Bolsonaro se complica: novos documentos detalham negociação entre Paraguai e grupo brasileiro

13/08/2019 1 Por Redação Urbs Magna
Bolsonaro se complica: novos documentos detalham negociação entre Paraguai e grupo brasileiro

Imagem-titulo: Um grupo de manifestantes protestou na noite de segunda-feira contra o presidente Mario Abdo pelo acordo sobre Itaipu assinado com o Brasil em maio e cancelado em 1º de agosto Foto: NORBERTO DUARTE / AFP/12-8-2019


Representantes da empresa Léros fizeram ao menos duas viagens ao país, acompanhados do suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), para negociar energia de Itaipu


Informações publicadas nesta terça-feira pelo jornal ABC Color do Paraguai afirmam que executivos do grupo brasileiro Léros realizaram pelo menos duas viagens em aviões privados ao país em abril e junho deste ano. Em ambas viagens, afirmou o jornal paraguaio, estava presente o empresário Alexandre Giordano , suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP) , e, segundo o jornal, todos estariam envolvidos numa negociação secreta com a Ande (a Eletrobras do país) para comprar energia do Paraguai produzida pela hidrelétrica de Itaipu , algo que está atualmente proibido.


O ABC publicou uma carta apresentada pela Léros à Ande e assinada pelo diretor da empresa, Kleber Ferreira, na qual o grupo faz uma oferta concreta para comprar energia paraguaia, o que contraria recente nota do Ministério das Relações Exteriores na qual se diz que “o Tratado de Itaipu somente permite a venda de energia produzida pela usina para a Eletrobras e para a Ande. Portanto, não tem qualquer fundamento a especulação sobre a possibilidade de comercialização da energia da usina binacional por parte de alguma empresa que não seja a Eletrobras e a Ande”.

O ex-presidente da Ande Pedro Ferreira, no entanto, afirma que o Paraguai reivindicava que a ata diplomáticaassinada em maio com o Brasil —  e cancelada em 1º de agosto pelo governo paraguaio — incluísse um “ponto 6”, pelo qual o país poderia passar a vender energia diretamente no mercado livre brasileiro. O vice-presidente do país vizinho, Hugo Velázquez, disse no Congresso que, nessa expectativa, houve um chamamento a empresas brasileiras interessadas.

Segundo documento divulgado pelo ABC, a proposta da Léros, que confirmou ao GLOBO seu interesse pela energia do Paraguai e sua relação com Giordano, mas negou qualquer tipo de negociação secreta, foi apresentada em 27 de julho passado. Na carta, o grupo oferece, segundo o ABC, US$ 31,5 por megawatt/hora. Em caso de vender a energia a um terceiro, diz a carta, seria por um valor de US$ 35 por megawatt/hora e a metade da diferença em relação ao valor de US$ 31,5 seria dividida em partes iguais. Ou seja, ambos seriam beneficiados.

Informações do ABC indicam que houve uma primeira viagem em 9 de abril passado, num voo particular num avião Embraer 500 Phenom. O jornal diz que viajaram Giordano, o executivo da Léros Adriano Tadeu Deguirmendjian Rosa, um advogado chamado Cyro Dias Lage Neto e um quarto passageiro identificado como Emannuel Silva Nascimento. O avião teria saído de Foz de Iguaçu e retornado no mesmo dia. Uma segunda viagem, indicou o ABC, aconteceu em 25 de junho, com os mesmos passageiros.

Cyro Dias Lage Neto é advogado de Giordano em um processo de execução de um título extrajudicial que corre no Fórum Regional de Santana, na Zona Norte da capital paulista. Na ação, que começou a tramitar em 2014, é pedido a penhora de um bem do suplente de senador por causa de uma dívida. O advogado tem escritório na Zona Norte de São Paulo, mesmo região onde a família de Giordano possui um sala comercial que foi cedida para abrigar o diretório estadual do PSL no ano passado.

Giordano não respondeu aos questionamentos enviados por mensagem sobre os seus acompanhantes nas viagens ao Paraguai. Procurado em seu escritório, Lage Neto também não retornou.

Desde que veio à tona o escândalo de Itaipu, que quase provocou o impeachment do presidente Mario Abdo Benitez, circulam no Paraguai versões sobre uma negociação secreta entre a Ande e o grupo Léros. Essas versões indicam que a negociação teria ocorrido em paralelo às negociações entre Brasil e Paraguai para definir novos termos pelo pagamento da energia produzida por Itaipu.

Foi selada uma ata diplomática em 24 de maio passado (já que não houve acordo entre os técnicos dos dois países), em Brasília, na qual o Paraguai aceitava comprar mais energia cara de Itaipu (e menos da chamada energia excedente, que é mais barata), como pedia o Brasil. Isso levou a oposição do país a acusar o presidente, seu vice e seu ministro da Fazenda de traição à pátria e pedir o impeachment. Por falta de votos, o pedido não prosperou.

Em meio à crise política no Paraguai, a mídia local divulgou mensagens de WhatsApp entre um advogado que disse ter representado o vice-presidente Hugo Velázquez nas negociações com o Brasil. Nessas mensagens, que o advogado enviou ao ex presidente da Ande, Pedro Ferreira, é mencionada uma negociação com um grupo brasileiro. Em declarações a jornalistas paraguaios, o advogado disse que Giordano participou de uma reunião em Cidade do Leste e que nessa reunião se apresentou como senador e disse ser representante do governo brasileiro.

Ao GLOBO, Giordano confirmou essa viagem ao Paraguai, mas negou que tenha se apresentado como representante do governo.

via ABC Color / O Globo

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