O RIO, COM INTERVENÇÃO DO EXÉRCITO RUIM E SOLDADOS MORRENDO, CLAMA POR LULA PARA “INVESTIR NO SOCIAL”

25 de agosto de 2018 0 Por Redação Urbs Magna
O RIO, COM INTERVENÇÃO DO EXÉRCITO RUIM E SOLDADOS MORRENDO, CLAMA POR LULA PARA “INVESTIR NO SOCIAL”

Rio em colapso – Violência fora de controle

Nova iniciativa do comando da intervenção militar nos complexos da Maré, Penha e do Alemão abusa da violência, registra um alto número de baixas e obtém resultados inexpressivos na luta contra o crime organizado


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Da IstoÉ – A intervenção federal na Segurança do Rio de Janeiro vem fracassando a olhos vistos. Na semana passada, na maior operação feita até agora contra o crime organizado e o tráfico de drogas no estado, houve um excesso de baixas, muita violência e resultados inexpressivos. A ação do Comando Conjunto da Intervenção Federal abrangeu 26 comunidades da Zona Norte, nos Complexos da Maré, Penha e do Alemão, e afetou uma população de 550 mil moradores. Foi deflagrada na madrugada de domingo para segunda-feira 20. E deixou um saldo inicial de seis suspeitos e três militares mortos — o cabo Fabiano de Oliveira Santos, 36 anos, e os soldados João Viktor da Silva, 21 anos, e Marcus Vinicius Viana Ribeiro. Foram os primeiros combatentes mortos desde o início da intervenção, em março. A operação também prendeu 10 pessoas e apreendeu quatro granadas, duas pistolas e 430 quilos de droga.

A ação do Comando Conjunto da Intervenção Federal nos três complexos não tem prazo para acabar e conta com a participação de 4,2 mil militares da Forças Armadas e o auxílio das forças especiais das policiais civil e militar. Especialistas criticam a estratégia de confronto direto com o crime organizado em substituição ao trabalho de inteligência.

Desde que a intervenção militar começou sob o comando do coronel Walter Braga Netto, os índices de criminalidade e de mortes no estado só pioraram. Entre os homicídios, 27% aconteceram em decorrência da ação das polícias. Houve um aumento de 38% nas mortes por agentes de segurança. Em compensação, houve uma queda na apreensão de armas pesadas, de 265, em março, para 194, em julho. Em várias áreas da cidade as disputas entre quadrilhas de traficantes e de milicianos estão absolutamente fora de controle. Na comparação com o ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve também um aumento dos tiroteios ou disparos de 2966 para 4732 casos.

Aumento da letalidade

“A intervenção tem sido desastrosa, pois aumentou a letalidade”, afirma o advogado Breno Melaragno, membro da Comissão de Segurança Publica da OAB-RJ. As críticas se estendem a outros aspectos da ação. No período de seis meses, segundo o Observatório da Intervenção, houve 372 operações, que mobilizaram um total de 172 mil agentes, para apreender apenas 373 armas. Foram registrados 2.617 homicídios, 736 pessoas mortas pela polícia e 99.571 roubos. O resultado, além de mais violência, é o descrédito da intervenção. Pesquisa do instituto Datafolha realizada na semana passada mostra que a aprovação dos cariocas à presença do Exército nas ruas caiu dezessete pontos percentuais, de 83% para 66%, desde outubro do ano passado. A maioria dos entrevistados, 59%, acha que a presença militar não fez diferença, até agora, para diminuir a violência. O número de pessoas que acreditam que a intervenção piorou a situação da Segurança Pública cresceu de 2% para 12% nos últimos dez meses.

A assistente social Lidiane Malanquini, coordenadora da ONG Redes da Maré, detalha casos de abuso na ação policial da semana passada. Segundo ela, os militares têm um padrão histórico e truculento de abordagem: “Entram nas casas a qualquer hora, sem mandado judicial, ou com mandado coletivo”, diz. “Muitas vezes destroem o local e torturam os suspeitos”. Há relatos de mulheres sendo revistadas por homens e de celulares inspecionados de maneira aleatória. Pessoas que compartilhavam informações sobre a operação em redes sociais foram detidas como suspeitas.

Para a pedagoga Shirlei Rosendo, moradora da Maré, a intervenção não é uma boa solução porque “tenta resolver a violência com mais violência.” Em nota oficial, a assessoria de comunicação do Comando do Leste, limita-se a parcos esclarecimentos, enaltecendo os números da operação e lamentando a morte dos militares em combate. O cabo Fabiano e o soldado João Victor foram enterrados com honras militares, na terça-feira 21, no cemitério de Japeri, na Baixada Fluminense. O soldado Marcus Viana foi ferido e veio a falecer em decorrência da evolução indesejável do seu quadro clínico. O Comando do Leste informou que todo apoio psicológico e espiritual vem sendo dado aos familiares dos soldados mortos.Nessa operação especifica, os policiais atuaram, sem troca de pessoal, por cerca de 14 horas. “Fomos avisados do procedimento de tortura de quatro jovens e tentamos mediar de alguma forma para impedir que a atrocidade continuasse”, afirma Lidiane. A ativista conta que os moradores, mais ou menos 50 pessoas, se insurgiram contra as arbitrariedades e violações aos direitos humanos por parte dos policiais. Também perceberam que os policiais do Bope, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, carregavam para o Caveirão, carro blindado usado em operações nas favelas, um corpo enrolado em um pano. Quando uma das mulheres se aproximou dos policiais para questioná-los, no meio da rua, foi repelida a tiros. As imagens são facilmente encontradas na internet. “Há um recorte de raça e classe social nessa intervenção. Eles não fazem isso nos bairros nobres, como Copacabana, por exemplo”, ressalta.

Aprovação dos cariocas à presença do Exército nas ruas caiu de 83%, em outubro de 2017, para 66% após a morte de três militares


 


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