“Vão matá-lo na cadeia”. O Brasil assistirá a morte de Lula?

2 de fevereiro de 2019 1 Por Redação Urbs Magna
“Vão matá-lo na cadeia”. O Brasil assistirá a morte de Lula?

O prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel foi ao ponto: “Temo pela vida de Lula”. As palavras do argentino estão numa entrevista concedida após a proibição de que o ex-presidente pudesse comparecer ao enterro do irmão Vavá. As leis brasileiras, esbulhadas sob o comando de quem justamente deveria ser o primeiro a defendê-las, o Supremo Tribunal Federal, já nada valem num país onde desde o golpe de 2016 vigora um estado de exceção.

Como que entorpecida pela ofensiva da extrema direita, a maioria dos brasileiros assiste sem reação aparente ao rebaixamento na escala civilizatória.

Reforma trabalhista, censura à imprensa e ataque a jornalistas, desemprego, criacionismo nas escolas, xingamentos por parte de “autoridades”, bruxarias transformadas em “ciência”, licença para matar, anistia antecipada para empresas abutres como a Vale –não há um setor da vida dos cidadãos que venha sendo poupado.

A próxima contenda está marcada: a liquidação da aposentadoria. Não basta destruir o presente do povo; o futuro também tem que ser eliminado, em benefício do grande capital.

Mas para isso é preciso apagar vestígios de um tempo em que o país chegou a sonhar com uma existência melhor. Até os adversários sabem: o maior símbolo daquela época se chama Luiz Inácio Lula da Silva.

Para quem tinha dúvidas de que Lula é um preso político, a crueldade que cercou a proibição de assistir ao enterro do irmão dirimiu qualquer incerteza. Num artigo magistral, Paulo Moreira Leite no 247, expôs o significado da decisão. Nem mesmo na ditadura militar, Lula, então preso, foi impedido de presenciar o enterro de um parente, no caso sua mãe. Diferentemente de agora, inexistia lei que lhe desse esse direito. Mas até Romeu Tuma, que nunca foi flor que se cheire, permitiu o acesso.

Lula está sendo alvo de um cerco brutal, truculento, homicida. Querem matá-lo de inanição, não a mais comum, como impedi-lo de comer. Quem conhece um pouco daquele que sem dúvida é o maior líder popular da história do país, sabe que Lula respira política, adora conversar, tem apego pela família, é capaz de atravessar madrugadas em claro só pelo prazer de um bate-papo com amigos ou contatos com o povo.

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