Miúcha morre aos 81, deixa obra bela e relevante – Cantora foi mais do que a ‘irmã de Chico Buarque’, a ‘ex-mulher de João Gilberto’ e a ‘mãe de Bebel’

27 27UTC dezembro 27UTC 2018 0 Por Redação Urbs Magna
Miúcha morre aos 81, deixa obra bela e relevante – Cantora foi mais do que a ‘irmã de Chico Buarque’, a ‘ex-mulher de João Gilberto’ e a ‘mãe de Bebel’

Heloísa Maria Buarque de Hollanda (30 de novembro de 1937 – 27 de dezembro de 2018), a cantora e (eventual) compositora carioca conhecida como Miúcha, saiu de cena no fim da tarde de hoje, na cidade natal do Rio de Janeiro, aos 81 anos, sem o devido reconhecimento.

Miúcha foi cantora interessante e deixou discos relevantes, mas sempre pareceu ser mais conhecida como a irmã de Chico Buarque. Ou a ex-mulher de João Gilberto. Ou, a partir dos anos 2000, a mãe de Bebel Gilberto.

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Mais tarde, em 1989, foi Miúcha quem deu voz a quatro músicas de Guinga – com letras de Paulo César Pinheiro – em disco lançado anos antes de Guinga ser descoberto pelos críticos musicais e alçado à condição de gênio da MPB.

Miúcha deixa discografia que inclui três álbuns gravados com Tom Jobim — Foto: Beti Niemeyer / Divulgação
Miúcha deixa discografia que inclui três álbuns gravados com Tom Jobim — Foto: Beti Niemeyer / Divulgação

Miúcha nunca fez questão de ser moderna, de seguir as modas musicais, e nisso sempre foi bem parecida com o irmão Chico Buarque. Miúcha gostava de cantar e gravar músicas de Tom Jobim, de Vinicius de Moraes e do próprio Chico, claro.

O universo particular da cantora sempre gravitou em torno dos cancioneiros dos compositores que abasteceram os repertórios da Bossa Nova e da MPB surgida na era dos festivais dos anos 1960.

São esses compositores – Chico, Tom, Vinicius, Guinga, eventualmente Edu Lobo ou Carlos Lyra – que predominam nas assinaturas dos repertórios de álbuns como Rosa amarela (feito em 1997 para o Japão e lançado no Brasil em 1999), Miúcha.Compositores (2002), Miúcha canta Vinicius & Vinicius (2003), Outros sonhos (2007) e o derradeiro Ao vivo no Paço Imperial (2015).

Em 1978, ano em que a então censurada música Cálice (1973) foi liberada, Miúcha registrou a parceria de Chico com Gilberto Gil em compacto raro e obscuro no qual apresentou a filha Bebel Gilberto.

Miúcha deixa uma obra. Uma obra iniciada com compacto editado em 1975 e que inclui disco de 1976 assinado com o saxofonista norte-americano de jazz Stan Getz (1927 – 1991) e com João Gilberto. Mas talvez, para a maior parte do público, ela continuará sendo a irmã do Chico, a ex-mulher do João e até mesmo a mãe de Bebel.

Azar de quem nunca abriu os ouvidos para escutar com atenção gravações precisas, sem afetações, como as da valsa Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes, 1960), da qual Miúcha fez em 1977 o melhor registro, aliás.

Miúcha sai de cena. Mas o canto da artista há de ficar para a posteridade e de ter o devido valor reconhecido no futuro. Ou talvez a morte da cantora a faça receber postumamente as flores que quase nunca lhe deram em vida.

Et Urbs Magna via G1

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