Tiro nas costas: Witzel é ex-juiz federal, isso explica muita coisa – vivenciamos o neofascismo

23/09/2019 1 Por Redação Urbs Magna
Tiro nas costas: Witzel é ex-juiz federal, isso explica muita coisa – vivenciamos o neofascismo

[Witzel] Foi eleito sem enganar ninguém. Cumpre o que prometeu. Os eleitores do RJ que já haviam elegido Crivella como prefeito, conscientemente, elegeram o ex-juiz e seu colega de chapa Flávio Bolsonaro e o pai deste último


por Wilson Ramos Filho para o GGN


Agatha morreu. Tiro nas costas. Antes dela outras crianças foram exterminadas pela PM. Adultos pobres estão sendo mortos diariamente pelas forças do Estado. Todas essas mortes decorrem de algo anterior.


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Witzel é ex-juiz federal. Isso explica muita coisa.

Foi eleito sem enganar ninguém. Cumpre o que prometeu. Os eleitores do RJ que já haviam elegido Crivella como prefeito, conscientemente, elegeram o ex-juiz e seu colega de chapa Flávio Bolsonaro e o pai deste último.

“Quem teme a Deus não precisa de Código Penal”, afirmou Witzel, ainda antes da posse, ao lembrar que como ex-juiz segue as leis, mas que também está alinhado com a religião.

Witzel é cristão convicto. Teme a Deus. Isso também explica muita coisa.

Teve muitos votos na elite, na zona sul, a mesma que fazia caminhadas dominicais em Copacabana, depois da missa, todos de branco, pedindo paz sempre que morria alguém da classe média, vítima de assaltos. Votaram na paz proposta por Witzel que prometia “mirar na cabecinha” de suspeitos. Crianças negras estão sendo assassinadas pela polícia e não houve caminhadas pela paz em Copacabana. Isso explica muita coisa.

Mas Witzel também foi eleito pela maioria negra, pobre, periférica, nas comunidades em que viviam as crianças assassinadas pela PM. Essas comunidades não foram enganadas. Não há uma reação dos pobres em face da política de extermínio, pelo menos não na extensão desejada pelos que se horrorizam diante da barbárie.

Os juízes federais e o MPF não precisam do Código Penal. As condenações a Lula e a posição da AJUFE e da ANPR, os sindicatos dos juízes federais e do Ministério Público Federal, a respeito da Lava-Jato são concludentes.

Agatha morreu. Tiro nas costas. Antes dela outras crianças foram exterminadas pela PM. Adultos pobres estão sendo mortos diariamente pelas forças do Estado. Todas essas mortes decorrem de algo anterior. São consequências da morte da democracia (golpe de 2016) e da morte do Direito, desde que a Direita Concursada, reformadora social, empunhando a cruz e seus próprios códigos, resolveu consertar o país. O supremo tribunal federal, sempre em minúsculas desde que assassinou a Constituição com um tiro nas costas ao impedir a candidatura Lula, permitiu que essa gente chegasse ao poder.

As Relações Indecentes, desnudadas pelas revelações do The Intercept Brasil, obscenas, vão muito além da mera desmoralização do Sistema de Justiça. Põem em questão relações sociais que estão nas comunidades baleadas a esmo, entre os que rezam pela paz trajando branco em bairros nobres, nos tementes a deus que oram pelas Ágathas e também nos nossos entornos, nas nossas famílias, nos grupos que se aglutinam por afinidades diversas.

Isso tem nome. Vivenciamos o neofascismo.

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