritualmente comprometidos com nosso presidente e seus ideais”. Segundo ele, todos estes estariam dispostos a “dar suas vidas pela edificação do Brasil, através da criação de obras de arte que redefinam a história da cultura nacional”.

O projeto prevê a criação do Teatro Brasileiro de Arte, companhia oficial dedicada à montagem de textos clássicos. O documento traz citações de frases atribuídas ao escritor Olavo de Carvalho e aos atores Carlos Vereza e Regina Duarte.

O processo também detalha a proposta de contratação da atriz Juliana Galdino, mulher de Alvim, para o cargo de diretora artística, no Teatro Plínio Marcos, de Brasília, do projeto de revitalização. Na quinta, 26, Alvim disse a VEJA que ela trabalharia de graça – mas, nos documentos, não há referência a um trabalho voluntário. Ele disse que desistira da contratação: segundo o diretor, por ser casada com ele, a atriz não poderia ter cargo na Funarte mesmo sem qualquer remuneração. Ela comandaria um projeto orçado em 3,508 milhões de reais. A Funarte é ligada ao Ministério da Cidadania.

Nas 63 páginas do processo há, porém, duas indicações de que Juliana seria remunerada. Na página 17 é dito que caberia às produtoras contratadas fazer pagamentos ao diretor artístico (cargo que ela exerceria). O contrato de exclusividade assinado entre Juliana e a Flo Produções e Entretenimento – que representa a atriz – diz que a empresa poderá, entre outros pontos, acertar o “valor do cachê”.

No contrato com a Flo, registrado em cartório no último dia 11, Juliana já é citada como diretora artística do Teatro Plínio Marcos. Cinco dias depois, Alvim ratificou uma solicitação de empenho (reserva de dinheiro) para a Flo Produções no valor de 688 mil reais – a quantia corresponde à primeira parcela do contrato.

Como VEJA revelou na sexta, 27, Roberto Alvim – nome artístico de Roberto Rego Pinheiro – foi o responsável pela indicação da própria mulher para a função. O processo traz uma carta assinada por ele em que o convite é formalizado. No dia 22 de agosto, ela enviou declaração em que aceita o cargo. No documento, ela afirma que seria representada com exclusividade pela Flo Produções e Entretenimento. Juliana e a produtora foram escolhidas sem licitação.

Em resposta a VEJA, Alvim afirmou por WhatsApp, nesta quinta, 3, que o trabalho não remunerado de Juliana consta de projeto de orçamento que estava sendo preparado. Lá, haveria a “discriminação minuciosa” de todos os gastos.

Segundo ele, nenhum contrato foi assinado e nada foi recebido por qualquer produtora. “Todos os processos da Rede Federal de Teatros estão em estudo e análise”, escreveu. Para Alvim, o “o resto é pura denúncia vazia”.

Em e-mail enviado a VEJA na sexta passada, o presidente da Funarte, Miguel Proença, afirmara que também não houve qualquer despesa. Ressaltou não ter aprovado o processo de revitalização da rede de teatros. Segundo ele, ninguém “recebeu nenhum valor relacionado ao projeto, nem houve contratação”.

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