Delatores e delatados começam a denunciar os crimes da Lava Jato nas masmorras de Curitiba

09/08/2019 0 Por Redação Urbs Magna
Delatores e delatados começam a denunciar os crimes da Lava Jato nas masmorras de Curitiba

Os crimes da Lava Jato começam a vir à tona. Não só os diálogos da #VazaJato divulgados pelo site Intercept e demais veículos de imprensa. Também estão vindo à luz denúncias de como as delações eram forjadas nas masmorras de Curitiba


A primeira a ‘delatar a delação’ foi a doleira Nelma Kodama, presa pela força-tarefa em 2014, que afirmou à Rádio Bandeirantes sobre a existência de uma delação premiada para entregar o principal alvo da Lava Jato, qual seja, o ex-presidente Lula.

“O Lula era o assunto. Eu não sou PT, não estou falando sobre política e sim sobre crime. Todo crime precisa ter prova e não houve prova. Cadê o cadáver? Então, qual foi o objetivo? (da prisão)”, disse a doleira à emissora de rádio na quarta-feira (7).

Há uma intensa movimentação nos escritórios de advocacia de Curitiba que defenderam réus na Lava Jato. O Blog do Esmael identificou o início de uma avalanche de denúncias de possíveis crimes da força-tarefa que era comandada pelo procurador Deltan Dallagnol e pelo então juiz Sérgio Moro.

Uma das vítimas da Lava Jato relata que os procuradores fizeram pressão psicológica até em seus familiares de acusados no sentido de obter a delação premiada, e, claro, que incriminasse e entregasse o “bolo da cereja” de toda a operação: L-U-L-A.

Mas os abusos não se limitaram à Lava Jato, segundo O Globo. A repórter Bela Megale conta nesta sexta (9) que o primeiro delator da Operação Zelotes, o advogado e ex-auditor fiscal Paulo Roberto Cortez, entregou que foi “obrigado a fazer uma delação premiada” para que seus bens e valores fossem desbloqueados.

A lei da organização criminosa, a 12.850/2013, prevê o instituto da delação premiada mas estabelece que a negociação entre as partes –Ministério Público Federal ou Polícia Federal e réu—deve ser fruto da vontade e a tortura, mesmo que psicológica, torna nula a colaboração.

Fazendo uma corruptela, o chanceler alemão Otto von Bismarck poderia ter dito, ao invés das leis, que “as delações premiadas são como salsichas. É melhor não ver como elas são feitas”.

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