Se opor a esse governo não significa necessariamente ser ‘Lula Livre’ . Trata-se de uma questão de inteligência

19/07/2019 0 Por Redação Urbs Magna
Se opor a esse governo não significa necessariamente ser ‘Lula Livre’ . Trata-se de uma questão de inteligência

Percebo nos olhos dos amigos de luta a tristeza e o cansaço. E confesso que muitas vezes em que me olhei no espelho ultimamente não gostei do que vi: nossos sorrisos estão mais tímidos, escondidos e raros


por Manno Góes


É triste observar o nepotismo, o populismo, a cretinice, a canalhice, a mediocridade que imperam no país a nadar de braçada à nossa frente.
Sem críticas, questionamentos ou constrangimentos.

Há uma espécie de cegueira coletiva, consequências de um país que enlouqueceu, embruteceu e emburreceu.

O pior é ver que eles não ligam para a História. Não aprendem nada.
Se sentir enojado como esse governo que está aí não significa necessariamente ser “Lula Livre” ou “petista”.

Trata-se de uma questão de inteligência mesmo.

Não ser Bolsonaro, esse equívoco histórico horrível, não significa ser Lula.
Então, perceber essa anestesia intelectual, que compactua com coisas como Olavo de Carvalho, terraplanistas, Damares e essa ruma de gente constrangedora e imoral é doloroso.

Observar a defesa sem críticas à Moro e Dalagnol, mesmo diante das perturbadoras mensagens vazadas é desalentador.

Ouvir de amigos afirmações de que Jean Willys “vendeu” seu mandato ao vereador do Rio David Miranda, repetindo um mantra desonesto e completamente sem noção de fake News criados pro Carluxo, através de seu perfil bizarro “pavão misterioso” é muito triste. É ver derretendo uma admiração, um carinho, uma confiança na capacidade intelectual de tais amigos.

Ouvir pessoas próximas defender que as mensagens do Intercept são falsas e que Gleen, um jornalista premiado com um Pulitzer e um Oscar é um “bandido verdevaldo” é pronfundamete chocante.

Perceber a imaturidade política e desonestidade intelectual em quem você admira é muito impactante.

E sei que não sou só eu que estou passando por isso. Todos nós, que percebemos claramente o esforço feroz de destruírem um projeto de soberania e protagonismo nacional estamos nos sentindo muito tristes. E impotentes. A cada dia é uma surpresa nova. Um choque novo. E uma constatação de que eles não estão ligando.

Sempre foi luta de classes. Sempre foi.

Estamos diante de mais uma: a reforma trabalhista da forma que foi feita; a reforma da previdência tal qual está sendo feita; a vilanização da cultura, do pensamento, do ensino público gratuito; trata-se tão somente de luta de classes.

Nós, que acreditamos em um país mais justo e mais humano, estamos perplexos diante das maldades perpetradas por pessoas que se dizem do bem, conduzidas pela fé e pela palavra de Deus. Nós, que entendemos a palavra de Jesus mesmo sem que necessariamente acreditemos nele como filho de Deus, estamos perplexos. É o oposto do mantra mais simples e repetido de sua palavra: “amai o próximo como a si mesmo”.

Essas ‘pessoas de bem’ odeiam pobres. Odeiam pretos. Odeiam gays. Odeiam as diferenças. E detestaram ver essas diferenças ocupando espaços antes reservados apenas para eles, os nobres e superiores cidadãos da Casa Grande da nossa eterna senzala.

Luta de classes.

Estamos tristes e adoecidos, é verdade.

Mas é agora, mais do que nunca, que precisamos manter a cabeça de pé. Nenhuma maldade dura para sempre.

É da natureza das coisas a luz vencer a escuridão.

Vamos manter nossa alma, cabeça e espírito fortes.

Vamos resistir. A maldade perderá um dia, pois assim foi na inquisição, no nazismo, nas ditaduras e assim será mais uma vez.

Reúnam-se com seus amigos de fé e riam, gargalhem, se divirtam.
Quando for inevitável estar com os parentes e amigos “gente do bem cristã”, respire fundo. Não desperdice saliva nem tempo. Não se desgaste. Esse tempo já passou. As eleições acabaram, mesmo que eles ainda estejam achando que não. Fique de boa. Observe. E guarde na memória. E sorria.

Esteja mais com quem gosta de estar.

Leia mais livros bons. Assista mais filmes. Mais séries. Passeie mais com quem gosta. Dê mais valor a quem você ama. Se ame mais.

Essa dor vai passar.

Pois toda dor é como nuvem que se forma, se desmancha e vai embora.
E se por acaso queimar a pipoca no microondas, dê risada e jogue tudo fora. Há coisas mais importantes para a gente dar atenção!

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Emmanuel Góes Boavista, mais conhecido como Manno Góes (natural de Salvador, 16 de novembro de 1970) é compositor, escritor, cantor e baixista brasileiro. Atualmente assina uma coluna semanal de esportes no jornal A Tarde, em Salvador e faz parte da diretoria da UBC.

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