Com Bolsonaro, militares fomentam teorias da conspiração para retomar “ocupação da Amazônia”

20/09/2019 0 Por Redação Urbs Magna
Com Bolsonaro, militares fomentam teorias da conspiração para retomar “ocupação da Amazônia”

Na apresentação do projeto, o governo mostra preocupação com a “campanha globalista” que, de acordo com o material, “relativiza a soberania na Amazônia” usando como instrumentos ONGs, população indígena, quilombola, ambientalistas e até a Igreja Católica


Reportagem de Tatiana Dias, no site The Intercept nesta sexta-feira (20), revela que fomentados por teorias da conspiração – que vêem indígenas, quilombolas, ambientalistas, chineses e até católicos como inimigos -, o governo Jair Bolsonaro desenvolveu um projeto para realizar a maior ocupação da Amazônia desde a ditadura militar.

Coordenado pelo coronel reformado Raimundo César Calderaro, o plano foi apresentado pela primeira vez em fevereiro sob a alcunha de projeto Barão de Rio Branco e retoma o antigo sonho dos militares de povoar a floresta sob o pretexto de desenvolver a região e proteger as fronteiras.

Segundo a reportagem, na apresentação o governo mostra preocupação com a “campanha globalista” que, de acordo com o material, “relativiza a soberania na Amazônia” usando como instrumentos ONGs, população indígena, quilombola, ambientalistas e até a Igreja Católica.

A tese é usada como justificativa para execução de obras de infraestrutura, como hidrelétricas e estradas, e para a elevação da participação da região Norte para 50% do Produto Interno Bruto (PIB) “para equilibrar o restante do país”.

A estratégia passa principalmente pela transformação da floresta em áreas agrícolas e a exploração de minérios em territórios indígenas.

No total, o projeto Barão de Rio Branco afetaria 27 terras indígenas e áreas protegidas da chamada Calha Norte — a terra indígena Wajãpi, no Amapá, onde foi relatado o assassinato de um cacique por garimpeiros, é uma delas.

Segundo documentos, o Exército acredita que há uma “grande estratégia indireta” de anulação do estado brasileiro na Amazônia e isso passaria pela atuação de ONGs, ambientalistas a té mesmo a Igreja Católica, que realiza em outubro o Sínodo da Amazônia, visto como um dos “instrumentos” para a “grande estratégia indireta”.

Leia a reportagem na íntegra no site The Intercept

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