SEM LULA E DILMA, JÁ VIVEMOS UM RETROCESSO CIVILIZATÓRIO. O QUE SERIA COM BOLSONARO PRESIDENTE?

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BOLSONARO TESTA OS LIMITES DA BARBÁRIE NACIONAL


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Do Brasil 247 – O Brasil vive, nos dias atuais, o maior retrocesso civilizatório de sua história. Esse processo começou com a deposição sem crime da presidente Dilma Rousseff e a prisão sem provas de Lula, que instalaram um ambiente de terra sem lei no País. Para que se alcançasse esse objetivo, grupos de comunicação, liderados pela Globo, disseminaram campanhas de ódio contra Lula, Dilma e o PT, fazendo com brigadas de extrema-direita, antes contidas, assumissem um protagonismo crescente na vida política nacional.

O resultado disso tudo se chama Jair Bolsonaro, candidato que exalta a tortura, prega assassinatos de sem-terra, bate continência para a bandeira dos Estados Unidos e propõe um vale-tudo na economia. “Os limites legais e os limites dos costumes caem no Brasil sem cessar e sem obstáculos. Mas Jair Bolsonaro, contribuinte para os dois ramos da ceifa, avançou demais a pretexto da pré-candidatura à Presidência. Sua pregação da violência, mesmo que criminosa como a das milícias, passou a fazer o incentivo explícito e público aos assassinatos. Ei-lo, depois de vestir uma faixa presidencial, no sul do Pará, uma das duas regiões rurais de maior criminalidade: ‘Esses marginais que cometeram esse crime [morte de um açambarcador de terras] não merecem lei, não. Merecem é bala.’ E foi por aí. Um defensor de menos injustiça social não precisaria chegar a tanto para que estivesse atolado em processos criminais. E preso”, diz o jornalista Janio de Freitas.

Com cerca de 15% nas pesquisas, Bolsonaro aparece em segundo lugar e assume a primeira posição nos cenários em que Lula é excluído – o objetivo central dos golpistas. Tendo sido aplaudido recentemente na Confederação Nacional da Indústria, Bolsonaro testa os limites da barbárie nacional.

Leia, abaixo, reportagem da Reuters sobre sua campanha:

BRASÍLIA (Reuters) – Coordenador do programa econômico do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ), Paulo Guedes afirmou que terá total liberdade para montagem de sua equipe caso se torne o titular da Fazenda e indicou que pode manter alguns integrantes da atual equipe econômica do governo Temer.

“Ele (Bolsonaro) fala que é porteira fechada e não vai ter nenhuma indicação política”, disse o economista em entrevista na quinta-feira à Reuters, a respeito dos cargos nos Ministérios da Fazenda e do Planejamento e no Banco Central. Sobre a permanência de alguns membros da equipe de Temer, mostrou ver vantagens na estratégia.

“O setor público tem extraordinários quadros e quem tem que fazer as reformas e ajudar a corrigir todos os erros são exatamente esses quadros de excepcional qualidade”, disse, ao ser questionado se manteria parte do quadro se Bolsonaro vencer as eleições.

Guedes elogiou o atual secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, de quem disse ter tido “ótima impressão” por seu “espírito público e conhecimento técnico”. Ambos estiveram juntos há poucas semanas no Ministério da Fazenda após Guedes pedir um encontro para ouvi-lo sobre a situação fiscal do país.

Os comentários foram feitos pouco antes de Guedes se encontrar novamente com membros da atual equipe econômica em Brasília, desta vez a convite do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e na companhia do presidente do BC, Ilan Goldfajn, no âmbito de conversas que têm sido pedidas pela Fazenda com economistas de pré-candidatos.

Tanto o coordenador quanto o próprio Bolsonaro já afirmaram publicamente que Ilan seria um excelente nome para seguir no atual cargo. Guedes disse nesta quinta-feira ver necessidade, para o presidente do BC, de autonomia operacional e mandato não coincidente com o do presidente da República.

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Com Ph.D. na Universidade de Chicago, considerada o templo mundial do liberalismo, Guedes voltou a ressaltar que o programa de Bolsonaro será estruturado em torno de reformas fiscais, como a da Previdência, reorganização federativa, com mais recursos direcionados a Estados e municípios, e diminuição da dívida pública, investida turbinada por privatizações de estatais.

REFORMA TRABALHISTA

O economista defendeu o aprofundamento da reforma trabalhista, com a substituição gradual do atual sistema de encargos baseado na folha salarial que conta com “alíquotas altíssimas”. Para ele, a mudança vai impulsionar a contratação de novos postos de trabalho e ampliar a formalização do número de pessoas economicamente ativas. Atualmente, o país possui cerca de 13 milhões de desempregados.

“Vamos acabar com esses encargos, acabar com esse troço. Nós vamos botar no lugar uma base de incidência bem mais ampla, em vez de só alguns pagando muito. Esse é um princípio que estamos vendo”, disse.

Segundo Guedes, o novo modelo de encargos trabalhistas —mais simples e com custo menor— faria parte de uma reforma tributária mais ampla a ser implementada de maneira gradual.

“Só que a gente não vai fazer nenhuma aventura. A gente não vai desarmar o sistema”, disse ele, indicando que a substituição de um regime por outro será feito em dois ou quatro anos.

“Aí você vai fazendo ‘phase in’ em um e ‘phase out’ em outro, vai calibrando. Justamente como a gente não vai fazer aventura, a gente não pode abrir mão da base tributária atual. Você reduz um pouquinho e introduz a outra. Essa outra está indo superbem, você acelera ela e retira a antiga”, complementou.

RELAÇÃO COM O CONGRESSO

O economista afirmou que a “governabilidade” de uma eventual gestão Bolsonaro se dará, para além da noção de um novo pacto federativo, com o apoio dos partidos em cima de propostas em discussão no Congresso.

Uma das críticas a Bolsonaro é a de que ele, se eleito, não terá uma forte base de apoio. Atualmente o PSL, a pequena legenda a qual o deputado é filiado, tem apenas 8 deputados federais e nenhum senador.

Guedes disse que o coordenador informal da pré-campanha de Bolsonaro, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), disse-lhe que até o final do mês o nome do PSL ao Palácio do Planalto contará com o apoio suprapartidário de 120 deputados federais. Para o economista, é um apoio que está sendo “bem encaminhado” por ocorrer antes do fechamento das alianças partidárias.

O número fica abaixo do necessário para a aprovação de reformas constitucionais —que na Câmara precisam de ao menos 308 votos. Mas Guedes afirmou que, no pós-Lava Jato, o apoio dos partidos no Congresso se dará em torno das agendas do governo.

“É uma valorização dos temas e votação no atacado. Esse partido está conosco, aí temos 30, 40 votos do partido, justamente para acabar com a compra mercenária de votos no varejo”, disse.


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