Risco Bolsonaro dispara: verborragia presidencial assusta mercado e ministros jogam areia na economia

18 18-03:00 março 18-03:00 2019 2 Por Redação Urbs Magna
Risco Bolsonaro dispara: verborragia presidencial assusta mercado e ministros jogam areia na economia

Investidores ficam assustados com verborragia de Bolsonaro – Manifestações presidenciais inquietam até o mercado financeiro, enquanto os ministros jogam areia no crescimento. Nociva para o comércio externo e os investimentos no País, a incontinência verbal do presidente, secundada pela visão obscurantista dominante no seu ministério, passou a inquietar também o sistema financeiro que bancou sua candidatura.

Cresce a toda velocidade o risco Bolsonaro para a economia brasileira, e não é de hoje. No começo do ano passado, o capitão reformado visitou Taiwan e irritou a China, maior parceiro comercial do País e que considera aquela ilha uma “província rebelde”. Meses depois disse, na condição de candidato, que o país oriental não pretendia investir no Brasil, mas comprá-lo.

Quando alçou o primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, manifestou preocupação com a privatização da Eletrobras e o risco de “deixar o Brasil na mão do chinês”. O seu ideólogo Olavo de Carvalho jogou gasolina no fogaréu ao dizer que o grupo de deputados do PSL que visitou Pequim pouco antes das eleições tinha viajado para “entregar o Brasil ao poder chinês”.

As reações indignadas da diplomacia e da mídia chinesas foram seguidas de reações concretas. Na quinta-feira 7 o jornal Valor noticiou o travamento do Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva, que pode chegar a 20 bilhões de dólares, por causa da retórica anti-China de Jair Bolsonaro. Na segunda-feira 11, o jornal Times, de Pequim, anunciou forte redução da perspectiva de importações de soja brasileira neste ano, das 83,8 milhões de toneladas previstas em dezembro para 70,1 milhões, declínio atribuído pela publicação ao aumento das compras dos EUA em decorrência da atenuação das tensões comerciais sino-estadunidenses.

As bombas atiradas pelo presidente ao comércio externo do próprio país incluíram, é preciso lembrar, sua declaração em novembro de que transferirá a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, seguida do cancelamento pelo governo do Egito da recepção organizada no Cairo para a comitiva de empresários brasileiros que já desembarcara naquele país e da declaração do presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun, de que a mudança da sede da representação diplomática em Israel pode abrir as portas do mercado árabe para concorrentes do Brasil no setor de proteína animal, como Turquia, Austrália e Argentina.

Tudo isso, anote-se, em um contexto mundial complicado pela guerra comercial sino-americana e pelo aumento do protecionismo, isto é, de dificuldades crescentes para as exportações. Na segunda-feira 11, o governo voltou à carga na aula magna do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a alunos do Instituto Rio Branco, com crítica aos governos anteriores por “diversificarem a quantidade de parceiros internacionais com a inclusão da China, da Europa e das nações latino-americanas entre os mercados preferenciais”.

A retórica anti-China do presidente paralisou fundo de 20 bi para o País.

Nociva para o comércio externo e os investimentos no País, a incontinência verbal do presidente, secundada pela visão obscurantista dominante no seu ministério, passou a inquietar também o sistema financeiro que bancou sua candidatura, mostra a reação ao tuíte de Bolsonaro com vídeo que exibe um homem urinando sobre a cabeça de outro, disparado na terça-feira 5 durante o Carnaval. A indagação do Financial Times na sexta-feira 8 quanto à possibilidade de manifestações como a do “xixigate” (apelido dado pelo jornal britânico à escatologia bolsonariana) comprometerem as reformas foi acompanhada de alta do dólar de 3,78 reais para 3,84 no dia seguinte ao da tuitada, patamar em que continuava na quarta-feira 13. O fato de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter divulgado no domingo 10, em entrevista ao Estado de S. Paulo, a tramitação pelo governo de uma Proposta de Emenda Constitucional no Senado para mudar o chamado pacto federativo e acabar com os gastos obrigatórios em saúde e educação e as vinculações orçamentárias, anunciada antes como o seu plano B para o caso de a reforma da Previdência não passar no Congresso, sugere que o Chicago Boy não acredita mais na aprovação de um projeto previdenciário minimamente aceitável pelo sistema financeiro e decidiu assumir logo o plano B.

Menos investimento público breca os motores da economia, o Minha Casa Minha Vida e a transposição do São Francisco (Foto: Reprodução)

Capitalização, um fracasso mundial

Reformas da Previdência do tipo defendido por Bolsonaro e Guedes, que incluem sistema de capitalização, fracassaram e foram revertidas totalmente ou em parte em 18 dos 30 países que as adotaram entre 1981 e 2014, mostra estudo da Organização Internacional do Trabalho divulgado na segunda-feira 11. Argentina, Equador, Nicarágua, Bolívia, Venezuela, Rússia, Polônia, Hungria, República Tcheca, Bulgária, Eslováquia, Estônia, Letônia, Lituânia, Croácia, Macedônia, Cazaquistão e Romênia voltaram atrás, contabiliza a OIT. A capitalização, detalha a entidade, “exige que o trabalhador abra uma poupança pessoal em que terá de depositar todo mês para conseguir se aposentar. A conta é administrada por bancos que cobram taxas pelo serviço e ainda podem utilizar parte do dinheiro para especular no mercado financeiro. Eles são os únicos que ganham com a privatização”, conclui a Organização. O governo diz, entretanto, que seu projeto acertará as contas públicas e isso aumentará a confiança dos empresários na economia, levando-os a investir, mas é difícil imaginar a concretização de novos investimentos com o mercado consumidor estagnado e sem perspectivas de retomar tão cedo o poder aquisitivo anterior à recessão de 2015 e 2016, analisam vários economistas.

Dos 30 países que adotaram a capitalização, até agora 18 voltaram atrás.

É preciso considerar também, além dos abalos provocados no conjunto da economia pelo contínuo destampatório de Bolsonaro e do efeito discutível da reforma pretendida para a Previdência, a ação negativa do governo em relação aos três motores do crescimento da economia, que são, segundo o economista Ricardo Bielschowsky, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as exportações baseadas em recursos naturais, o investimento público em infraestrutura e habitação e o consumo doméstico.

O motor número 1, das exportações de recursos naturais, está ameaçado pela intenção do governo de fazer cortes em todos os subsídios do Tesouro, obrigando o setor rural, por exemplo, a financiar-se a taxas de mercado, o que encareceria as exportações do agronegócio, responsáveis por 20% do PIB, e quebraria a agricultura, segundo empresários do setor e a própria ministra da área, Tereza Cristina. O resto do mundo, anote-se, subsidia pesadamente a agricultura.

O CORTE NOS SUBSÍDIOS AMEAÇA O AGRONEGÓCIO E A COMBINAÇÃO DE AUSTERIDADE E REFORMA TRABALHISTA CRIOU OBSTÁCULO PARA O CONSUMO (FOTO: GERO/FOTOARENA E APPA)

O motor número 2, do investimento público em infraestrutura e habitação, sinaliza pane com a estimativa de recursos do governo no total de apenas 27 bilhões de reais para investimentos em 2019, o menor montante em 14 anos, segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado. Além disso, a comissão mista de orçamento definiu a dotação de 4,6 bilhões de reais para o Minha Casa Minha Vida neste ano, 10% abaixo do valor de 2018, e uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica determinou que os custos das redes de distribuição de energia elétrica nos empreendimentos de interesse social não serão mais bancados pelas distribuidoras.

O motor número 3, do consumo doméstico, está parado desde 2016 em consequência do estrangulamento da renda das famílias provocado pela combinação de austeridade fiscal, reforma trabalhista compressora de salários e eliminadora de direitos, desemprego de cerca de 12 milhões de pessoas e declínio previsível da organização e das pressões sindicais por aumentos salariais após a extinção em março, por Medida Provisória, da contribuição sindical na folha de pagamento das empresas.

Medido pelo tamanho do seu efeito no conjunto da economia, o problema mais grave dentre os três apontados acima é o da redução do investimento público, mostra artigo do economista Guilherme Riccioppo Magacho, professor da Universidade Federal do ABC. “Depois de quase uma década de altas taxas de crescimento econômico, pelo menos em relação a seus próprios padrões, a partir de 2013 a economia brasileira voltou a crescer em um ritmo mais lento e, mais recentemente, começou a encolher. (…) A principal conclusão é de que os preços das commodities explicam mais de um terço da queda na produção, enquanto a redução nos investimentos em infraestrutura e habitação explica quase metade dessa queda”, chama atenção Magacho, que centrou sua análise no período de 2010 a 2016. Cabe sublinhar dois aspectos. O primeiro é que a pesquisa confronta a explicação predominante em muitas análises de que a causa principal da retração da economia foi o fim do ciclo de altos preços das commodities, fenômeno totalmente fora do controle do governo. O segundo aspecto é que, se os investimentos públicos explicam quase metade do declínio da produção, encaminhar o crescimento está muito mais nas mãos do governo do que os neoliberais gostariam de admitir.

O quadro acima indica perspectivas nebulosas. Parece remota a possibilidade de Bolsonaro conter-se na propagação de barbaridades online, pois a técnica do chamado Big Data, que em vez de obter a clássica amostragem revela o conjunto de determinado universo conectado, combinada a uma rede como o WhatsApp possibilita identificar os chamados influenciadores de indivíduos (diferentes dos formadores de opinião que levam suas mensagens para as massas) e alimentá-los continuamente com informações, memes, reportagens, fakes, vídeos e indicações de ações de modo a converter aqueles mais fanáticos em eternos multiplicadores, como explica o analista Caio Almendra no site Medium Corporation. O hiperativismo social-midiático destrutivo do presidente da República em um contexto de conflitos incessantes entre integrantes do próprio governo, barbaridades econômicas, políticas e comportamentais cometidas todos os dias, indústria em recessão, agravamento das condições de vida da maior parte da população, escalada da violência e piora do cenário externo prometem um tumulto sem fim.

Dino Barsa para o Et Urbs Magna via Carta Capital

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