SABATINA COM GENERAL É INTERFERÊNCIA MILITAR NAS ELEIÇÕES

BRASIL ELEIÇÕES 2018 NOTÍCIAS

Por Luis Felipe Miguel


Manuela d’Ávila postou foto ao lado do comandante do Exército, informando que tinha aceitado o convite para conversar com ele na qualidade de pré-candidata à Presidência.

Muita gente criticou a naturalidade com que era aceita a intervenção de um general da ativa no processo eleitoral, mas outros saíram em defesa de Manuela e também de Haddad, que atendera antes à convocação dos quartéis – como foi o caso de Gilberto Maringoni, cujas análises políticas, aqui neste facebook e alhures, eu respeito e admiro.

Mas creio que os argumentos em defesa de Manuela d’Ávila não se sustentam. Não se trata de moralismo ou preconceito, de impor um veto a conversar com tais ou quais setores. Trata-se de recusar a um chefe militar o direito de convocar candidatos para sabatiná-los.

Na melhor das hipóteses, é para lobby corporativo, que as forças armadas, por sua característica de executoras do monopólio do uso da violência, devem se abster de praticar. Na pior, estão indicando limites ao exercício do poder civil. A hipótese de que as conversas ocorrem apenas para a ilustração e o entretenimento do general pertence ao mundo da fantasia.

Também é fraco o argumento do realismo político. O “realismo” que aceita o mundo político tal como é, sem questioná-lo, é o daqueles que querem que o golpe seja considerado favas contadas. Mas o realismo dinâmico, que entende a história como processo, antecipa as consequências dessa aceitação da interferências militar na eleição – e julga que é necessário ir contra ela.

Por fim, há uma defesa do “legalismo” do general Villas Boas. Eu tenho cá minhas dúvidas; legalismo que é legalismo não compactua com golpe. Há uma enorme vontade de ver no general um grande defensor da Constituição. Busca-se este traço por trás de cada declaração ambígua ou mesmo, incrivelmente, do fato de que, depois de ter convocado apenas os candidatos de direita para suas sabatinas, decidiu – por espírito republicano? – chamar também os de esquerda.

Parece que a esquerda brasileira, no eterno retorno das ilusões de sempre, espera agora pelo novo Marechal Lott. Mas isso também pertence ao mundo da fantasia.


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