JOAQUIM BARBOSA DESISTE DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL

BRASIL ELEIÇÕES 2018 Justiça POLÍTICA

O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, filiado ao PSB, informou, por meio de sua conta pessoal no Twitter, na manhã desta terça-feira (8), que não será candidato à Presidência da República.

Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal.

Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF

O ex-ministro nunca disputou uma eleição, mas ganhou notoriedade após o julgamento do mensalão no STF, em 2012. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 15 de abril, Barbosa oscilava entre 9% e 10% das intenções de voto nos cenários em que era citado, variando entre a terceira e a quarta posição.

Com Lula candidato, Barbosa tinha 8% do total das intenções. Sem o petista, que está preso na sede da PF (Polícia Federal), em Curitiba (PR), o ex-ministro alcançava 10% do total das intenções em um dos cenários testados.

O anúncio feito por Barbosa acontece menos de um mês após a primeira reunião pública do ex-ministro do STF com lideranças no PSB. Na ocasião, ele comemorou o resultado das pesquisas, mas disse que ainda não estava convencido se deveria concorrer. Ele se filiou ao PSB no dia 7 de abril.

Mesmo com a indefinição, o PSB começou a montar uma estrutura de campanha e a procurar partidos para compor a chapa presidencial.

Carlos Siqueira, presidente do partido, afirmou que a desistência não ocorreu por resistências encontradas dentro do próprio partido. “Infelizmente ele desistiu, mas posso assegurar que não foi por resistências. Desistiu do ponto de vista dele próprio”, disse entrevista à Rádio Bandeirantes.

“[Barbosa] tem sua família, seus afazeres, sua profissão que voltou a fazer como advogado. Precisamos tanto de uma figura como ele ou alguém parecido a ele”, disse o Siqueira.

Segundo o presidente da sigla, o PSB não tem ainda um plano B. “Não queremos uma solução a mais dentro do convencional. O processo está muito pobre de candidaturas que representem o novo. Fizemos nosso esforço, o máximo que podemos. Agora, vamos ver os candidatos que estão [no cenário] ou num candidato próprio”, disse.

Em nota, o PSB informou que Barbosa avisou Siqueira na manhã desta terça-feira. “Cabe destacar que a definição do ministro ocorre nos termos da pactuação realizada em sua filiação, no último dia 6 de abril, que possibilitava ao PSB não conceder legenda a Barbosa, e que este, por sua vez, não assumia a obrigação de se candidatar”, diz o texto.

“A reflexão de foro íntimo realizada pelo ministro fez com que a candidatura não seguisse à frente, decisão que o PSB compreende, especialmente, por que é personalíssima.”

Repercussão entre os candidatos

O pré-candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, classificou a decisão de Barbosa como “uma perda”. “Nós precisamos de novas lideranças, de maior participação. [Barbosa] É um homem preparado, com serviço prestado ao Brasil. Mas é uma decisão dele, nem sei se é definitiva. Mas, se não for desta forma, prestará serviço ao Brasil de outra maneira. Tenho total respeito”, declarou o tucano em evento com prefeitos em Niterói (RJ).

No mesmo encontro, a pré-candidata Marina Silva (Rede) também lamentou a decisão do ex-ministro. “Sempre tive respeito pelo processo de discernimento e pelo debate interno que o PSB está fazendo. Essa é a democracia. As pessoas escolhem, e essa é a melhor forma de contribuir” afirmou.

Ciro Gomes (PDT), afirmou que a presença de Barbosa seria boa para o Brasil. “Representa um valor que o povo está procurando, que é a decência. Uma figura importante. Passou um ano e meio no horário nobre, combatendo a corrupção”, disse.

O presidente da Câmara e pré-candidato do DEM, Rodrigo Maia, disse que anúncio de Barbosa “era o esperado”. Ele comentou que “alguns ficaram ansiosos” com a possível candidatura do ex-ministro. Na opinião dele, as intenções de voto atribuídas ao jurista não têm destinatário certo. “Acho que uma parte não vai para ninguém e outra, pulveriza”, disse.

A pré-candidata Manuela D’Ávila afirmou que o ex-ministro tinha “opiniões boas”, mas respeita a decisão. “Ele [Barbosa] tinha apresentado algumas pautas interessantes. Manifestou a sua contrariedade em relação à reforma da Previdência e ao processo de impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff]. Ele tinha opiniões já apresentadas e boas. Mas respeito a decisão dele.”

Alvaro Dias afirmou ter “grande admiração” por Barbosa. “Sempre o valorizei, é alguém muito importante na defesa da justiça. A ausência dele empobrece o debate, em especial tendo em vista seu histórico recente conduzindo o STF na ação do mensalão”, afirmou.

Ele afirmou que espera ganhar votos que seriam destinados a Barbosa, mas não descarta uma chapa com o ex-ministro.

“Não cheguei a vê-lo entrar [na corrida presidencial], mas empobrece a disputa. É uma pessoa importante nesse processo”, afirmou Guilherme Afif Domingos (PSD).

A reportagem vai questionar os demais sobre a mudança no cenário eleitoral com a desistência de Barbosa.

Repercussão no PSB

O governador de São Paulo, Márcio França sempre preferiu que o PSB apoiasse Alckmin à disputa em vez de lançar um candidato próprio, como Barbosa. Após o anúncio da desistência do ex-ministro, França reafirmou que Barbosa “não iria suportar essa pressão, esse liquidificador da vida pública”.

Segundo França, “seria um excelente vice-presidente da República. Teria o nome dele, que daria um upgrade em qualquer nome. Se ele topasse, poderia ajudar muito o Brasil a acertar”, afirmou.

O líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado (MG), disse não ter se sentido traído pela decisão de Barbosa, mas “chateado pelo Brasil”.

“A gente que tem vida pública a família nem quer que a gente participe muito pela situação política do país. Imagina então quem está para entrar nessa agora, quem sempre teve uma vida, carreira mais privada. Entendo isso. Ele sabe o que ia passar, como o preconceito sofrido. Ficou para o Brasil mais do mesmo. Ele era alguém que poderia modificar essa situação”, falou.

“Vamos ter de nos reerguer com o patrimônio que o Barbosa que ele nos deu. Ele emprestou o nome com enorme fidalguia”, disse.

Ministro de Temer diz não ser possível afirmar qual será o ganho eleitoral

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), disse que a saída de Joaquim Barbosa deve ser respeitada como uma decisão pessoal. Na avaliação dele, “obstante as qualidades do Barbosa, o eleitorado dele não estava completamente definido, então o barco continua muito confuso”.

Marun afirmou também não ser possível afirmar qual será o ganho eleitoral para o candidato de centro e os próprios pré-candidatos do MDB, o presidente da República, Michel Temer, e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

“Não vejo ainda uma sinalização de votos [de Barbosa para Temer e demais candidatos de centro]. Temos de esperar mais um pouco. É muito prematuro”, disse.

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2 thoughts on “JOAQUIM BARBOSA DESISTE DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL

  1. ELE SEQUER SUPORTOU SER PRESIDENTE DO STF… FUGIU FEITO UM CACHORRINHO MEDROSO E COVARDE.
    A DITADURA NÃO TEM NOITE DE ESTRÉIA – O maior truque do Golpe é fingir que ele mantem viva a Democracia
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/05/08/a-ditadura-nao-tem-noite-de-estreia-o-maior-truque-do-golpe-e-fingir-que-ele-mantem-viva-a-democracia/
    … …Emicida pôs o dedo na ferida, sondou o nó nevrálgico do problema: a Ditadura não tem noite de estréia, nem anúncio publicitário no telejornal que nos prepare para o dia de sua vinda. “Vai achando que ditadura é tipo horário de verão que tem comercial avisando a hora que começa, vai…”. As barbáries pretéritas podem retornar como um bumerangue. Seria ingênuo e falacioso acreditar na História como progresso automático rumo ao melhor. Além disso, as Ditaduras Possíveis do Porvir não serão previamente anunciadas, avisadas aos cidadãos com a antecedência com que nos alertam sobre os temporais e as frentes-frias na previsão do tempo.
    O rapper foi direto ao ponto: hoje em dia, a Ditadura viria sem travestida de Democracia, fazendo pose de Constitucionalista, e teria entre suas hordas de defensores aqueles que enxergam em Moro um juiz-herói ou em Bolsonaro um… …


    https://polldaddy.com/js/rating/rating.js

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