Conheça as maravilhas de Cuba, que capitalistas sempre temeram que você descobrisse e esconderam com mentiras inacreditáveis

16 16-03:00 dezembro 16-03:00 2018 1 Por Redação Urbs Magna
Conheça as maravilhas de Cuba, que capitalistas sempre temeram que você descobrisse e esconderam com mentiras inacreditáveis

CUBA: UM PAÍS ÚNICO!

O capitalismo difere do socialismo no sentido da progressão econômica relativa à prosperidade de cada indivíduo integrante de uma comunidade. No primeiro, o esforço individual deverá ser notadamente exagerado para dar bons resultados e alguma independência financeira. Já no segundo, a participação do governo é fundamental para o desenvolvimento de cada elemento da sociedade.

Cuba é um símbolo mundial, desde a sua revolução nacionalista de 1959, onde um grupo de jovens com vinte e poucos anos organiza uma revolução, assalta um quartel pra ter armas, se une a outros movimentos revolucionários e consegue derrubar um ditador, Fulgêncio Batista, um fantoche dos EUA, como a maioria dos governos da América Central de então e talvez até hoje.

Os revolucionários não eram militantes comunistas desde sempre, ao contrário do que se pensa. Eles, liderados por Fidel Castro, estatizam as empresas estadunidenses. Os EUA respondem, proibindo suas empresas de comprarem qualquer produto cubano, a começar pelo açúcar, seu principal produto de exportação. A intenção era sufocar a economia cubana.

No contexto de guerra fria, os soviéticos se ofereceram pra comprar tudo o que os estadunidenses deixaram de comprar e ainda venderiam petróleo mais barato pra Cuba. Essa ajuda “providencial” estimulou Cuba a aderir ao bloco socialista. Cuba se declara então, DEPOIS da revolução, como um país socialista.

As primeiras medidas tomadas pelos revolucionários são extremamente populares. A reforma agrária é feita e, portanto, terras são distribuídas a centenas de milhares de camponeses sem-terra; casas são distribuídas e todos os cubanos passam a ter acesso à moradia, as praias que eram restritas à elite cubana e aos estrangeiros, passam a poder ser frequentadas por gente simples.

Cuba faz pesados investimentos em educação e extingue o analfabetismo em apenas dois anos com uma medida drástica: cria-se um programa de alfabetização em larga escala, onde os universitários, militares, professores, etc. são enviados ao campo para ensinar os camponeses a ler e escrever e finca-se uma bandeira em cada região onde se extinguiu o analfabetismo, como símbolo da luta contra a ignorância.

A saúde é tornada publica e gratuita, e recebe também pesados investimentos. Há faculdades de medicina em todas as províncias de Cuba e os remédios são gratuitos. Cuba torna-se uma referência em saúde. Tendo indicadores de saúde num “padrão europeu” de qualidade, superior à toda a América Latina.

A cultura esportista é disseminada e torna Cuba, um “paizinho” que hoje tem 11 milhões de habitantes em uma potência olímpica, só ficando atrás dos EUA nas Américas.

O que vi em Cuba foi um povo culto, onde tive a impressão que todos têm uma boa noção de inglês, todos tem alguma noção de política, de história, são inteligentes e muito bem formados. Nos bares por exemplo, pianistas tocavam de música clássica à “garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius, e “My way”, de Sinatra. E como ouvi essa música linda em Cuba! O que provou pra mim, que esse anti-americanismo cultural bobo, não existe por lá. Se for bom, eles curtem.

Outra coisa que me impressionou muito na viagem, foi a segurança. É um país incrivelmente seguro. A população é completamente desarmada. Vi alguns policiais sem armas, só com o cassetete, embora a grande maioria tivesse armas de fogo. O que tem de violência são furtos, brigas de rua, etc. Andei com dinheiro e celular no bolso, tirando fotos o tempo todo como um bom turista, até de madrugada por Havana e em momento algum senti medo, mesmo nas ruas mal iluminadas da cidade.

Todos estes fatores tornaram Cuba um símbolo mundial, em especial na América Latina. Um símbolo de resistência ao imperialismo estadunidense; gerando a simpatia de gerações de esquerdistas latino-americanos, como eu, que viam em Cuba, um país tão pequeno, capaz de enfrentar e se sustentar frente ao maior império global, como um exemplo a ser seguido. Isso estimulou o meu “turismo sociológico”, com a intenção de conhecer e tentar entender Cuba, como muitos já fizeram antes de mim. E o que vi foi um país único e um paraíso de contradições.

Cuba não está bem economicamente. Isso eu já sabia, mas é pior do que eu imaginava. As condições materiais do povo, pelo que vi, não são boas. Um cubano médio tem menos acesso a bens que um brasileiro médio.  As casas cubanas que vi, em sua maioria, eram mais simples que as casas dos subúrbios do Rio de Janeiro. Parte de Havana velha (parte histórica), me pareceu uma favela. Bens de consumo como computadores, micro-ondas e outras coisas com as quais um brasileiro de “classe C” está acostumado, lá são artigos de luxo, pois são caros. Beber cerveja nos fins de semana também está longe de ser acessível a todos, pois também é caro para um cubano médio. Assim como comprar shampoo e condicionador.Com certeza, o criminoso bloqueio econômico que os EUA fazem com Cuba é o principal motivo disso.

Qualquer navio que parar em Cuba fica proibido de entrar nos EUA por 6 meses, o que faz com que a maioria dos navios do mundo tenham que escolher Cuba ou os EUA para comercializar. O que vocês acham que eles escolhem? Isso faz com que os cubanos paguem 15 mil dólares em um Lada (carro russo) dos anos 1980, por exemplo, pois estão proibidos pelos EUA de comprar carros americanos. Então tudo para os cubanos acaba ficando muitíssimo mais caro. Esse bloqueio tem a clara intenção de fazer propaganda negativa do socialismo. Estrangular a economia cubana e mostrar as penúrias decorrentes disso como um fracasso do socialismo é uma propaganda do capitalismo disseminada pra tudo o mundo e funciona muito bem para quem não sabe ver para além das aparências, ou seja, a maioria das pessoas. É como se os EUA estivessem dizendo para o mundo: “Tá vendo como o socialismo é ruim? Olhe pra Cuba”.          

Mas também existe uma má gestão da economia. Desperdício de recursos, e uma lógica irracional que se vê em todo canto. Exemplo: em um restaurante estatal onde fui, havia duas geladeiras vazias que estavam ligadas e duas outras com muitos poucos produtos, que poderiam ser colocadas em uma só geladeira.Outro: em alguns museus há excesso de funcionários, enquanto muitas ruas estavam sujas. Por que não direcionar mais trabalhadores para limpar as ruas e menos para os museus? Perguntei a muita gente, mas não consegui descobrir o peso de cada um dos fatores na explicação da má situação econômica. Mas acho que o bloqueio é o principal.

No aspecto político, a democracia cubana é mais de “brincadeirinha” do que de fato. O povo participa das decisões, mas no que de fato importa para a política já está decidido pelo partido comunista, que pelo que conversei com as pessoas, também não é democrático. Existe uma estrutura formal democrática, mas que é controlada pelo Partido com mecanismos sutis de vigilância que os cubanos evitam falar, o que é outro indicativo de falta de liberdades individuais.Então perguntei a duas pessoas bastante instruídas. Já que é o partido comunista que tem o controle da vida política e este é aberto à participação de todos, porque vocês então não entram para o partido comunista e fazem as suas propostas? Me responderam que o partido já tem sua política definida e que é difícil mudar. Me pareceu que eles não acreditam mais na participação política formal, que já desistiram por ver que não muda.

Enfim, foi uma das experiências mais ricas da minha vida ir pra Cuba e conhecer esse paraíso de contradições! Recomendo a viagem a todos os que se interessam pela Sociologia, Política, etc. Valeu a pena ê ê!Viva Cuba!

por Vitor Fernandes

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