Economista do Chile diz que modelo da Previdência copiado de seu país produziu massa de pobres por lá e não dará certo no Brasil

19 19-03:00 março 19-03:00 2019 0 Por Redação Urbs Magna
Economista do Chile diz que modelo da Previdência copiado de seu país produziu massa de pobres por lá e não dará certo no Brasil

“Capitalização transformou adultos de classe média em idosos pobres”

Economista chileno Andras Uthoff diz que modelo pinochetista, que produziu massa de pobres no Chile, também não dará certo no Brasil

O economista chileno Andras Uthoff conhece bem o projeto de Previdência que o governo Bolsonaro quer para o Brasil. Professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile e conselheiro regional da Organização Social do Trabalho (OIT), ele ajudou a tirar do papel a contrarreforma que, em 2008, tentou corrigir o encolhimento das aposentadorias causado pelos problemas de privatização da previdência chilena.

A reforma imposta em 1981 pelo ditador Augusto Pinochet – com a ajuda de uma patota de economistas formados na Escola de Chicago – acabou com a contribuição do estado e dos patrões, tanto na Previdência quanto na saúde. Cada trabalhador passou a poupar individualmente para a própria velhice, depositando cerca de 10% dos salário em contas administradas por bancos privados.

Trinta e oito anos depois, o fracasso é provado em números. Quando foi apresentada, a capitalização pinochetista prometia um retorno de 70% do salário médio das contribuições. Mas hoje, a primeira leva de aposentados recebe em torno de 35% de sua renda média

Mesmo após as mudanças da era Bachelet, quase 80% das aposentadorias pagas hoje no Chile estão abaixo do salário mínimo. E 45% dos pensionistas vive abaixo da linha da pobreza (com cerca de 600 reais). A classe média foi a mais afetada, porque passou receber na velhice muito menos do que recebera durante a vida laboral, mas não foi beneficiada pela contrarreforma.

Outra promessa furada, diz Ulthoff, é que os investimentos da Previdência privada impulsionariam a economia chilena. Do fundo de 200 bilhões de dólares em recursos poupados pelos trabalhadores, quase 3/4 do PIB do país, cerca de 40% estão investidos no exterior.

Embora tenha sido apresentada como “alternativa” aos novos ingressantes no mercado de trabalho, a proposta de Guedes levanta campo para a privatização da Previdência. Se for aprovada como está, prevê o economista, vai repetir os dramas chilenos. “O sistema privado caminhou todos esses anos apenas com o aporte dos trabalhadores. Não deu certo lá e não vai dar no Brasil”, diz.

Uthoff esteve em Brasília para participar de um ciclo de debates sobre a Reforma brasileira e falou com exclusividade a CartaCapital sobre as diferenças entre Brasil e Chile.  Leia a entrevista abaixo:

CartaCapital: Muitos economistas brasileiros acreditam que esta reforma, como está agora, deixará uma massa de idosos ganhando menos que o mínimo. Como esse processo aconteceu no Chile?

Andras Uthoff: No Chile, em 1981, os empresários deixaram de contribuir para a pensão de seus empregados, tanto na Previdência quanto na saúde. O sistema sobreviveu exclusivamente do aporte dos empregados, com uma capitalização e má qualidade de empregos. Não deu certo: 79% das pensões financiadas pelo sistema, mesmo após os subsídios estatais, estão abaixo do salário mínimo chileno (cerca de 1810 reais). E 44% dos aposentados vive abaixo da linha da pobreza, ganhando menos de 600 reais por mês. Isso não foi resolvido no Chile e não será resolvido no Brasil com capitalização individual.

CC: Como reagiu a opinião pública quando Pinochet impôs ou o modelo de capitalização dos anos 80?

AU: Como estávamos em uma ditadura até os anos 90, ninguém podia opinar. Simplesmente houve uma mudança de todo o modelo econômico para um projeto neoliberal. E o mercado financeiro foi introduzido nas pensões e nos planos de saúde. O que aquela reforma fez foi destruir a seguridade social, introduzindo o mercado na jogada. Na Previdência, com a capitalização, e na Saúde, com os seguros individuais, na Saúde. O problema é que ao fazer contratos individuais, você deixou desamparada aqueles que não tiveram a capacidade de pagar uma entrada.

CC: Você pode explicar como o processo de 2008 aconteceu no Chile para corrigir essas distorções?

AU: A reforma de 2008 criou a pensão básica solidária e a contribuição previdenciária, pagas por um fundo público. O primeiro, para quem não conseguiu poupar nada. E o segundo para quem economizou, mas não o suficiente para se manter na velhice. Mas só recebem aqueles cuja renda familiar ficam entre os 60% mais pobres. Portanto, não é universal. A solução de 2008 melhora a cobertura, mas não muda efetivamente as aposentadorias.

CC: Você também diz que a classe média foi a mais prejudicada pela reforma chilena. Por quê?

AU:Sim, a classe média é a mais afetada porque é assalariada e sua renda previdenciária cai substancialmente. Quando a reforma foi implantada, prometia-se uma aposentadoria de 70% da média do salários que a pessoa recebera durante a vida ativa. Hoje em dia, as taxas de reposição são em média de 35%. Quer dizer que a renda dessas pessoas diminuiu 65%, é uma mudança muito grande. Você vive a vida de trabalhador como classe média. Ao sair dela, se torna pobre. 

CC: Em outras entrevistas, você disse que não era a favor do retorno de um sistema totalmente público. Qual seria o seu modelo de ideal de Previdência?

AU: Os modelos ideais não existem. Cada país deve construir o seu, de acordo com as limitações impostas pelas restrições e desigualdades orçamentárias, a fim de cumprir o marco regulatório da seguridade social. Existe consenso de que os sistemas devem ser de múltiplos pilares e não apenas de capitalização individual. A OIT propõe a construção da escada de segurança com um piso universal não-contributivo, um pilar coletivo de solidariedade e um suplemento de capitalização individual obrigatório ou voluntário.

O atual sistema brasileiro já tem esse design. Precisa ser melhorado, é verdade. Mas não substituído.

Dino Barsa para o Et Urbs Magna via Carta Capital

Receba nossas atualizações direto no seu WhatsApp – Salve nosso número em sua agenda e envie-nos uma mensagem – É GRÁTIS – ACESSE AQUI

Doe ao Et Urbs Magna

𝚂𝚘𝚖𝚘𝚜 𝚘 𝚕𝚒𝚟𝚛𝚎 𝚊𝚛𝚋í𝚝𝚛𝚒𝚘; 𝚊 𝚕𝚒𝚋𝚎𝚛𝚍𝚊𝚍𝚎; 𝚊 𝚟𝚎𝚛𝚍𝚊𝚍𝚎. 𝙿𝚛𝚎𝚘𝚌𝚞𝚙𝚊𝚖𝚘-𝚗𝚘𝚜 𝚞𝚗𝚜 𝚌𝚘𝚖 𝚘𝚜 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜 (𝚗𝚒𝚗𝚐𝚞é𝚖 𝚜𝚘𝚕𝚝𝚊 𝚊 𝚖ã𝚘 𝚍𝚎 𝚗𝚒𝚗𝚐𝚞é𝚖); 𝚌𝚘𝚖 𝚘𝚜 𝚌𝚘𝚖𝚙𝚊𝚝𝚛𝚒𝚘𝚝𝚊𝚜; 𝚌𝚘𝚖 𝚊 𝚜𝚘𝚋𝚎𝚛𝚊𝚗𝚒𝚊; 𝚌𝚘𝚖 𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚐𝚛𝚎𝚜𝚜𝚒𝚜𝚖𝚘. 𝙽ã𝚘 𝚌𝚊𝚋𝚎𝚖 𝚎𝚖 𝚗ó𝚜 𝚊 𝚝𝚒𝚛𝚊𝚗𝚒𝚊; 𝚊 𝚒𝚛𝚊; 𝚊 𝚖𝚎𝚗𝚝𝚒𝚛𝚊; 𝚊 𝚖𝚊𝚗𝚒𝚙𝚞𝚕𝚊çã𝚘. 𝚃𝚞𝚍𝚘 𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚍𝚎𝚜𝚎𝚓𝚊𝚖𝚘𝚜 é 𝚜𝚎𝚞 𝚋𝚎𝚖 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛; 𝚜𝚞𝚊 𝚏𝚎𝚕𝚒𝚌𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎; 𝚜𝚞𝚊 𝚙𝚛𝚘𝚜𝚙𝚎𝚛𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎. 𝚀𝚞𝚎𝚛𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚝𝚎 𝚎𝚗𝚌𝚘𝚗𝚝𝚛𝚊𝚛 𝚎 𝚝𝚎 𝚊𝚌𝚘𝚕𝚑𝚎𝚛 𝚌𝚘𝚖 𝚞𝚖𝚊 𝚙𝚊𝚕𝚊𝚟𝚛𝚊; 𝚞𝚖 𝚘𝚕𝚑𝚊𝚛; 𝚞𝚖 𝚐𝚎𝚜𝚝𝚘; 𝚞𝚖 𝚖𝚘𝚟𝚒𝚖𝚎𝚗𝚝𝚘. 𝙴𝚜𝚜𝚎 é 𝚘 𝚌𝚎𝚛𝚝𝚘. 𝚀𝚞𝚎𝚛𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚌𝚘𝚖 𝚟𝚘𝚌ê 𝚝𝚘𝚍𝚘𝚜 𝚊𝚜 𝚑𝚘𝚛𝚊𝚜; 𝚝𝚘𝚍𝚘𝚜 𝚘𝚜 𝚍𝚒𝚊𝚜; 𝚝𝚘𝚍𝚘𝚜 𝚘𝚜 𝚖𝚎𝚜𝚎𝚜 𝚎 𝚊𝚗𝚘𝚜. 𝚀𝚞𝚎𝚛𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚊𝚋𝚎𝚛 𝚚𝚞𝚎 𝚟𝚘𝚌ê 𝚎𝚜𝚝á 𝚋𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚏𝚒𝚌𝚊𝚛𝚖𝚘𝚜 𝚋𝚎𝚖. 𝙲𝙾𝙽𝚃𝚁𝙸𝙱𝚄𝙰 𝚌𝚘𝚖 𝚘 𝚅𝙰𝙻𝙾𝚁 𝚀𝚄𝙴 𝙳𝙴𝚂𝙴𝙹𝙰𝚁 𝚎 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚒𝚗𝚞𝚊𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚎 𝚟𝚘𝚌ê 𝚚𝚞𝚒𝚜𝚎𝚛 𝚚𝚞𝚎 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚒𝚗𝚞𝚎𝚖𝚘𝚜. 𝐀 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐫 𝐝𝐞 𝐔𝐒𝐃 $ 𝟏𝟎 / 𝐔𝐒𝐃 $ 𝟏𝟎𝟎 / 𝐔𝐒𝐃 $ 𝟏.𝟎𝟎𝟎 / 𝐔𝐒𝐃 $ 𝟏𝟎.𝟎𝟎𝟎

$10.00

Anúncios